Ele chegou para buscá-la com uma estrutura que deixava claro, excesso de cuidado ainda era pouco para te-la ao seu lado.
Além do motorista, havia mais quatro carros. Homens fortemente armados. Comunicação ativa. Olhares atentos. Luca não confiava
no mundo e muito menos quando ela estava envolvida.
Beatrice entrou no carro sem dizer nada.
Vestia algo simples, um macaquinho florido, r**o de cavalo alto, sem maquiagem. Natural. Leve. E, ainda assim, impossível de ignorar.
Ela chamava atenção com qualquer roupa. Com qualquer expressão. Com qualquer silêncio.
O ciúme dele estava contido.
Por enquanto.
Mas a tensão não estava.
Ela não olhou para ele. Nem uma vez. Não conseguia aceitar o adiantamento tão precoce
— Sua mãe já começou os preparativos do casamento — ele disse, controlado. — Então podemos aproveitar para visitar a casa hoje.
Silêncio.
Ela permaneceu olhando pela janela.
— É um pouco distante — continuou. — Mas prometi que a traria de volta hoje, será um dia mais tranquilo. Se quiser descansar durante o caminho…
Nada.
Ela sabia que, se abrisse a boca, transformaria qualquer frase em uma guerra. E ele também sabia.
A viagem durou três horas.
Três horas de silêncio denso.
De pensamentos não ditos.
De ressentimentos acumulados.
Quando chegaram, a entrada era discreta demais para a grandiosidade que escondia.
Muros altos. Cercados pelo verde das folhagens.
Câmeras posicionadas em todos os ângulos.
Dois metros de portão de aço maciço
Impenetrável.
Ainda dentro do carro, ela viu o jardim.
Lindo.
Extenso.
Cuidadosamente desenhado.
A casa parecia abraçada por ele.
Luca ordenou que os soldados permanecessem do lado de fora. Eles obedeceram sem hesitar.
Na porta principal, uma mulher os aguardava.
— Boa tarde, senhor Luca.
— Boa tarde, Rose. — Ele assentiu. — Esta é Beatrice. Vim mostrar a casa para ela.
A governanta sorriu com gentileza.
— Boa tarde, dona Beatrice. Estávamos esperando por você.
Beatrice devolveu o sorriso, ainda que contido.
— Não precisa me chamar de dona. A senhora é mais velha que eu.
Luca interrompeu, firme:
— Pode deixar que eu mostro tudo, Rose. Tire o restante do dia.
Ela assentiu e se retirou para a ala dos funcionários.
Ao entrar, Beatrice percebeu o tamanho real do lugar.
A casa dos pais não era pequena. Cada filho tinha seu quarto. Havia conforto.
Mas aquilo era outro nível.
O hall principal era amplo, organizado de forma quase obsessiva. Um espaço específico para deixar os calçados da rua.
— Pode deixar seus sapatos aqui.
Ela fingiu não ouvir.
Ele segurou o braço dela, sem força excessiva, mas firme o suficiente.
— Pode deixar aqui.
— Me solta.
Ela puxou o braço e tirou o tênis com irritação, colocando-o na sapateira. Havia chinelos organizados ao lado.
Ela percebeu que aquilo realmente o incomodava, e pensou na inúmeras possibilidades de faze-lo se arrepender de ter antecipado esse casamento.
Ele mostrou cada ambiente.
Sala de estar.
Sala de TV que parecia um cinema particular.
Sala de jantar.
Cozinha ampla. Literalmente dos sonhos
Lavabo.
Escritório, Todos esse cômodos ficavam no térreo.
Tudo impecável.
Tudo organizado demais. Limpo demais.
Subiram.
Quatro quartos, todos com banheiro próprio
O último do corredor era o maior.
— Aqui é o nosso quarto.
Ela entrou sem comentar.
Mas observou.
A janela enorme permitia a entrada de luz natural algo que ela amava.
A cama era grande demais, 4 pessoas dormiria confortavelmente ali.
Duas escrivaninhas.
Um espelho alto de frente para a cama.
O detalhe não passou despercebido.
Havia duas portas adicionais.
Uma levava ao banheiro.
Banheira grande, ela nunca tinha visto um de perto, e não imaginava que era tão grande.
Dois chuveiros.
Duas pias.
Espaço compartilhado.
Vida compartilhada.
Sem consulta.
A outra porta levava ao closet.
As roupas dele estavam organizadas por tonalidade
Preto.
Cinza.
Azul escuro.
Nenhuma cor vibrante.
