Capítulo três: Babaca abusivo.

2700 Words
E L I Z A 3 A governanta foi o meu único consolo durante a tarde toda naquele dia, ela insistia para que eu comesse pelo menos uma migalha de pão. Nada passava pela minha garganta. A saliva descia apertada tentando passar entre o caroço que havia se instalado em minha goela. Eu sabia que tudo começaria de novo e não suportaria ver minha mãe naquele estado pela quarta vez. Será que ela não poderia pensar um pouco em meus sentimentos? Ela não via como seus relacionamentos me afetavam? Às vezes pensava que mamãe era só uma egoísta viciada em sexo que não ligava nem um pouco para sua única filha. Realmente ela merecia tudo que passava, a vida ensinou a ela que não existia amor verdadeiro. Por que ela continuava tentando? O amor não existia e ela era uma boba que insistia em procura- lo. O sol se pôs dando lugar à noite. Eu ainda estava sentada em minha cama refletindo sobre a minha patética vida. Meus olhos fitavam o teto e dentre meus lábios um leve suspiro escapava. Eu não podia ficar trancada a vida toda naquele quarto evitando olhar para minha mãe. Precisava descer imediatamente e dizer tudo que eu sentia na cara dela, ela precisava ouvir todos os seus sentimentos que eu guardava dentro de mim. Levantei da cama determinada e caminhei em direção à porta, meu sangue estava fervendo e meus batimentos cardíacos acelerados, eu nunca tinha enfrentado minha mãe na vida, aquela seria a primeira vez e eu realmente não sabia como ela agiria com essa mudança brusca de comportamento. Caminhei com passos firme em direção ao seu quarto e entrei sem bater na porta. Mamãe normalmente iria me repreender por essa atitude dizendo que é falta de educação entrar sem bater, mas ao invés de uma bronca recebi um enorme sorriso de orelha a orelha. — Querida eu estava te procurando. Preciso da sua ajuda em algo. – mamãe segurou minhas mãos e me puxou até sua cama fazendo eu me sentar. Seus olhos eram doces e gentis, eu por outra lado estava completamente seca e extasiada. — Espere só um momento. – ela sorriu e correu saltitante em direção ao seu closet. Mamãe estava feliz demais, nem ao menos daria ouvidos as minhas reclamações. Meu coração sentia a ver transbordando felicidade, eu desejava tanto que aquela alegria durasse a vida toda. Não sabia, mas daquela vez sentia que algo realmente seria diferente. No entanto não queria enganar o meu coração novamente, eu só queria ver a minha mãe bem, viva como ela estava naquele instante. Quando ela voltou do seu closet vestindo um lindo vestido preto de cetim, ela fez uma pose diante de mim. O vestido era colado em seu corpo dando um imenso valor em suas curvas. O decote grande, mas não vulgar, possuía alguns lindos detalhes que realçaram os seus s***s firmes. Mamãe estava incrivelmente linda, nem aparentava ter a idade que tinha. Seu corpo perfeito não deixava transparecer que um dia ela já carregou uma filha em seu ventre. O preto do vestido dava um grande destaque em sua pele clara e em seus olhos verde avelã. Ela era a mulher mais linda que eu já vi na minha vida e eu não me parecia nem um pouquinho com ela. A única coisa que herdei de mamãe foi os olhos verdes. — Como eu estou? — Ela perguntou, dando uma volta para mostrar os detalhes na parte de trás do seu vestido. Eu estava deslumbrada demais para dizer alguma coisa. — Está magnífica. – As palavras saiam praticamente sopradas da minha boca aberta, mamãe parecia uma deusa. — Espero que ele goste. – mamãe se olhou no espelho triste e deixou um leve suspiro escapar pelos seus lábios. Eu não conseguia imaginar o que se passava em sua cabeça. — Ele quem? — A pergunta era óbvia demais, no entanto meu coração ansiava para que mamãe tivesse desistido da ideia de se casar novamente. — Vou jantar com John, meu noivo e você irá junto para conhece- lo. — Ela