NARRADOR
FENIT
“( Vossa Majestade Alexander Fenit. Aviso-o que sua filha está na posse do reino de Dragomir. A veracidade de minha fala será provada em três dias e perante um mago do dia de vossa confiança no feitiço de sangue. Caso comprove-se que ela é sua filha bastarda, se oficializá-la peço que me conceda permissão para desposá-la. Assim nossas nações cessarão as hostilidades uma contra outra
Atenciosamente,
Príncipe Iker)
Aquela maldita carta de Dragomir era uma afronta. Deixou Kiera também furiosa. Foi engraçado que tais palavras simplórias sobre um casamento entre a filha bastarda que Alexander nem sabia que existia e o príncipe de Dragomir conseguissem arrancar uma reação da apática mulher que ateou fogo na carta e fechou-se em seus aposentos. Afinal como ele teria uma filha e não saberia dela? Mas mesmo assim uma dúvida bateu em Alexander. E mesmo contrariado, ele aceitou o pedido do feitiço de sangue. E se eles tivessem mentindo, a impostora iria pagar com a vida. Kiera parecia furiosa. E se já o rejeitava antes, agora ainda mais e não compareceu à cerimônia.
Quando a jovem menina apareceu ao lado do príncipe de Dragomir, Alexander sentiu o coração bater rápido e soube que não precisava atestar nada e ela era realeza pelos olhos escuros de sua linhagem. E Kalahan que estava ao seu lado também. Era inegável que ela era alguém escolhida pela Fênix ou ao menos tocada por seu sangue divino. Os olhos escuros dela tinham o mesmo poder dos de Adam e o consideravam culpado ao que parecia. Apesar de ela se portar como uma serva do príncipe.
Alexander caminhou até ela no jardim e a tocou no rosto. Ela apenas respirou profundamente apesar dos olhos dela o assassinarem. Ela estava vestida como uma draconiana. Os olhos de Alexander se demoraram nas curvas quase púberes do corpo dela. Ele desviou o olhar constrangido.
E então chegou o mago do dia com o punhal finalmente.
O mago chamado Morgan, estendeu-os a adaga enfeitiçada. Primeiro Alexander cortou-se e então Demetria o fez. O sangue de ambos juntos na adaga se ela nada fosse não brilharia. E para a surpresa do rei, a adaga brilhou. Ela tinha sangue real e ao que parecia era mesmo filha dele. Era impossível que fosse sua sobrinha. Só dez anos tinham se passado. E Luther jamais trairia Kiera e era jovem demais para ter uma filha da idade dela.
— Sua mãe, quem era? Onde está? — Alexander começou o interrogatório.
Demetria apenas segurou um riso e começou a mentira:
— Ela morreu, majestade. Depois que me teve. Fui criada por uma camponesa e suas filhas e ia me tornar uma sacerdotisa da Fênix, mas me apaixonei e me casei com um guerreiro. Ele já faleceu.
Alexander a ouviu atentamente mesmo desconfiado.
Demetria deu mais poder a história:
— Majestade, há um bordel, no Porto da Fênix, A casa dos prazeres. É assim que denominam. Minha mãe era só uma prostituta lá. Sendo sua filha bastarda, sei que não posso exigir que me oficialize, mas...
Alexander tomou um profundo suspiro lembrando-se de suas aventuras juvenis.
— Será oficializada. — Alexander decidiu. — É minha filha e será oficializada e se quiser também te colocarei na linha de sucessão do trono já que não tenho herdeiros.
“ Simples assim? Matou meu pai por esse maldito trono para o entregar para a filha dele? Se bem que você não sabe quem eu sou ” Pensou Demetria querendo rir. Ela apenas soltou um suspiro. Analisou Kalahan.
— Eu gostaria de ficar com o príncipe Iker em Dragomir. Mas não tenho ninguém que fale minha língua lá. O moço ao seu lado como é o nome dele, pai? — Demetria se forçou a soar adorável.
Alexander impactado por ser chamado de “ pai” apenas analisou Kalahan.
— Kalahan. — Respondeu Alexander a fitando. — Gostou dele?
Demetria assentiu com a cabeça.
— Pode me dar ele de presente de casamento? — Perguntou Demetria ansiosa.
— O que quiser. —Alexander a respondeu e beijou a testa dela.
Demetria não esperava o afeto dele, nem a reação doce e aquela alegria. Sentiu a mão de Alexander em seu rosto e viu os olhos escuros dele cheios de lágrimas enquanto a olhava.
— Queria ter te visto antes. Deve ter sido uma criança linda. É uma pena que só tenha me procurado agora. Eu teria te feito uma princesa antes e te dado tudo do bom e do melhor. — Alexander divagou parecendo contente com a notícia de ser pai. — Esse trono finalmente faria sentido se eu tivesse você antes.
Demetria limpou a garganta, desconfortável, e ela soltou um suspiro e inventou uma desculpa:
— Fiquei com medo de que não me quisesse já que se casou. Esperei que tivesse herdeiros. Tive medo de que se eu aparecesse me matasse por eu ser uma mancha a sua honra.
Alexander apenas a abraçou.
— Nunca diga isso de si mesma. Não tem culpa se sua mãe não era minha esposa. Seu nascimento não é erro algum. Será oficializada como minha filha e como minha primeira e mais velha terá direito ao trono mesmo que Kiera futuramente conceba.
Demetria apenas ficou parada impactada por essa fala de seu tio que odiava. Ele tinha o sangue de seu pai nas mãos. O pai que nunca de fato conheceu. Mesmo assim. Estava tudo tão assustadoramente incerto agora. Se passou por filha dele só para se casar com Iker e impedir que Alexander tomasse Dragomir mesmo que isso fosse acontecer só oito anos no futuro.
— A rainha Kiera me odeia? Foi por isso que não compareceu à cerimônia? — Perguntou Demetria querendo ver a mãe e curiosa.
— Ela não odeia você, querida. — Alexander suspirou e tocou no rosto de Demetria. Demetria permitiu o toque porque se o desprezasse sua atuação iria por algo abaixo.
Alexander apenas tomou um profundo suspiro e disse:
— Ela odeia a mim pelo que eu fiz. — Alexander explicou atordoado. — Eu era o bastardo do meu pai e para conseguir o trono matei meu irmão que era filho da esposa oficial e o príncipe herdeiro, mesmo eu sendo o filho mais velho. Porque só assim eu conseguiria esse maldito trono. Mas não com você. Não quero que você e seus irmãos briguem pelo trono. Mesmo que Kiera seja minha esposa, mesmo que eu a ame e ela conceba... o trono será seu por ser minha primogênita como deve ser... Qual o seu nome? — Alexander a perguntou.
Demetria estava sem fala. Não conhecia ao certo essa parte da história entre seu pai e Alexander.
— Meu nome é Sarah, majestade. — Demetria respondeu impactada. E realmente quis abdicar do seu antigo nome agora.
— Todos deem as boas-vindas e saúdem a princesa Sarah de Fenit! A herdeira do meu trono. — Alexander o declarou em alto e bom tom. — Kalahan, faça os sinos badalarem duas vezes para saberem que é uma herdeira que eu tenho.