capítulo 5

673 Words
Do lado de fora, Katherine ainda ouvia os gritos de Pierre sobre "respeito". — Quando foi que você me respeitou? — pensou, sentindo o estômago revirar. Ela ignorou. Mas quando ele começou um discurso sobre "satisfação", a gargalhada dela ecoou pelo corredor, cortante e irônica. — Você é doente, só pode — ela disparou, virando-se para ele com o queixo erguido. — Onde está escrito que lhe devo algo? Nas cláusulas nupciais que você forjou? — Você é minha mulher, Katherine! Querendo ou não, é assim. Preciso saber para onde você vai! — A prepotência dele era quase palpável. Katherine sorriu. A vingança é um prato que se come frio, e ela estava começando a manusear os talheres. Pierre, que nunca vira aquele brilho de autoridade nos olhos dela, paralisou. Ele tentou alcançá-la, mas Katherine foi mais ágil: entrou no carro e saiu cantando pneu, deixando para trás o eco da voz daquele traste. O Renascimento e o Retorno Os dias no SPA foram um bálsamo. Katherine clareou a mente e os cabelos, recebeu massagens que pareciam levar embora meses de tensão e desligou-se do mundo. Foram as melhores quarenta e oito horas de sua vida. No entanto, o relógio é implacável. Às cinco da tarde, ela pagou a conta e iniciou o trajeto de volta. A tristeza, porém, pegou carona no banco do passageiro. Ao estacionar diante de sua casa, a fortaleza desabou. Cansada de ser forte, ela deixou as lágrimas reprimidas escaparem. Era um pranto sofrido, soluços involuntários que roubavam seu fôlego. — Você é forte... você consegue — sussurrou para o espelho, limpando o rosto. Ela estava prestes a entrar e esfregar no rosto de Pierre o acordo de divórcio que Lia enviara por e-mail, quando algo a paralisou. Um carro estava parado logo à frente. O ocupante não apenas estava ali; ele a vigiava. A Chegada do Furacão  Katherine baixou o vidro, removeu os óculos escuros e coçou os olhos, incerta se o cansaço a fazia delirar. Mas ele continuava lá. Um "deus grego" em forma de homem: William Trajano. O olhar dele era frio e hipnotizante, um azul gélido que parecia ler sua alma. Um arrepio desconhecido percorreu a espinha de Katherine. Quando ele desceu do veículo e caminhou em sua direção, ela travou. William exalava uma virilidade implacável; era belo aos olhos, mas parecia gélido ao toque. Causava paixão e medo nas mesmas proporções. — O seu marido está? — A voz dele era um barítono profundo, atingindo Katherine como uma onda de choque. — Eu... não sei — ela tropeçou nas próprias palavras, desestabilizada. — Entre e veja, então — ele ordenou. Não era um pedido; era um decreto. O tom autoritário a trouxe de volta à realidade. Quem ele pensava que era para dar ordens em sua calçada? Se ela soubesse de quem se tratava, talvez tivesse medido as palavras, mas o orgulho falou mais alto. — Com quem você pensa que está falando? Se quer saber daquele traste, entre e confere você mesmo! — rebateu, desacatando o homem que parecia não estar acostumado a ouvir "não". William deu um sorriso de lado — um gesto que prometia problemas. — Vamos entrar os dois, então. Antes que ela pudesse reagir, ele abriu a porta do carro dela e, com uma força descomunal mas controlada, tirou-a do assento. — Você é louco! — ela gritou, sentindo a mão dele como uma algema de ferro em seu braço. — É... pode-se dizer que sim — ele respondeu, arrastando-a até o seu próprio carro e obrigando-a a sentar no banco do passageiro. William assumiu a direção e travou as portas antes que ela pudesse escapar. O interior do veículo foi inundado pelo perfume caro e amadeirado dele, misturado a uma tensão elétrica. — Quem você pensa que é? — Katherine perguntou, a voz trêmula entre a raiva e o fascínio. Ele a encarou, o olhar implacável fixo no dela. — Prazer. Sou William Trajano. O seu maior prazer ou o seu pior pesadelo. Tudo depende de você.
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