Bela O som dos pneus contra a terra batida era o único ruído na estrada deserta. O céu estava nublado, refletindo perfeitamente o humor de Bela. Ao chegar em casa, estacionou o carro devagar e desceu com movimentos lentos, como se cada passo fosse um peso. O que era para ter sido um dia de recomeço se tornara mais uma ferida aberta. Ao abrir o portão de madeira que dava para o jardim simples da casa da avó, Bela não esperava ver ninguém ali. Mas havia um carro estacionado à frente — um sedã escuro, elegante, que ela não reconhecia. Seu corpo enrijeceu de alerta. Seria Henrique? Algum enviado dele? Ela prendeu a respiração e avançou, cautelosa. A porta da frente estava entreaberta. Sentiu o coração acelerar. — Tem alguém aí? — perguntou, entrando com o olhar atento. Do sofá da sala, um

