Ódio como estimulante

1409 Words
Caminhou pelo castelo dele, escadarias extensas, janelas com vitrais que faziam a luz da lua passar colorida. Era gigantesco. Era responsável de limpar pela ala leste onde havia muitos livros e era onde ficava o aposento dele, servia a ceia, o ajudava a banhar-se junto a outras servas e o vestia. Mas era apenas Miriam quem penteava o cabelo longo e azul dele. Depois do episódio da atuação, frequentemente ele dava alguma indicação de que queria que ela saísse de sua obrigação como serva e fosse Hela. Mas Demi estava preocupada com os seus. Saia a noite para avaliar o terreno sentindo a brisa gélida da floresta no rosto, vendo as árvores infinitas e apenas uma estrada que levava a uma feira onde se vendia os objetos mais estranhos. Será que lá teria um espelho? Mas antes que pensasse em fugir a dor começava em seu pescoço, seus pulsos e seus tornozelos. Maldito fosse que não a deixava nem sonhar. E as correntes começavam a queimar. Então voltava para dentro com a esperança de fuga outra vez desfeita. O castelo tinha piso de madeira bem polido. Ela também fazia parte da criadagem que o polia. Fazia de tudo um pouco. Mas sua parte preferida talvez fosse a biblioteca, havia muitos pergaminhos que ela ignorava, mas alguns livros da Terra na língua que ela falava que inglês. Os lia escondido sentada na poltrona em frente a lareira apagada já que o dono não estava ali. E a saudade daqueles que amava lhe apertava o coração . E as lágrimas escorriam. Então quebrando sua melancolia ele chegou. Usava uma armadura prateada e estava cheia de sangue, não de sangue, daquele líquido preto que se assemelhava a diesel de quando viu Hela com sua foice cortar demônios. Sangue de demônio. Isso. Então ele a viu na biblioteca e arqueou a sobrancelha. Mas nada disse de repreensor. Então a chamou com um movimento da mão como se ela fosse um cachorro. Demi o odiou novamente. — Devo ir como Hela ou como serva? — Hela. — Respondeu ele. Demi suspirou fechando a peça de Macbeth e jogando na mesinha de centro de vidro com abajur ligado. Levantou-se da poltrona dignamente com o queixo erguido, tirou o pano que usava no cabelo, aprumou o vestido cinza sem graça de lã como se fosse da mais fina seda e tomou o porte de uma rainha o fazendo uma reverência como se ele fosse seu marido que acabou de chegar da guerra. Aldahain estancou com o movimento gracioso dela de esposa preocupada. De rainha esperando o marido que foi guerrear para defender o reino de ambos. Hela não agiria assim. Ele quis dizer. Mas resolveu relevar ainda fascinado e estático sentindo uma sinergia estranha. — Vejo que saiu vitorioso em seu conflito, caro irmão. Parabéns. — Ela iniciou a fala. Ele riu sutilmente. Aldahain se impressionava com o quanto a ressonância da voz dela se parecia com a voz de Hela quando ela se obrigava ao papel. — Se surgirmos como consequências do pecado, não somos verdadeiramente irmãos Hela, não partilhamos o mesmo sangue ou ofício. Você é minha rainha. No combate só conseguia pensar em voltar para você. Me ajude a limpar-me. — Faça isso sozinho ou peça para suas servas te ajudarem. Eu tenho mais o que fazer. — Falou impetuosa. Ele apenas a mirou sério. — Agora falo com minha serva, não com Hela. Me ajude a limpar-me do sangue, pequena criança imprudente. Demi suspirou. Assentiu com a cabeça. Então eles saíram da biblioteca, passaram pelo jardim de inverno a céu aberto e foram até a porta do aposento dele com ela sempre cinco passos atrás dele e sua imponente figura que abriu a porta do aposento. Demi o seguiu para dentro. O leito dele era sustentado por correntes no teto e balançava como uma rede que ninava uma criança, com lençóis da mais fina seda azul. Havia um quadro de Hela, um guarda-roupa gigantesco de mogno e a televisão e alguns livros. Uma mistura de antigo e moderno. — Devo solicitar outras servas, mestre? Aldahain suspirou e negou com a cabeça. Então