se virou extasiada esperando uma reação positiva. Mas tudo o que ela conseguiu foi as minhas expressões duras, eu não conseguia disfarçar a minha desaprovação daquele relacionamento. Eu sentia que mamãe estava indo rápido demais. — Fala sério mãe. Eu não vou. — Eu odiava desapontar a minha mãe, mas não indo naquele jantar eu sabia que estaria a livrando de uma noite desastrosa. Ela por outro lado estava disposta a me convencer. — Pare com isso filha, por favor. Você ainda não o conhece, verá que ele é diferente dos outros só pelo modo de falar. Por favor querida, faça isso por mim. — Os olhos verde avelã fitaram o meu com tristeza. Mamãe estava apaixonada, eu conhecia aquele olhar como ninguém. Seus olhos estavam brilhantes e esperançosos, completamente cheios de vida. Ela nunca desistia de encontrar o amor, por mais que o amor a abandonou diversas vezes. Minha mãe parecia uma adolescente ingênua e me pedindo daquela forma era impossível ser dura e negar pela segunda vez a sua felicidade. — Tudo bem eu vou, mas não prometo ser legal. — Revirei os olhos e mamãe abriu um sorriso lindo, então ela se curvou em minha direção e começou a fazer cócegas em minha barriga. Seus dedos me faziam contorcer na cama, até perder o fôlego e encarar seus olhos novamente, em seus lábios existia um sorriso dócil. — Eu te amo ursinha, agradeço por sempre torcer por mim e me apoiar em todos os momentos. — Minha mãe depositou um suave beijo em minha testa e afagou os meus cabelos gentilmente. — Maaaãe. — Gritei envergonhada, fazia muito tempo que ela não me chamava de ursinha, ao mesmo tempo que era fofo, também era constrangedor, eu me sentia com dez anos novamente. — Desculpe, meu bem. — Ela ergueu suas mãos para cima. — Agora vá escolher um vestido bem bonito para usar está noite. — Mãe o encontro é seu, não meu. Eu não preciso estar bonita. — Revirei os olhos, eu não queria me esforçar para estar bonita para o mais novo cara que iria se mandar da vida da minha mãe, não valia a pena os esforços. No entanto o sorriso malicioso nos lábios dela, me deixava ansiosa. — Não querida, o encontro é nosso. — Ela tocou a ponta do meu nariz com seu dedo indicador, me deixando com um grande ponto de interrogação no rosto. Entendendo rapidamente, mamãe voltou a se explicar. — Descobri que aquele menino que você acha gatinho, O Thomas Smith, é filho de um grande amigo do John, eu o chamei para sair também. Quero que você se divirta está noite. — Você fez o que?!— A expressão no meu rosto demonstrava o quanto eu estava surpresa. Eu não estava acreditando que mamãe havia feito aquilo. Sim, eu achava Thomas incrivelmente gato, mas isso não significava que eu queria sair com ele. Porém eu sabia que teria que o enfrentar naquela noite, aquilo me trazia inúmeras inseguranças, eu nunca havia falado com um rapaz antes. Para me sentir mais segura, me preparei aquela noite e vesti algo adequado, não era vulgar, mas também não era um dos meus habituais vestidos que eu usava normalmente, eu havia ganhado aquele vestido de aniversário da minha mamãe, por ser um pouco ousado nunca achei uma ocasião apropriada, aquele parecia ser o momento perfeito. Um pouco mais tranquila, por saber que Thomas já tinha vinte anos e portanto era um rapaz formado, com assuntos maduros, ao contrário dos garotos da minha escola, desci mais segura e animada para esse encontro. Mamãe já estava no hall de entrada da casa a minha espera, ela estava deslumbrante, eu me sentia um peixinho f**a d’água ao seu lado. Assim que ela me viu, um sorriso caloroso se formou em seus lábios. — Você está linda querida — Ela sorriu e caminhou em minha direção, para ajeitar uma das madeixas ruivas que caia a frente do meu rosto. Eu amava aqueles momentos com minha mãe, de vê-la feliz que m*l havia notado a campainha tocar. Só percebi que o novo