Ela sentiu um contraste imediato. Ela amava cores vibrantes, roupas floridas e que dessem vida, ele por outro lado, quanto mais escuro, melhor.
— Esse espaço é para você. — Ele apontou para o lado vazio do closet. — É mais do que suficiente. Se precisar de mais espaço, podemos ampliar.
Ela passou os dedos pelas prateleiras, observando o cuidado em cada detalhe.
Até perceber.
Uma porta menor.
Trancada.
— O que tem aqui?
— Nada.
— Então por que está trancada?
— Você vai saber na hora certa.
Ela soltou um riso debochado.
— Aposto que é onde você me coloca quando eu te desobedecer.
Ele não respondeu.
— Aliás… o que não tem aqui para me punir? Já estou longe de tudo mesmo. Falta só me trancar.
Ele respirou fundo.
— Se quiser mudar algo na casa, pode. Tem liberdade para isso.
Ela virou o rosto lentamente.
— Liberdade? Eu? Essa é nova.
O silêncio entre eles ficou pesado.
— Vamos descer. Quero mostrar o jardim.
— Não.
Ela sentou na cama, em desafio.
— Não estou afim de ver mais nada. — continuou.
— Beatrice…
— Você acha que manda em tudo. Em todos.
— Facilita as coisas.
— Não.
Ela o encarou diretamente.
— Você pode ter me obrigado a casar com você. Mas eu vou fazer você se arrepender cada minuto.
Algo nele cedeu.
O controle, que vinha sendo sustentado por esforço, se rompeu.
Ele avançou, sem delicadeza
Pressionou o peso do seu corpo sobre o dela.
Ele sabia que poderia domína-la facilmente com ela deitada embaixo dele.
— Pare de me testar, princesa — murmurou no ouvido dela. — Você não vai gostar do que vai descobrir.
— Descobrir o quê? Que você obriga meninas indefesas a casar com você?
Os olhos dele escureceram.
— Vai descobrir por que eu quero casar logo.
A mão dele segurou o peito dela com firmeza, não a machucou, mas mostrou de quem ela era, e ele, a feria dele o mais breve possível. O desejo dele por ela estava mais do que estampado no seu rosto.
— Me solta.
— Me testa agora, Beatrice.
Ela não demonstrou medo. Apesar de estar com medo, sabia que se demonstrasse, seria seu fim, ele usaria o medo para ter tudo o que quisesse dela.
Se mostrasse, ele venceria.
E ela jamais permitiria isso.
— Eu disse me solta.
O t**a veio rápido.
O som ecoou no quarto.
Por um segundo, o tempo parou.
Os olhos dele mudaram.
Como se tivesse acordado.
Ele a soltou imediatamente.
Passou a mão no rosto, respirando fundo.
Ela ficou ali parada com a mão no ar, esperando receber de volta o t**a. Homens como ele não deixariam algo assim passar.
Mas ele simplesmente a soltou.
— Vamos. Ainda temos o resto da casa.
Desceram em silêncio.
Ele mostrou a piscina.
Uma pequena horta nos fundos.
— Eu cuido dela — disse, quase automático.
Mas não havia clima para paixões silenciosas.
Voltaram ao carro.
Silêncio.
— Vamos parar para comer.
— Não estou com fome.
— Eu não perguntei.
Ela não respondeu.
Dessa vez, não o provocou.
Sentiu que a linha havia sido cruzada.
No restaurante, sentaram-se frente a frente.
Ele pediu pelos dois.
Depois, finalmente:
— Por que fez aquilo?
— Porque você não me ouviu. E não pode me tocar ainda. Eu não sou sua esposa.
Ele passou a mão pelo cabelo.
— Eu me descontrolei. Ficar perto de você faz isso comigo.
Ela o encarou.
— Ótimo. Daqui um mês você terá o que quer. Já que me obrigou a casar.
Ele ficou rígido.
— Eu não quero você na minha cama por obrigação. Quero que você queira.
Ela respondeu sem ironia.
— Eu não quero nem me casar. Imagina me deitar com você.
Aquilo atingiu mais uma vez
Mais forte do que qualquer t**a. Não conseguia entender o porque ela o repudiava tanto assim.
Ele queria dizer que ela tinha roubado algo que ele nunca entregava.
Que morar perto da casa dela estava o consumindo.
Que ver e não tocar era tortura.
Mas não disse.
Porque ele não sabia falar assim.
E porque admitir seria fraqueza.
Então ficou em silêncio.
O silêncio entre eles não era provocação.
Era distância.
Real.