ela começou a desatar a armadura dele habilmente, fazendo cair partes dela no chão, como as ombreiras de metal e peitoral desatando os nós. O azulado a estudou enquanto ela o fazia parecendo estar apressada para terminar logo e deixa-lo. E então a puxou pelo rosto e selou os lábios nos dela. — Hela. — Ele murmurou por crueldade.E ao dizer isso, ele colou seus corpos e a puxou pelo cabelo beijando-a faminto. Demi se viu obrigada a correspondê-lo mesmo em pânico por estarem a sós no mesmo quarto. Ele deixou os dentes passarem no pescoço dela e a mordeu não pelo sangue mas só soltou ao deixar a marca avermelhada na pele alva dela. Ouviu um leve gemido. Ele não repetiu o nome Hella. O ouviu suspirando em seu ouvido. — Demetria. — Soltou como se estudasse o som das sílabas que formavam o nome dela. A boca dele encontrou a dela com mais gosto. Demi estava em choque por ouvir seu nome saindo dos lábios dele com a mesma prece que tinha a Hela e comovida o correspondeu. E quando o fez como Demetria, o seu vestido foi rasgado na parte de cima e sentiu os lábios dele em sua pele e seus s***s. Gemeu alto. Agarrou-se a ele esquecendo-se de tudo. E os olhos escuros encontraram os rubros com luxuria. — Hela. — Ele disse c***l. Ela o estapeou num impulso, furiosa. A mão pequena no rosto dele e os olhos rubros dele encontraram os dela com diversão que ela não viu por estar envergonhada e cabisbaixa. E Demi cobriu os s***s. Mantendo a cabeça erguida. Aldahain a afastou. — Não quero você. Se não me for útil esqueça nosso pacto e... — Desculpe. Foi só um impulso. Eu não sei o que deu em mim. — Demi pediu se odiando e sem entender porque o estapeou se concordou em ser Hela na atuação. Não entrava em sua cabeça o motivo. Ele se manteve de costas para ela ofegando. — Eu quero dormir com você. — Informou ele impetuoso e tentando manter a voz calma. A garota arregalou os olhos. — Quer dizer, com Hela. Mas se acha mais fácil comigo chamando seu nome mas com ela em minha cabeça que seja. Prefere isso... Prefere que eu chame seu nome? Feriria menos seu orgulho como mulher? Demi mordeu o lábio e assentiu com a cabeça. Lembrando-se que ele estava de costas disse em alto e bom tom: — Sim. Chame meu nome. Seus pensamentos eu não posso ler de qualquer forma. Foi até ela novamente, livrou-se da camisa de algodão que usava por baixo da cota de ferro deixando o peitoral exposto e foi até ela deixando ela tocá-lo. Guiou a boca dela por sua pele com a mão atrás da cabeça dela. E soltou um leve som de deleite sentindo a boca passando por seus músculos poderosos e a língua apreciando-o. A pegou no colo para diminuir as diferenças de altura e a colocou no seu leito, subindo a saia do vestido e abrindo as pernas dela, vendo o segredo dela exposto e umidade em seus pelos úmidos. — Demetria. Ela tremeu inteira com o chamado. Diferente de com qualquer outro que teve como amante o ódio que sentia por ele era também um forte afrodisíaco e não precisa de mais adulações. Tocou o rosto dele, o o beijou e sentiu os dedos dele a explorando. Gemeu alto e descontrolada, furiosa, selvagem e odiosa. Puxou ele pelo cabelo azul e mordeu o lábio dele com força. — Peça por mim. Diga que quer dentro de você. Diga, mestre me possua. Ele não achou que ela o faria realmente. Ela parecia ser orgulhosa. Mas ele não a conhecia de verdade apenas o que viu dela para defender seu povo. Demi nunca foi petulante, orgulhosa ou escondeu seus verdadeiros sentimentos. — Mestre me possua. Ele perdeu o rumo com essa fala doce, honesta, necessitada e submissa dela. Então o fez violentamente e os dois tremeram juntos. Usou o corpo dela e sentiu o gosto da alma bonita nos beijos. E quando cessaram o ato foi ela que se levantou primeiro e nua apontou para a camisa dele no chão como se a pedisse emprestada. Ele assentiu calado e pensativo. Demi apenas a vestiu e saiu do aposento friamente.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD