O acordo

1544 Words
Aldahain observou Demetria servir seu café da manhã colocando os recipientes da bandeja sobre a mesa de madeira do quarto. Ela não comentou nada sobre o que fizeram, parecia séria, angustiada e compenetrada como sempre. Ele analisou as mãos macias que o tocaram com tanta raiva e deixaram marcas de arranhões antes que a pele dele se curasse. Analisou as marcas que deixou no corpo dela sentindo-se inquieto e a cama bagunçada ainda estava como a prova do que fizeram. A imagem nítida de como a possuiu várias vezes em sua mente e como rasgou o vestido de serviçal dela em farrapos para tê-la. Ele pensou em exigir sua camisa dela, apenas para ter algo que ela usou contra sua pele. — Deseja algo mais, mestre? — A mesma voz fria, o mesmo ressentimento apesar de agora haver também um resquício de algo que ele não reconhecia bem. Talvez fragilidade, talvez culpa. — Tome café comigo. — Ele falou e se amaldiçoou mentalmente. —Ah, devo ser Hela agora? — Foi só o que ela quis saber um tanto arisca. Os olhos escuros encontrando os dele com o mais puro ódio e selvagens. — Sim, Hela. — Ele falou vagamente. — Agora sente-se e coma comigo. Ela suspirou longamente, puxou a cadeira vaga e sentou-se com ele à mesa de refeições do aposento. Manteve-se quieta enquanto ele comia, ele a estendeu um prato de bolo de chocolate e um garfo, ela não tocou na comida. E quando o olhou notou que os olhos dele estavam nela. Demi desviou o olhar e olhou para qualquer coisa do quarto menos para ele com as bochechas coradas. Então sentiu a mão em seu cabelo, ele inclinou-se um pouco na mesa e beijou o pescoço dela e o lambeu na sombra espiritual da gargantilha vulgo corrente. Demi gemeu contra sua vontade. O estudou, e vendo a mesmo desejo da noite que passaram juntos o puxou pelo cabelo azul aprofundando o beijo. E os dois tremeram juntos. Ela saiu do seu lugar, ergueu o vestido e foi pro colo dele sem pensar duas vezes com uma perna em cada lado da cintura dele e esfregando-se nele. Sentindo-o duro contra si. — Mestre. Me tome na mesa. — Chamou e sua boca encontrou a dele violentamente. Num surto Aldahain derrubou tudo na mesa e a sentou nela beijando o corpo pequeno e frágil da moça. Sentiu as unhas dela rasgando sua camisa, entrando e se fincando em sua carne nas costas sem carinho de dois amantes cúmplices e apenas raiva do desejo descomunal que um despertava no outro. E em meio aos cacos no chão, segurando as coxas dela com a saia erguida entrou de novo dentro dela sem pensar muito e gemendo e gemendo perdido em luxúria. Demi estremeceu gritando alto e ele continuou até encontrar alívio. Ela mordeu o lábio dele, o ombro violentamente e quando terminaram o ato o empurrou de si como se enojada. Ele tentava recuperar o foco ainda sem acreditar no que tinham feito. Ela acabou ajeitando-se novamente na frente dele, abaixando o vestido e arrumando o cabelo e apenas o ignorando quando saltou da mesa tomando cuidado para que as sapatilhas pequeninas não tocassem nos cacos de vidro nos movimentos quase de uma graciosa bailarina. Os dois ofegavam e evitavam se olhar e se explicar qualquer coisa. — Eu vou a feira da cidade essa noite conversar com Azazel. Haverá um festival dos mortos japonês. Você quer vir comigo? É realmente um lindo espetáculo. Fazem oferendas. Vai ter muita comida e bebidas. Se você gosta dessas coisas. Viveu naquele mundo até seus dezoito anos pelo que sei, conhece algo sobre o Japão? Ela negou ainda sem se permitir encará-lo com vergonha extrema. E se virou para ele e o beijou no rosto. — Morte mandou um recado para você essa manhã. — Ela disse isso o estudando. Os olhos rubros dele se encontraram com os dela. Ela continuou. — Disse que viria te ver essa noite. Agora você pode conversar com sua real amada. Não precisa mais da minha atuação barata. Convide-a para ir ao festival com você. E me liberte. — Nunca vou libertar você, por mais que Hela volte a ser minha. — Ele disse isso, Demetria sentiu um misto de raiva e inquietação. — Ela vem mesmo? — Ele repetiu tentando focar-se em ignorar Demetria e o cheiro dela. Demi assentiu e contou como aconteceu: — O mensageiro dos mortos o disse mais cedo para