PRÓLOGO
PRÓLOGO
TRÊS MESES ATRÁS
Eu ando em passos lentos, no meio de um calor infernal, espremendo-me entre os pedestres.
A feira está lotada e a mulher que observo, inebriado pelo balançar hipnotizante dos seus quadris resolveu justo agora parar em uma barraca de frutas. Observando-a mais de perto, uma avalanche de sentimentos me toma de forma intensa.
Curioso, eu que nunca fui um homem passional, desde que a vi pela primeira vez, tornei-me uma verdadeira montanha-russa de emoções.
Ela escolhe algumas frutas enquanto conversa com o feirante. O coitado do velhinho mostra-se entusiasmado com a atenção que recebe da mulher sedutora que está à sua frente, o sorriso dela se abre enquanto leva uma das mãos até o ombro do velho e com a outra inspeciona um grande morango antes de levá-lo a boca.
Escorre um pouco de caldo pelo canto de seus lábios cheios, ela limpa sem muito refino e lambe os dedos com naturalidade.
Essa visão me deixa tão e******o que chega a doer, e isso é muito frustrante, ela ainda não sabe quem eu sou.
A mulher sorri com os olhos e com a boca, sua intenção não é seduzir, mas ela naturalmente assim faz, sem qualquer esforço, não há como renegar a força imperiosa de sua natureza feminina, é uma mulher sensual em estado bruto, sem afetações ou joguinhos sexuais.
E continua a caminhar com os quadris redondos e ondulantes entre as barracas da feira. Uma senhora, também feirante, joga-lhe um beijo e ela responde entre sorrisos e acenos.
Da última vez que a vi, ela estava apática e anestesiada pela dor.
Assisti de longe ela ser consolada carinhosamente por seus amigos no enterro de Aziz. Eu terei que reivindicar a guarda de Kaled, meu sobrinho, em breve. Certamente haverá confronto entre nós dois.
Mas ainda não é o momento oportuno, por enquanto prefiro me manter distante, tenho que tirar minhas próprias conclusões sobre as acusações de meu pai.
Ela não parece ser uma mulher manipuladora, uma caça dotes.
Entretanto, meu pai insiste que ela casou-se com Aziz por dinheiro e que ela é uma influência r**m para o futuro de Kaled.
O tempo dirá quem fala a verdade, meu pai ou o meu coração.