PONTO DE VISTA DOS MARTINS A casa onde Rita e Paulo estavam agora não chegava nem perto do que um dia haviam chamado de lar. O pequeno sítio da ex-mulher de Paulo era simples, paredes de reboco descascado, caixas empilhadas no canto e um cheiro constante de mofo misturado a desinfetante barato. No início, quando chegaram, Rita ainda tentou manter a postura de madame. Andava com o nariz empinado, como se aquilo fosse apenas uma visita curta. Mas os dias foram passando… depois, semanas… e agora quase um mês havia se arrastado. E a realidade finalmente havia batido na porta. Eles estavam na ruína. Humilhados. Sem poder. Sem dinheiro. Sem o sobrenome que por décadas fez pessoas se curvar diante deles. Rita odiava cada segundo daquela nova vida. Ela passava as tardes sentada na varanda