pula-fora havia chegado, quando minha mãe correu toda eufórica em direção a porta. Parado do lado de fora vi um homem alto, robusto, usando um terno preto perfeitamente alinhado no seu corpo. Seus cabelos eram castanhos e estavam penteados para trás. Os olhos azuis do desconhecido eram tão calorosos e ardentes ao fitarem minha mãe, que parecia não existir mais ninguém ao redor deles, somente os dois em seu próprio mundo. — Você está Magnífica Lauren. – O estranho a cumprimentou com um sorriso largo, mamãe parecia se derreter diante de seu elogio. — Obrigada querido, por favor entre. — Ela abriu um sorriso gentil, o convidando para entrar em nossa casa, mas antes dele seguir seu caminho, ele parou diante dela para olhar em seus olhos, a química entre eles era palpável. Aquilo me causava enjoou. Quando ele finalmente notou minha presença, ele se aproximou com um sorriso. — E você deve ser a querida Eliza. — John abriu um sorriso e estendeu sua enorme mão em minha direção. Um pouco receosa eu ofereci a minha, ele a tomou com delicadeza e beijou as costas dos meus dedos. — É um prazer conhecer você, é tão linda quanto sua mãe havia me dito. Você possui olhos tão lindos quanto os dela. — E no entanto eu fiquei sabendo de você por última hora. — John parecia sem graça com meu comentário, mamãe parecia prestes a infartar. No entanto, meus olhos estavam nele a procura de um defeito, para poder acreditar que ele não era o homem certo para minha mãe, mas não conseguia achar nada. Ele estava sendo perfeito de mais e aquilo era uma droga. Antes que o silêncio ser tornasse constrangedor, Thomas tomou o seu lugar dentro da casa. Ele estava tão lindo como sempre foi, também usando um terno preto que ficava perfeito em seu corpo. Os cabelos que costumavam ser bagunçados de um modo rebelde estavam penteados para trás, assim como os de John. Quando ele me viu, abriu um lindo sorriso, que me fazia perder a noção do lugar onde estava. Por um momento minhas pernas bambearam. — Boa noite senhorita Lauren. — Thomas cumprimentou minha mãe gentilmente, em seguida seus olhos estavam em mim novamente. Ele se aproximou e também tomou minha mão para beijar as costas dos meus dedos. Seu perfume era forte e masculino. — Boa noite Eliza. Aquele gesto foi o suficiente para me deixar sem palavras, no entanto fomos interrompidos por John que não queria se atrasar para pegar a reserva que havia feito em um dos restaurantes mais caros de San Diego. O trajeto de carro até o restaurante não era muito longo. O trânsito estava calmo e não havia muitos carros na rua. Naquele dia um festival acontecia no centro e metade da cidade estava presente. O restaurante era muito chique e refinado, era um dos melhores da cidade. Ao julgar pelo lugar que John havia nos levado e pelo lindo Porsche que ele dirigia, a sua situação financeira era muito boa. Por um momento pensei que aquele “pula-fora” era diferente, de dinheiro ele não precisava. Então o que ele queria? A ideia de que realmente eles estavam apaixonados passou pela minha cabeça, eu não gostava de sentir aquela sensação. Porém eu me permiti curtir um pouco aquela noite, sem pensar muito a respeito daquela relação. John passou o jantar todo nos contando sobre as suas aventuras e sobre as loucuras que um diretor de cinema vivia. Sua vida parecia ser muito interessante e quando ele contou a respeito dos filmes que produzia, me senti muito empolgada, eu havia assistido todos e ele era muito bom no que fazia. Descobri também que John Walker tinha uma filha de dezessete anos chamada Taylor e ele achava que eu e ela nos daríamos super bem. Até nos mostrou uma foto de sua filha, alta, pele clara, cabelos castanhos escuros e olhos azuis. Tão linda, quanto John. Aos poucos fui me acostumando com a ideia de ter uma irmã com a mesma idade que a minha, sempre fui muito