Naquela noite, meu pai ficou no meu quarto até eu mandar ele ir dormir. Não porque eu quisesse ficar sozinho. Porque ele estava sentado na cadeira olhando pra mim como se eu pudesse desaparecer se piscasse por muito tempo. — Pai. — Hum? — Vai dormir. — Tô sem sono. — Você tá aqui faz quase uma hora sem falar nada. — Você também. — O quarto é meu. Ele me olhou. — Argumento forte. — Obrigado. Vicente levantou, mas parou na porta. — A Carolina protocolou o pedido da cirurgia no plano. — Você já falou. — E vai juntar no processo. — Também falou. — Tá. — Pai. — O quê? — Eu não vou esquecer que tenho câncer se você parar de repetir as coisas. A frase saiu mais dura do que eu pretendia. Ele ficou quieto. — Foi m*l. — Não. Você tem razão. Aquilo ainda era estranho. Meu p

