Capítulo 5 -O Canto da Sereia parte 3

1299 Words
Capitão sobe o morro fervendo de raiva. Seus homens percebem e ficam calados. Pé-de-c***a se aproxima, sem saber de nada. - Os caras de Pirata recuaram para a Vila do Cais, Capitão! - informa Pé-de-c***a. Capitão nada responde, olhando a todos visivelmente transtornado. - Alguém dedurou a gente, Pé-de-c***a! - diz Capitão, rancoroso. Pé-de-c***a franze a testa, confuso. -To sabendo nada não, chefe! - retruca Pé-de-c***a. -Os homens de Pirata foram para o ponto que a gente ia tomar! Planejei tudo no barracão!Alguém tá vazando informação nossa! - exclama Capitão, insatisfeito. Pé-de-c***a fica pasmo. Os homens de capitão olhavam uns para os outros desconfiados. - Capitão, tem que dar uma prensa nessa gente! São tudo X9! - afirma Pé-de-c***a, raivoso, apontando para os homens de Capitão. Capitão olha para Pé-de-c***a, avança devagar até ele e o encara, ameaçador. - Tu não apita em negócio meu não, Pé-de-c***a! - diz ele, sério. Pé-de-c***a, acuado, engole em seco. - Capitão, também quero o sucesso do movimento! - retruca Pé-de-c***a. - Então siga minhas ordens! - rebate Capitão. Pé-de-c***a recua, olha ao redor, envergonhado. Capitão corre o olhar pelos seus homens. O traidor estava entre eles. - Pé-de-c***a, cadê Niel e o amigo vesgo dele? - pergunta Capitão. - Ficaram lá em cima no morro, no pé daquela mata, Capitão! - responde Pé-de-c***a. - Traz eles pra cá! Vamos juntar todo mundo agora! - ordena Capitão, Pé-de-c***a sobe o morro com mais três homens. Chega até o ponto onde tinha deixado Zaroio - Bora, Vesgo! Capitão tá chamando a gente! Vamos pegar teu amigo! - Que aconteceu? - pergunta Zaroio, percebendo o nervosismo de Pé-de-c***a. - Deduraram a gente, Vesgo! Dente-de-Onça foi atingido no braço e tá se recuperando! Capitão tá uma fera! - responde Pé-de-c***a. - Deduram como? - insiste Zaroio. Pé-de-c***a olha irritado para Zaroio. - Tu não sabe o que é dedurar não, Vesgo? Anda logo! - diz Pé-de-c***a, empurrando Zaroio para que seguissem em frente. Sobem mais o morro e chegam até o ponto em que deixaram Martiniel. Ele não estava no lugar. Pé-de-c***a pragueja, enlouquecido. - Pqp! Cadé aquele pivete? - pergunta Pé-de-c***a em voz alta. Os homens vasculham próximo de onde estavam. Pé-de-c***a pega Zaroio pelo braço. - Cadê aquele teu amigo cheio de caô? - pergunta Pé-de-c***a, pressionando o braço de Zaroio. - Não sei! A gente ficou separado, tá lembrado? - responde Zaroio. Pouco depois aparece Martiniel vindo da mata, ajeitando a calça. - Onde tu tava, pivete? - pergunta Pé-de-c***a. Martiniel olha para todos sem entender nada. - Fui me aliviar ali em cima, qual o problema? - responde Martiniel. Pé-de-c***a, transtornado, vai até Martiniel. - Bora, que Capitão tá chamando a gente! - diz Pé-de-c***a, pegando no braço de Martiniel e puxando-o, trazendo até perto de Zaroio.Descem então o morro. Chegam até onde Capitão os aguardava, em uma área gramada sem árvores, como um campo de futebol. Mais homens chegam. Dente-de-Onça também aparece, com o braço enfaixado. Todos ficam em volta de Capitão, que os olha transtornado. - Os caras de Pirata sabiam que a gente ia descer até o Bairro da Curva e já estavam lá esperando a gente. Choveram pipocos, três deles foram apagados e três nossos caíram. Dente-de-Onça foi atingido, mas escapou... - relata Capitão. Silêncio entre todos. - Capitão, a central tem novas! - interrompe Dente-de-Onça. Capitão olha para o homem por instantes. A central era um ponto no qual homens de Capitão captavam sinais de celulares e visualizavam os pontos que possuíam câmeras. - Chega aí, Dente-de-Onça! Traz aí o que ela descobriu! - diz Capitão. Dente-de-Onça tira um celular do bolso e vai até Capitão. Entrega o aparelho para Capitão que, ao ver a imagem, fica possuido de ódio. - Mas que filho da... ! - esbraveja