A noite, depois de mandar mensagem para o meu grupo de amigos — apenas Emily e Guilherme, as três meninas super poderosas só que não —, meu celular começa a tocar quando entro no banheiro para tomar um banho.
— Oi Rafa — é ela, a boleira, tá passada? — O que aconteceu ontem?
— Ai menina você nem vai acreditar, posso te contar toda a história se você for comigo naquele bar que foi ontem.
— Nossa, sério Rafa? — respiro fundo e tento entrar no modo meditação.
— Sério, preciso falar contigo urgente!!!
— Só vou se você vier me buscar, não ficarei te esperando no local mais não. — ela ri ao me ouvir. — Não estou brincando e você sabe disso — firmo minha voz.
— Ok, irei te buscar daqui... — ela faz uma pausa e eu escuto ela ligando o viva voz, provavelmente para conseguir ver o relógio do celular — meia hora.
— Não brinca!
— Esteja gata, beijo. — desligou na minha cara.
Respira Camila, ela é sua amiga e só tem você para contar, ela é filha da melhor amiga da sua mãe e se não sair com ela a própria vai fazer um drama para a dona Beatriz dizendo que eu não saí com ela e eu sair como errada — que não é novidade. Tomo um banho rápido e saiu do banheiro correndo para o quarto, não demorou nem dez minutos que consegui escolher uma roupa o meu celular começa a tocar em cima da cama, é Rafa para avisar que está na porta de casa.
— Droga, não era meia hora? — pergunto ao atender a ligação.
— Estou te esperando, está pronta?
— Só por um milagre! — respiro fundo e me olho no espelho quando ela desliga na minha cara novamente.
Jogo um perfume atrás da orelha e nos meus punhos, pego o meu batom nude e o jogo na bolsa junto com o celular, saiu do quarto calçando o meu salto que usei ontem.
— Onde vai com tanta pressa? — minha mãe franziu o cenho.
— Rafa, beijo mãe.
— Manda um beijo pra ela, cuidado.
Entro no carro e minha amiga já saiu dirigindo à caminho do barzinho, pego o espelho que tem na bolsa junto com o batom e começo a passar nos meus lábios. Não puxo assunto com Rafa, então ela liga o som no último para quebrar o silêncio. Já na fila para entrar no estabelecimento, ela começa a falar sobre o motivo de ter me dado um bolo, ficou pedindo perdão por não conseguir avisar, mas é que ficou ocupada com um tal de Fernando.
Não escutei quase nada do que ela falava por causa do som que vinha do barzinho, está com show ao vivo lá dentro e como estamos já no início da fila pronta para entrar o som fica mais alto. Também não queria ficar prestando muita atenção nas desculpas de sempre sobre homens e os seus pedidos de desculpas.
Essa noite não pego nada que contenha álcool, ainda estou com ressaca e com gosto amargo na boca por causa de ontem. Não deveria ter bebido sozinha, tudo poderia ter sido diferente se eu tivesse ido embora e tenho certeza que não iria ter encontrando com o Peter Pan.
— Eu vou ao toalete— Rafa diz se afastando de mim.
Ela desapareceu, passou meia hora e nada dessa garota, fico tomando minha água com gás esperando ela voltar quando meu celular toca na bolsa, sinalizando uma nova mensagem no w******p.
"Desculpa, Fernando me ligou"
Nem consigo responder, sei que se eu começar a digitar não vai sair nada que preste. Pego a minha bolsa, coloco o celular dentro e vou em direção ao caixa para pagar a minha entrada e a água com gás. Essa garota está conseguindo me tirar do sério, como pode ser assim? Não consigo nem encontrar um adjetivo para as atitudes dela, só pensa em homem e dinheiro, vai saber mais lá o que.
— Alice — minha nuca arrepiar só de ouvir a voz do homem novamente. — Imaginei que viesse aqui hoje, veio me procurar?
— Ah... — finjo surpresa ao olhar para ele — que coincidência agradável.
Ok, esse homem consegue mexer comigo. Não tem como negar que não sinto um calor e um tensão quando estou perto dele, sua energia s****l é muito forte e não tem como! Simplesmente não tem como, minha vontade é de beijá-lo novamente.
— Você já vai?
— Estava de saída sim, minha amiga me deu mais um bolo — riu sem graça.
— Não quer me fazer companhia com um drink? — ele sorri, e que sorriso.
— Apenas uma, certo?
Fomos até o balcão, coloquei minha bolsa sobre a cadeira ao meu lado e ele pediu duas doses de whisky com gelo. Peter Pan nem me perguntou o que eu gostaria de beber ou se eu gosto desse tipo de bebida, as pessoas hoje estão querendo testar a minha paciência, primeiro começou com a minha mãe por não ter dormido em casa e apareceu com a mesma roupa do dia anterior como se nada tivesse acontecido, depois Rafa me metendo mais uma vez em uma furada e agora esse cara querendo que eu beba o mesmo que ele.
Ele se aproxima do meu rosto, pude sentir sua respiração se misturar com a minha e, seu cheiro de homem misturado com o perfume de Antonio Bandeira, só não consigo identificar qual é exatamente. Sinto minha boca meia aberta, não posso estar babando por ele, estou? Droga, devo estar. Que homem, como pode existir um desses no mundo? Ainda está bem aqui na minha frente.
— Venha comigo, onde nascem os sonhos, e o tempo nunca é planejado... — citou a fala do Peter Pan, droga, esse homem vai me deixar maluca.
Por mais que eu esteja um pouco irritada com ele, não consigo ficar encantada e excitada por esse homem.
— Eu enlouqueci? — lembrei-me da frase do Chapeleiro Maluco e acabei falando em alto.
O bonitão toca sua mão no meu rosto, com delicadeza e não desvia o seu olhar do meu.
— Temo que sim. Você é completamente maluca. Mas eu vou lhe contar um segredo... — ele continua o meu pensamento falando a frase de Alice.
—... As melhores pessoas são. — falamos juntos completando sua frase.
Eu comecei a rir baixinho, mas meu riso foi calado com seus lábios, pude sentir um gosto de menta como da última vez. Só que desta vez nós dois queríamos aquele beijo, não foi algo roubado sem intenção. Levei minha mão no seus cabelos sedosos e macios. Com os olhos fechados pude sentir como só existe nós dois naquele bar. Um silêncio na minha mente e um som no fundo de pessoas conversando misturado com a música sertaneja que não consigo prestar muita a atenção.