A sala da mansão Martins estava tomada por um clima pesado. As cortinas fechadas abafavam a luz da tarde, criando uma atmosfera quase sufocante. Rita Martins andava de um lado para o outro, os saltos batendo no piso de mármore como se marcassem um compasso de impaciência. Paulo estava sentado no sofá, com um copo de uísque na mão, observando a irmã com um olhar calculista. Augusto, o filho de Rita, estava encostado na parede, de braços cruzados, ouvindo em silêncio. — Aquela menina acha que vai sair como santa nessa história? — Rita cuspiu as palavras, a voz carregada de veneno. — Entrou no tribunal com aquela cara de vítima e contou uma história como se fosse um conto de fadas! — Calma, Rita — disse Paulo, girando o copo na mão. — Se perdermos a cabeça agora, é exatamente o que ela que

