Respirei fundo, tentando conter o tremor violento nas minhas mãos, aquele tremor de quem não sabe onde colocar os próprios braços. Eu precisava me mexer. Precisava provar para mim mesma que, mesmo sem luz, eu ainda era a dona do meu espaço. Levantei-me da cama com cautela, mas o meu senso de direção, que antes era impecável, estava completamente quebrado, em frangalhos, jogado na sarjeta. Dei dois passos vacilantes, o pé tateando o tapete, e meu quadril bateu com uma força absurda na quina da escrivaninha. — Droga! — rosnei, a dor latejando na pele, uma pontada aguda que subiu pela espinha. Ouvi o som de algo caindo e estilhaçando no chão. Pelo barulho do vidro fino e o estalo seco da madeira, era o porta-retratos da minha formatura. Onde eu estava sorrindo, segurando o diploma com a vov

