FALCÃO NARRANDO
Cara, ver a tatuada ali toda naquela postura me deixou babando. A mina é mil grau e com ela não tem vez; a mulher é braba pra caramba. Fiquei puto de saber que o cobra tá querendo ela, que sentimento mó estranho. Acho que é medo dela virar X9 também, só pode. Ela deu o papo e saiu; eu também me despedi do DG e fui pra casa. Tava tarde demais pra ficar matutando essas paradas; vou deixar pra amanhã pra me estressar. Hoje vou descansar, o dia já foi cheio demais.
Chego em casa, tomo um banho e vou para cozinha comer alguma coisa. Abro a geladeira e vejo uma lasanha; coloco no microondas pra esquentar e assim que esquenta como. Subo para o quarto, deito na minha cama só de cueca e do nada vem a diaba da tatuada na cabeça. Cara, a mina é braba feito o cão. Acho que se o d***o ver ela vai sentar e pedir ajuda ainda; a mulher vira o bicho quando tá nervosa. Fico nesses pensamentos até pegar no sono.
Acordo no outro dia com o radinho tocando; p***a, nem cinco da manhã e esses arrombados já me atazanando.
Falcão: "Visão nessa p***a, o que tá pegando pra tá acionando essa hora?" - pergunto bolado.
Menor: "Patrão, a tatuada tá toda arrebentada aqui no hospital. Ela saiu da boca e veio pro topo do morro comer, mas pegaram ela e quase mataram. A mina tá muito machucada." - ele fala, e eu já dou um pulo da cama. "Mais que c*****o, mano!"
Falcão: "Beleza, já vou brotar no hospital. Puxa nas câmeras quem foi que fez isso."
Menor: "Beleza, chefe."
Mais é um c*****o mesmo, parece que eles querem por o terror na favela. Ninguém mexe com os meus, vão pagar pelas consequências nessa p***a.
Tomo um banho pra despertar e já vou pro postinho. Chego lá e o DG já tá lá surtando.
Falcão: "Fala, mano, como ela tá?" - pergunto fazendo o toque com ele.
DG: "c*****o, mano, levaram ela pra dentro já tem quase uma hora e ninguém fala p***a nenhuma. Tô surtando já." - fala passando a mão na cabeça, tentando se controlar. "Essa mina é f**a aqui na favela; ela é respeitada e tem nosso carinho. Não dá pra ver essa situação e não sentir nada; a tatuada age pelo certo."
Falcão: "Quem achou ela?" - pergunto logo.
DG: "Eu mesmo. Sempre de madrugada vou pro topo fumar, tu sabe, irmão. Cheguei lá; ela tava caída no chão, custando a respirar. Por um momento, achei que ela tava morta. Acionei os vapor depois de trazer ela pro posto e até agora tô sem notícias nessa porra." - fala já alterado. Ficamos ali por um tempo, e quando olho no relógio, p***a, já se passaram três horas e nada de notícias. Quando ia levantar pra poder perguntar o que tá acontecendo, entra uma enfermeira na sala.
Enfermeira: "Parentes da Melissa?" - ela pergunta, eu e o DG já fala que somos nós. Eu nem sabia o nome da mina, cara. Ela nos olha e começa a falar:
- Bom, ela precisou passar por uma cirurgia de emergência, pois quebrou duas costelas e um braço. Ela também levou muitas pancadas na cabeça. Quase perdemos ela no meio da cirurgia, mas conseguimos reanimar. Infelizmente, tivemos que entubá-la. O estado dela é crítico; nas próximas quarenta e oito horas, se ela não reagir, infelizmente não podemos fazer nada por ela." - ela fala isso nos jogando um balde de água fria.
"Mano, eu vou matar quem fez isso com ela. p***a, a mina é marrenta é o d***o a quatro, mas ninguém mexe com ela." Olho pro DG, e seu olhar é de ódio e desespero. Sei como ele gosta dela; tem a mina como irmã. É f**a, viu, irmão? A tatuada não pode morrer.