Capítulo 18

1913 Words
***Enrico*** Os meses na França com a Dominique foram incríveis, já até me acostumei com essa ideia de namorado, e isso me fez adiar ao máximo minha volta ao Caribe, mas na semana passada recebi um ultimato do Thomaz, não dava mais pra procrastinar, ele me mandou um cartão de embarque no meu nome. - Já estou com saudades, meu amor – Dom selou nossos lábios. - Eu também, princesa – acariciei sua cintura – tenta se planejar, eu posso te encontrar no Brasil se for o caso. - Essa semana vou ter uma reunião com o meu chefe, vou ver o que eu consigo, prometo – me abraça – eu te amo, nerd safado – sussurra em meu ouvido. - Eu também te amo, morena gostosa. Nos despedimos com um beijo, eu a observei sumir pela porta giratória ainda encostado no carro, e depois segui o caminho para o aeroporto. Eu e Dominique já estamos namorando há quase oito meses, e passamos todo esse tempo juntos na cidade luz, já estamos acostumados com a presença um do outro, encaixamos nossa rotina e tudo tem funcionado bem, então, não vai ser legal deixa-la aqui sem uma data para que a gente se encontre, porém, quando decidi pedi-la em namoro, eu já sabia de tudo isso, agora é só esperar pra ver o que vai rolar. *** Desembarquei, pedi que o motorista deixasse minhas malas no hotel e fui direto pra obra. - Até que enfim – Thomaz debocha – achei que ia viver de amor agora. - Achei que só ia te ver no casamento – Analiz ri e vem me cumprimentar. - Isso tudo é saudade? Tem Enrico pra todo mundo – cumprimento meu irmão e vou até a mesa vazia, que deveria ter sido ocupada por mim há meses atrás – a quantas anda o rolê por aqui? Muito zoneado sem mim, acredito – me sento rindo. - Tudo dentro do previsto – Thomaz se encosta na cadeira – nenhum problema que já não fosse esperado. - Ótimo – ligo meu notebook. - Vou dar andamento no checklist de hoje – Analiz beija meu irmão – vejo vocês mais tarde – e sai do contêiner se desculpando com alguém. Antes que a porta se feche, uma morena de cabelos volumosos, muitas curvas e olhos verdes entra no escritório, ela congela quando olha pra mim e diz um tímido “boa tarde”. - Boa tarde – respondo a medindo. - Ham-ham – Thomaz pigarreia me fazendo olha-lo – Enrico, essa é a Alison, responsável pela parte administrativa e de RH da obra, Alison, esse é meu irmão e sócio Enrico, o que tem trabalhado com a gente remotamente. Ela sorri ainda tímida, estendo a mão pra ela já que minha mesa é bem próxima a porta. - É um prazer te conhecer, Alison. - O prazer é meu, senhor Enrico – diz sorridente. - Só Enrico, por favor – ela tem um leve sotaque britânico, o que deixa meu nome em sua boca extremamente sexy – de onde você é Alison? - Barbados, sen... Enrico – seu sorriso se alarga. - Precisa de ajuda para alguma coisa, Alison? – Thomaz pergunta da sua mesa. - Na verdade não – ela olha pra ele – eu vim apenas checar alguns e-mails que estou esperando desde cedo – se senta na mesa ao meu lado, tira o capacete de segurança que usava e começa a mexer no computador. A tarde passou muito rápido, eu tinha bastante coisa pra fazer, mas vez ou outra meus olhos se cruzavam com os da Alison, ela havia sido contratada há poucos meses, entramos em acordo eu e Diana, já que alguns assuntos simples estavam tomando muito tempo da rotina de trabalho do Thomaz, eu só aprovei alguns currículos e depois das entrevistas de seleção feitas pela Di, eu dei o parecer final para a contratação, porém, não sabia que se tratava de uma assistente administrativa tão gostosa. - Pouco mais de vinte e quatro horas que deixou sua mulher do outro lado do oceano e você já está cobiçando outra – meu irmão diz com os braços cruzados, encostado no fundo do elevador do hotel assim que a porta se fecha. - Primeiro, não tenho mulher, ela é minha namorada, segundo, não estou cobiçando ninguém, olhar não arranca pedaço – solto o ar com força – mas você tem que concordar que essa tal de Alison é muito gostosa – Thomaz gargalha. - Você vai se controlar ou eu vou precisar ter uma conversinha com a Dominique? - Qual é Thomaz, não fo.de! Não tô fazendo nada de errado, até parece que você nunca olhou pra nenhuma outra mulher desde que está com a Analiz. - O que tem eu? – Ana pergunta assim que a porta do elevador abre no andar do quarto deles. - Nada, minha linda, só o pirralho estressadinho – eles dão um selinho – aonde vai? - Ia deixar esses documentos na portaria pro Felipe pegar quando chegasse – ela sorri e entra no elevador – já volto amor – Thomaz acena com a cabeça e a porta se fecha – e então nerd, como se sente em seu relacionamento sério? – Ela sorri fazendo minha expressão suavizar quando me lembro de Dom. - Bem cunhadinha, muito bem – abro um sorriso – já estou com saudades daquela morena – ela ri. - Limpa aí que escorreu – diz divertida apontando pro meu rosto. - O que? – pergunto quando a porta do elevador se abre. - A baba – gargalha. - Não viaja, Analiz – saio do elevador rindo – nos vemos amanhã