No fim, eu deixei Benício na escola. Contra a minha vontade. Não porque a médica tivesse proibido. Não tinha proibido nada. Era porque, na minha cabeça, alguém que tinha acabado de levar uma agulha no pescoço devia ir pra casa, deitar e ficar quieto. Na cabeça dele, tinha matéria de Física pra pegar. Parei o carro duas ruas antes, como ele gostava. Antes de abrir a porta, Benício me olhou. — Nem começa. — Eu não falei nada. — Sua cara. Revirei os olhos. — Se doer, você me liga. — Tá. — Se sangrar… — Eu ligo. — Se ficar tonto… — Eu ligo. — E se a Clara— Ele bateu a porta na minha cara. Fiquei olhando enquanto ele atravessava a rua. Antes de entrar no portão, virou, levantou o dedo do meio discretamente e sorriu. Eu ri sozinho. Dezesseis anos. Câncer. Uma possível ciru

