Bela Bela acreditava que, após tudo que vivera na fazenda com Henrique, encontrar o tio Paulo e ser acolhida por parte da família paterna seria um recomeço. Um caminho para se reencontrar, cuidar de sua gravidez e tentar esquecer a dor que ainda morava no coração. Mas estava enganada. No início, tudo parecia bem. Paulo Maria a recebeu com sorrisos calorosos e palavras doces, dizendo estar feliz por tê-la finalmente ao lado da verdadeira família. Contou histórias antigas de seu pai, elogiou sua semelhança com ele e a tratou com o carinho de quem reencontra uma sobrinha querida. — Sua mãe teria orgulho de você, minha menina — ele dizia, com um brilho estranho nos olhos. — Agora que você voltou para onde pertence, tudo vai se ajeitar. Bela, ainda fragilizada, acreditou. Quis acreditar.