sozinha e me agradava a ideia de ter alguém com quem fazer festas de pijama, contar histórias até tarde e falar sobre os garotos da escola. Por um momento John não parecia ser tão r**m assim. Porém meu foco saiu do noivo de mamãe e foi diretamente para Thomas, eu também queria saber um pouco sobre sua vida. Thomas estava fazendo faculdade de direto e pretendia ser um grande advogado. Imaginei ele chegando na sua casa depois de um dia longo no tribunal usando aquele mesmo terno, abraçando sua linda esposa ruiva dos olhos verdes e lhe depositando um beijo quente nos lábios. Essa ideia me fazia flutuar no ar e me fazia imaginar como seria realmente a minha vida com ele. O jantar logo acabou e entramos no carro para retornarmos para casa. Mamãe já apertava a perna de John impacientemente durante o trajeto. Eu já sabia exatamente o que ela queria. Chegamos em casa rapidamente, John e Mamãe pareciam ansiosos para subir as escadas e me deixar sozinha com Thomas. Eu estava completamente constrangida com a situação e não sabia o que fazer em relação a ele. O chamei para sala e coloquei um filme na televisão. Pedi para Lurdes preparar uma sobremesa, enquanto assistíamos filme. Apesar de ter muita vergonha, me senti pela primeira vez a vontade com a presença do rapaz. Nem parecia aquela garota insegura, finalmente eu e ele estávamos nos conectando. Enquanto assistíamos filme, notei que Thomas se aproximava cada vez mais de mim, até nossas coxas se tocarem. Minhas bochechas já estavam tão vermelhas que pareciam enormes tomates prestes a explodir. Ele passou seu braço por volta do meus ombros e me puxou contra ele. Aquela aproximação fazia o meu coração acelerar e minhas pernas ficarem dormentes. Me aconcheguei em seu peito e senti o calor do seu corpo contra o meu. Eu estava com uma necessidade enorme de beija-lo. Thomas parecendo ler meus pensamentos passou a mão em meu queixo e levantou minha cabeça fazendo com que eu olhasse para ele. Seus olhos desceu para a minha boca e eu o vi morder seus próprios lábios com força. Dominada por um impulso, coloquei meus braços em volta do seu pescoço fazendo com ele aproximasse seu rosto mais ainda do meu. Thomas entendendo o meu pedido encostou rapidamente seus lábios nos meus. Ele me beijava calmamente e sua língua percorria cada centímetro da minha boca, deixando meu coração completamente acelerado e minha respiração ficasse ofegante. O puxei pela nuca fazendo com que minha boca apertasse mais ainda contra a sua. Nossas línguas se tocavam tão gostoso que me causava um imenso calor interno. As mãos do rapaz deslizavam pela minha cintura, enviando ondas por todo o meu corpo, eu adorava as sensações que elas me causavam. Eu queria mais, no entanto um desconforto entre minhas coxas me tirava da intensidade daquele beijo. A mão de Thomas já estavam embaixo do meu vestido, puxando insistentemente a minha calcinha na tentativa de tirá-la. — O que você está fazendo? — sussurrei baixinho um pouco confusa, nunca nenhum homem chegou aquele ponto. Me senti envergonhada, um pouco suja. Receosa segurei a mão de Thomas, tentando a puxar para fora do meu vestido, no entanto ele não queria obedecer. Seus dedos ainda existiam em tirar minha calcinha. — Qual é Eliza, eu estou vendo que você está molhada, me deixa ver. — A fala dele me deixava tão enojada, que o empurrei fortemente para longe de mim. Em seguida ergui a minha mão e depositei um forte tapa em seu rosto, eu podia ver a marca avermelhada dos meus dedos em sua bochecha, Thomas me encarou com os olhos arregalados, surpreso com a minha reação. Provavelmente qualquer outra menina teria transado com ele naquele momento, mas eu era completamente diferente. Eu não era uma v***a qualquer. — Se você me tocar de novo, eu juro que eu te mato.
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