Jefinho O sol do meio-dia castigava o Complexo de Israel, mas um vento suave, diferente do ar abafado do barraco do Zé Padeiro, soprava pela viela mais alta. Nayla observava, de longe, o movimento em frente ao antigo barraco de Tonhão. Homens de Michel, alguns que ela já havia visto no mercado e outros desconhecidos, carregavam madeiras, telhas novas e baldes de tinta. As paredes de tijolo cru ganhavam um reboco rápido, o telhado de zinco, antes furado, estava sendo substituído. Seu estômago estava um nó de emoções. Raiva. Humilhação. Mas, acima de tudo, um alívio avassalador. Aylla, que estava sentada no chão poeirento ao lado dela, comia um pão com manteiga — um luxo recente, vindo de uma entrega semanal que Jefinho havia começado a fazer, com itens essenciais e alguns "mimos" para a