Capitão, correndo o olhar de ódio por entre os homens, procurando por alguém, até parar em Martiniel. Vai até o jovem, calmo, mas ameaçador. Enquanto Capitão avançava até ele, Martiniel suava. Ao chegar bem em frente de Martiniel, Capitão estende o braço direito como que para agarrá-lo. Martiniel se recolhe. Capitão apanha pela camisa um homem que estava pouco atrás de Martiniel e o traz para o meio, forçando-o a ficar de joelhos. - Olha tu aqui, seu traíra! - diz Capitão, mostrando a imagem no celular para o homem, - Capitão! Não fiz nada! Só fui comprar um cigarro na venda, só isso! - implora o homem. - Então pra quem tu tava mandando mensagem pelo celular naquela hora, porque pra nós não foi! - rebate Capitão, sacudindo o homem no chão. - Capitão! Eu não sei do que tá falando! - insiste o homem. Capitão ironiza os imploros do homem. - Tu não sabe, mas a gente sabe o que tu falou naquela hora, tá sabendo? Olha aqui o que tu mandou "Ta entregue perto do manguezal" para um número que não é da gente! - retruca Capitão. - Capitão, era uma encomenda para meu irmão lá da comunidade da praia! - insiste o homem. Capitão ri com ódio, como se tivesse escutado uma piada r**m. - Tu não sabe mentir, cara! - diz Capitão, tirando um tresoitão da cintura e apontando para o homem. - Não, Capitão! Não! - implora o homem pela última vez antes de o pipoco estourar sua cabeça. Seguiu-se um silêncio ensurdecedor. Capitão guarda de volta o equipamento enquanto olha para seus homens. - Tái para vocês verem! Entrou para o movimento? Tem que ser leal ao movimento! Traíra aqui não tem vez! - brada Capitão. - Bora desovar esse infeliz! - exclama Pé-de-c***a para alguns homens. Eles então pegam o abatido e descem mais o morro. Capitão vai até Martiniel e Zaroio, que disfarçavan o estado de choque. - Niel, isso é o movimento! Vacilão não tem vez aqui! - exclama Capitão, saindo dali com os homens. Alguns dos que ficaram se dispersaram para lugares diferentes. Martiniel e Zaroio permaneciam estáticos. - Que faremos, Martiniel? - pergunta Zaroio, temeroso. - Nada, apenas sobreviver! - responde Martiniel, vagamente. Zaroio olha inconformado para o amigo. - Você sabia disso e mesmo assim quis fazer parte! Você me empurrou para o movimento! Eu não queria isso! - protesta Zaroio. Martiniel volta-se para o amigo, indiferente. - Agora já é! Não tem mais volta! Não é culpa sua! Preciso entrar no movimento! - responde Martiniel, calmamente, assustando ao seu amigo. Pouco depois Pé-de-c***a reaparece com quatro homens. - Que cês tão fazendo parados aí, pivetes? - pergunta Pé-de-c***a, irritado. - Esperando saber o que a gente faz agora! - responde Martiniel. - Agora não tem mais o que fazer! Vão se cuidar para a festa de Cavalo que vai ser hoje de noite no Barracão! - diz Pé-de-c***a, retirando-se com os homens morro acima. Martiniel e Zaroio os seguem até certo ponto. Eram umas 3 da tarde quando se aproximavam de suas casas. - Teus pais sabem disso, Martiniel? - pergunta Zaroio. - Nem em sonho vou dizer a eles! - responde Martiniel. - Cedo ou tarde vão descobrir, tu vai ver! - retruca Zaroio. - Vira essa boca para lá, Zaroio! - rebate Martiniel, dando um leve empurrão no amigo. Chegando na esquina da ruela onde Martiniel mora, Mirna novamente aparece, descendo a rua. - Oi, Martiniel! Oi, Zaroio! - diz ela. - Oi, Mirna! - retribui Zaroio. - Eatás linda, Mirna! - diz Martiniel, com um brlho nos olhos. Mirna estranha o desespero de Martiniel. - Que tu tem, Martiniel? Parece muito ansioso! - pergunta Mirna, intrigada. Martiniel se aproxima de Mirna. - Que é que eu tenho? Só uma grande admiração por você! - retruca Martiniel. - Vou subindo, pessoal! A gente se vê! - despede-se Zaroio. Mirna e Martiniel ficam olhando um para o outro. O clima entre eles prometia.
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