na reunião – me despeço indo para o meu quarto. Entro na suíte e mando mensagem pra minha namorada. - Acabei de chegar no hotel, vou tomar banho e te ligo. Tomei uma ducha rápida, coloquei uma cueca, fiz um pedido para entregarem meu jantar no quarto e liguei pra Dominique por vídeo. - Oi, meu amor – ela sorri. - Oi – observo seu cabelo solto caindo pela lateral do rosto – já vai dormir? - Uhum – se encolhe um pouco na cama – não tenho companhia pra ver filme – faz bico. - Eu queria estar aí, princesa, mas sabe que tive que vir contra minha vontade – apoio as costas na cabeceira da cama. - Eu sei, amor – sorri – como foi seu dia? - Corrido – suspiro – trabalhar de longe as vezes atrapalha, por mais que eu estivesse acompanhando tudo, estar aqui é diferente, amanhã vou passar o dia no hotel, vamos ter reunião de manhã. - Já encontrou todo mundo? - Só a Liz e o Thomaz, o resto só na reunião. - A Diana tá aí? – questiona. - Você conhece a Diana? – pergunto confuso. - De nome – faz uma careta – e o suficiente pra saber que há grandes chances de já ter passado pela sua cama. - Ainda com ciúmes, Dominique? – arqueio uma sobrancelha. - Não – diz rápido e se vira na cama – é só pra saber mesmo, já que o namorado dela está no Brasil – sorri me fazendo gargalhar. - Esquece a Diana, amor, a gente nunca teve nada sério. - Você me chamou de amor – sorri. - Não pode? – pergunto. - Claro que pode, mas a única vez que fez isso, foi aquele dia na frente dos amigos do Léo – alarga o sorriso. - Posso chamar de outra coisa também. - Não – me interrompe – eu gosto de amor! – alguém bate à porta do quarto. - Acho que meu jantar chegou – me levanto da cama. - O que pediu? – pergunta enquanto balança os pés. - Só enchiladas – abro, pego o carrinho com o garçom, agradeço e fecho a porta dando atenção a Dom – não tô com muita fome. - Vou deixar você comer então – diz. - Não, fica comigo mais um pouco, amanhã só devo conseguir falar com você a noite – me sento colocando o prato a mesa no centro do quarto. - Tô com saudades, é r**m fazer as coisas sem você aqui – faz bico. - Digo o mesmo, princesa – começo a comer – quando é sua reunião pra saber pra onde vai? - Depois de amanhã – suspira – espero que consiga ir te ver. - Eu também – bebo um pouco de suco – mas a gente vai dar um jeito, amor. Conversamos até que eu terminasse de comer e estivesse pronto pra dormir. - Até amanhã, princesa, eu te amo – digo me despedindo. - Até amanhã, também te amo. Encerramos a ligação e eu me acomodei para dormir. É engraçado como as coisas parecem se repetir, há cerca de um ano atrás eu e Dominique tínhamos os mesmos hábitos, a gente se falava com frequência, dividia a rotina, e agora fazemos a mesma coisa, ainda com o oceano inteiro nos separando, mas muito sentimento envolvido. Se alguém me dissesse que eu estaria apaixonado e jurando amor a uma mulher antigamente, eu iria rir e dizer que a pessoa era pirada, mas agora tô aqui, sentindo uma p**a falta da morena gostosa que me enlouquece e ocupa minha cabeça dia e noite. *** Estava na sala de reunião conversando com Felipe quando a tal da Alison entra com uma blusa amarela que realça sua pele, uma saia preta justa até abaixo dos joelhos e sandálias de salto, o cabelo encaracolado solto emoldurando o rosto. - Desculpe o atraso precisei buscar os currículos que Analiz me pediu pela manhã – sorri e se senta à minha frente. - Imagina, Ali, ainda não começamos – Ana diz. - Qual é a dessa menina aí? – pergunto sussurrado para Felipe com a mão sobre a boca, ele disfarça e fala em meu ouvido. - Uma novinha gostosa, solteira que veio só pra trabalhar com a gente – me ajeito na cadeira a olhando, ela sorri de lado abaixando a cabeça. Puta que pariu de novinha que veio atrapalhar minha vida. A reunião durou o dia todo, encerramos e Felipe tentou de todas as maneiras me convencer a sair. - Não cara, ainda tô com fuso trocado, quero dormir, amanhã a gente sai – digo desanimado quando entramos no elevador. - c*****o essa mina te laçou mesmo moleque, o que ela fez pra te abater desse jeito? - Mais respeito com a minha namorada, seu filho da p**a – respondo – eu só cansei dessa vida – Felipe gargalha. - Quem diria, Enrico Ferraro amarrado. - Vai tomar no cu, Felipe, não me enche – falo rindo quando saio do elevador – fica esperto porque daqui a pouco vai aparecer uma pra te tirar de o****o – ele ri. - Tô correndo disso seu p*u mandado – o elevador se fecha e eu entro no quarto. O Felipe é um bom amigo, já curtimos muita noitada juntos, até me ajudou com o lance das fotos, ele que só precisa entender que eu não sou o mesmo de antes, não tô afim mais de balada, ok, posso até estar, mas me conheço o suficientemente bem pra saber que por mais que eu queira, eu não devo sair pra noite agora, eu só conheço o Enrico solteiro, o namorando pode fazer coisas que não deveria, então é melhor eu me manter em casa, longe de problemas.
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