O Gosto Amargo do Fim
Dizem que o coração não avisa quando vai quebrar. Mas a verdade é que o meu deu sinais, um milésimo de segundo antes, através de um nó sufocante na garganta.
Eu os vi.
Não era um boato, não era uma desconfiança boba daquelas que a gente tenta afastar da mente antes de dormir. Eram os dois.
Ele, o homem que eu achava que era o amor da minha vida, o meu porto seguro, o meu futuro. Ela, a minha amiga, a pessoa que guardava os meus segredos e que eu considerava parte da minha família.
Naquele instante, o mundo ao redor pareceu perder o som. O ar sumiu dos meus pulmões e o meu coração se encheu de lágrimas. Foi uma reação física: parecia que o sangue nas minhas veias tinha se transformado em um choro contido, pesado, que inundava o meu peito antes mesmo de conseguir sair pelos olhos.
O que veio em seguida foi uma avalanche avassaladora. Uma mistura violenta de raiva com uma dor que eu nunca imaginei que existisse. Raiva pela mentira, pela cara de p*u, pelo desperdício do meu tempo e do meu afeto.
E, junto com a raiva, aquele desespero frio de quem vê a própria vida desabar como um castelo de cartas.Eu olhava para aquela cena e o meu primeiro pensamento foi o mais c***l de todos:
“Pronto. Acabou. Eu nunca mais vou conseguir amar ninguém na vida.”
Eu estava errada.
Mas, naquele dia, no meio daquela tempestade de traição, eu ainda não sabia disso.