Mafalda. Sua confiável governanta infernal diria a você depois do café, mas me antecipei na notícia. Agora pode me deixar em paz e me deixar ser só mais uma serva sua. — Ela mordeu o lábio inferior e riu. — Vai ter sua amada original essa noite. Diga a Hela que Demetria mandou lembranças. Ela vai saber quem eu sou, isso te garanto. Talvez até intervenha por mim e diga que me quer. Eu prefiro Morte a você. Ele apenas foi até ela, rindo. Lendo algo na expressão dela que ela jamais diria em voz alta, beijou o rosto dela muitas vezes. E então os olhos marejados dela se encontraram com os dele. — Não chore. Se vista para o festival, Demetria. Haverá um quimono na sua cama essa noite. — Ordenou ele e tocou o rosto dela. Beijou os lábios dela trêmulo e ela o correspondeu. E ele suspirou e tocou o cabelo dela e a puxou para um abraço. — Eu quero minha vida de volta. Os que eu amo. — Ela pediu contra o peito dele. — Por favor. Por favor. Por favor, mestre. — Não. — Ele negou tentando conter a amargura em sua alma em sentir o desespero dela pelas correntes que os ligava. — Eu os pouparei no futuro e no fim que virá, aqueles que você ama. Mas nada além disso. — Por que? Por que me quer aqui? — Ela o soltou e gritou. — Eu não sou Hela. E ela virá. Eu fui imprudente em te enfrentar sozinha, desculpa, não vou mais tentar te enfrentar até que você oficialize sua inimizade para com Tretagon. Achei que eu podia tudo por já ter derrotado Serper, mas eu te subestimei, eu só queria proteger o meu mundo que consegui a muito custo. Por favor me deixe ir... me deixe ficar com os que realmente amo até que nós dois nos enfrentemos de novo na luta. Isso é o pedido de uma inimiga que te respeita. Por favor. — Não. E pare. Está começando a me irritar. E hoje é um bom dia para mim. — Aldahain tomou um longo suspiro. — Quer voltar para o seu deus da carnificina, para sua garotinha amada e para o seu príncipe draconiano... Qual dos três vai escolher no fim? Não pode ficar com os três... Já tem um em mente... ah sim, o deus da carnificina, é ele a razão de todo o seu afeto. É ele que você desejou desde o primeiro instante. A mistura de trevas e luz nele te intrigava. E a alma bonita dele mesmo em meio a sua natureza corrompida te fez amá-lo de imediato. Esqueça-o ou ele morrerá. Eu vou fazer questão de matar ele na sua frente. Foi nele que pensou quando eu entrei em você? — Por que isso importa para você? Qual o seu maldito problema? Você me odeia. Sou inimiga. E você vai ver Hela! — Demi tentou elucidá-lo. — Querido, pense no quanto queria vê-la e pense em tudo que arrancou de mim. — Aldahain estremeceu com o “ querido” — Meus aliados e meus amados ficaram sem respostas sobre meu sumiço... Quanto tempo se passou lá? — O tempo passa diferente entre os mundos. Aqui podem ter se passado meses, lá apenas dias. — Aldahain suspirou. Desviou os olhos rubros dos dela. — Vamos dar um passeio na Terra? — Ofertou-a. — Devemos viver lá por um tempo? Um ano. Eu não estou morto e você não está morta... O mundo dos fantasmas não é prudente para nós. Viva comigo esse tempo na Terra, no nono mundo para onde você despachou Serper no pacto que fizeram e então eu te libertarei para que nos enfrentemos em Tretagon. — Um ano vivendo na Terra? Mas por quê? — Ela não conseguia mesmo compreendê-lo. — Quero entender algo. E você vai ser a chave para isso. Conhece aquele mundo. — Mas você também conhece. Falou até do festival Japonês. — Demi constatou mais para si mesma. Aldahain a estudou e informou — Eu só vaguei por ele como um fantasma. Ninguém me via ou ouvia. Eu apenas gritava e gritava sem voz. Mas agora eu estou livre. E eu quero uma guia para aquele mundo. E quero conhecê-lo antes de destruí-lo. — Essa é a única forma de me libertar para eu voltar para os meus? — Questionou Demi. — Não há outro jeito? — Não há outro jeito. — Aldahain concordou. — E te darei dois anos para se preparar para lutar contra mim se aceitar. Dois anos com seus amados para dividir-se entre eles ou escolher só um, o que quiser fazer. Demi suspirou e apenas o estudou. No fim apenas aceitou resignada — Temos um acordo então.
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