Do lado de fora, Katherine ainda ouvia os gritos de Pierre sobre "respeito".
— Quando foi que você me respeitou? — pensou, sentindo o estômago revirar. Ela ignorou. Mas quando ele começou um discurso sobre "satisfação", a gargalhada dela ecoou pelo corredor, cortante e irônica.
— Você é doente, só pode — ela disparou, virando-se para ele com o queixo erguido. — Onde está escrito que lhe devo algo? Nas cláusulas nupciais que você forjou?
— Você é minha mulher, Katherine! Querendo ou não, é assim. Preciso saber para onde você vai! — A prepotência dele era quase palpável.
Katherine sorriu. A vingança é um prato que se come frio, e ela estava começando a manusear os talheres. Pierre, que nunca vira aquele brilho de autoridade nos olhos dela, paralisou. Ele tentou alcançá-la, mas Katherine foi mais ágil: entrou no carro e saiu cantando pneu, deixando para trás o eco da voz daquele traste.
O Renascimento e o Retorno
Os dias no SPA foram um bálsamo. Katherine clareou a mente e os cabelos, recebeu massagens que pareciam levar embora meses de tensão e desligou-se do mundo. Foram as melhores quarenta e oito horas de sua vida. No entanto, o relógio é implacável.
Às cinco da tarde, ela pagou a conta e iniciou o trajeto de volta. A tristeza, porém, pegou carona no banco do passageiro. Ao estacionar diante de sua casa, a fortaleza desabou. Cansada de ser forte, ela deixou as lágrimas reprimidas escaparem. Era um pranto sofrido, soluços involuntários que roubavam seu fôlego.
— Você é forte... você consegue — sussurrou para o espelho, limpando o rosto.
Ela estava prestes a entrar e esfregar no rosto de Pierre o acordo de divórcio que Lia enviara por e-mail, quando algo a paralisou. Um carro estava parado logo à frente. O ocupante não apenas estava ali; ele a vigiava.
A Chegada do Furacão
Katherine baixou o vidro, removeu os óculos escuros e coçou os olhos, incerta se o cansaço a fazia delirar. Mas ele continuava lá. Um "deus grego" em forma de homem: William Trajano.
O olhar dele era frio e hipnotizante, um azul gélido que parecia ler sua alma. Um arrepio desconhecido percorreu a espinha de Katherine. Quando ele desceu do veículo e caminhou em sua direção, ela travou. William exalava uma virilidade implacável; era belo aos olhos, mas parecia gélido ao toque. Causava paixão e medo nas mesmas proporções.
— O seu marido está? — A voz dele era um barítono profundo, atingindo Katherine como uma onda de choque.
— Eu... não sei — ela tropeçou nas próprias palavras, desestabilizada.
— Entre e veja, então — ele ordenou. Não era um pedido; era um decreto.
O tom autoritário a trouxe de volta à realidade. Quem ele pensava que era para dar ordens em sua calçada? Se ela soubesse de quem se tratava, talvez tivesse medido as palavras, mas o orgulho falou mais alto.
— Com quem você pensa que está falando? Se quer saber daquele traste, entre e confere você mesmo! — rebateu, desacatando o homem que parecia não estar acostumado a ouvir "não".
William deu um sorriso de lado — um gesto que prometia problemas. — Vamos entrar os dois, então.
Antes que ela pudesse reagir, ele abriu a porta do carro dela e, com uma força descomunal mas controlada, tirou-a do assento.
— Você é louco! — ela gritou, sentindo a mão dele como uma algema de ferro em seu braço.
— É... pode-se dizer que sim — ele respondeu, arrastando-a até o seu próprio carro e obrigando-a a sentar no banco do passageiro.
William assumiu a direção e travou as portas antes que ela pudesse escapar. O interior do veículo foi inundado pelo perfume caro e amadeirado dele, misturado a uma tensão elétrica.
— Quem você pensa que é? — Katherine perguntou, a voz trêmula entre a raiva e o fascínio.
Ele a encarou, o olhar implacável fixo no dela. — Prazer. Sou William Trajano. O seu maior prazer ou o seu pior pesadelo. Tudo depende de você.