Capítulo 13

551 Words
A estrada era longa. O tipo de viagem que faz o silêncio ficar mais presente do que qualquer conversa. Felipe dirigia com calma, enquanto Olívia olhava pela janela, já com algumas sacolas das compras no banco de trás. O restaurante parecia longe demais agora. E a fazenda… mais ainda. — Tá cansada? — ele perguntou, sem tirar os olhos da estrada. — Um pouco — ela respondeu. — Minha cabeça não para. Ele assentiu. — Você pensa demais. — Eu trabalho demais — ela corrigiu. Ele sorriu de leve. — É quase a mesma coisa. Olívia virou o rosto pra ele. — Não é não. — É sim. Ela ia responder… mas acabou rindo. E o silêncio voltou de forma estranhamente confortável. Depois de horas, o céu já estava escuro quando eles pararam em uma pousada simples no meio do caminho. — Vamos dormir aqui hoje — Felipe disse. — Não dá pra chegar direto. Olívia soltou um suspiro. — Perfeito… mais uma coisa fora do controle. — Bem-vinda à viagem — ele respondeu. A pousada era pequena, silenciosa, com corredores de madeira e luz amarelada. Quando entraram no quarto, Olívia parou na porta. — Só tem uma cama. Felipe olhou. — Eu tô vendo. Ela cruzou os braços. — Isso não foi planejado. — Nada aqui foi planejado direito — ele respondeu com calma. Ela passou a mão no rosto. — Tá… ok. A gente já fez coisa pior. — Isso é reconfortante ou assustador? — ele perguntou. — Não sei ainda. Ele riu. Eles organizaram as coisas em silêncio, cada um tentando manter o espaço natural entre eles. Mas à medida que o tempo passava, o cansaço começou a pesar. Olívia saiu do banheiro com o cabelo preso de qualquer jeito, vestindo uma roupa simples de dormir. Felipe já estava sentado na cama, mexendo no celular. Quando ele a viu, parou por um segundo. — O que foi? — ela perguntou, desconfiada. — Nada. Mas não era “nada”. Ela percebeu. — Felipe… — Você tá cansada — ele desviou o assunto. Ela suspirou e sentou do outro lado da cama. — Só quero que esse fim de semana passe logo sem desastre. — Vai passar — ele respondeu. Silêncio. A proximidade ali era diferente. Sem restaurante. Sem funcionários. Sem distrações. Só eles. Olívia deitou primeiro, virando de lado. — Boa noite, “marido” — ela disse baixo, tentando aliviar o clima. — Boa noite, “esposa” — ele respondeu no mesmo tom. Minutos se passaram. O silêncio deveria ser normal. Mas não era. Felipe ainda estava acordado quando ouviu a respiração dela ficar mais leve. Olívia tinha dormido. Ele virou o rosto devagar. A luz fraca da janela iluminava o rosto dela. Sereno. Cansado. Real. Ele ficou olhando por um tempo maior do que deveria. A mão dele se moveu quase sem perceber… até parar no meio do caminho. “Contrato.” Ele respirou fundo. — Isso aqui não pode sair do controle… — murmurou pra si mesmo. Mas o problema era justamente esse. Já estava saindo. Ele se virou de lado, fechando os olhos. E, sem perceber, acabou se aproximando um pouco mais dela durante a noite. Não o suficiente para invadir. Mas o suficiente para deixar tudo mais difícil no dia seguinte.
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