Ponto de Vista de Rita O Veneno da Inveja Eu precisava respirar. Precisava sair daquela casa pequena, abafada, daquela vida miserável que caí sobre mim como uma praga. O sítio de Artur era decente, simples demais para o meu gosto, mas ele fazia tudo parecer sufocante, como se cada parede estivesse me observando. Eu precisava de ar. Eu precisava lembrar que eu ainda era EU — Rita Martins — e não alguma mulher sem futuro perdida no meio do mato. Então, quando Artur saiu cedo para trabalhar nos campos, eu aproveitei. Peguei a chave da caminhonete dele sem pedir, sem avisar, sem olhar para trás. Eu precisava daquela sensação de liberdade, mesmo que fosse falsa. Dirigir me fazia sentir viva. A estrada de terra levantava poeira atrás do carro enquanto eu acelerava, com as mãos firmes no vo

