O COLO DA FORTALEZA Eu tava ali jogada no chão, sentindo o frio da madeira contra as minhas pernas, aquelas mesmas pernas que antes me levavam pra qualquer topo de prédio proibido e que agora pareciam dois troncos de árvore morta, pesadas pra c*****o, como se o sangue tivesse virado chumbo. O som do meu choro era a única coisa que enchia aquele quarto escuro, um som feio, entalado, que parecia arranhar a minha garganta por dentro. Eu tava mergulhada num mar de lama mental, até que ouvi o clique suave da porta abrindo. Aquele rangido da dobradiça velha, que eu conhecia desde que era uma moleca, soou igual a um tiro de canhão no meio do meu silêncio forçado. — Quem é? — perguntei na hora, com a voz toda ferrada, grossa de tanto gritar e chorar, já armada pra me defender de qualquer um que

