***Enrico***
Desde quando estive na Austrália e Dominique apareceu no Brasil, as coisas realmente mudaram, eu quis provocar a Dom e entrar na cabeça dela de uma forma que a fizesse pensar em mim assim como ela estava fazendo comigo, mesmo que involuntariamente, mas acho que demorei demais para perceber, a demanda de trabalho também atrapalhou e ela se afastou, aquela foto dela com Bernar me deixou louco, e só assim eu percebi que o Thomaz tem razão, eu estou completamente apaixonado pela Dominique, ela ocupa meu pensamento vinte e quatro horas por dia, ela é a primeira e última pessoa que vem a minha mente ao dormir e ao acordar, tudo que acontece eu quero ligar pra ela e ouvir o que tem a dizer, quero saber como foi seu dia e dividir meus problemas e inseguranças.
Estamos na chamada Cidade Luz há quase uma semana, e eu posso dizer que é um recorde estar tanto tempo com uma mulher, mas posso dizer também que não é tão r**m quanto eu imaginava que era ou simplesmente, que é bom estar junto de quem nos faz bem.
Dominique tem trabalhado muito nos últimos dias, nosso último dia livre foi ainda em Londres, quando andamos por todos os pontos turísticos do Harry Potter da cidade, e isso é mais uma coisa que temos em comum, assistimos todos os filmes e lemos todos os livros, ela quase pode ser considerada uma nerd também! Aproveitei esses dias pra trabalhar, tenho conseguido fazer home office, e assim consigo ficar mais tempo com a minha morena.
- Acha que vai dar certo? – pergunto para Analiz pela milésima vez.
- Eu não sei Enrico! Já disse que não sei, não posso te dar certeza de uma coisa que não depende de mim – suspiro a olhando através da tela do celular.
- Eu tô nervoso, muito nervoso – levanto do sofá e começo a andar pelo quarto, ouço minha cunhada gargalhar do outro lado – para de rir, não tem graça!
- Claro que tem! – ela continua rindo, faço uma careta.
- Vou desligar, está quase na hora de pegar a Dom no trabalho, eu te ligo depois, tá legal?
- Tá bem, nerd desesperado, vou esperar sua chamada de vídeo – ela sorri – boa sorte e fica calmo.
Repassei todos os meus passos mais uma vez, peguei as chaves do carro e desci até a garagem do hotel. Em menos de dez minutos eu já estava em frente à casa de arquitetura antiga, sede da empresa onde Dominique tem trabalhado, a vejo sair pela porta giratória e caminhar em direção ao carro.
- Você precisa trabalhar gata assim todos os dias? – Dominique usava uma saia branca acima dos joelhos, uma meia calça preta, botas altas de cano curto preta, blusa de mangas longas e gola alta da mesma cor, e um sobretudo também preto.
- Não é pro trabalho, é para as nossas horas livres depois do trabalho – ela sela nossos lábios.
- Gosto de como você se veste, está sempre linda, princesa – a beijo, mas ela se afasta com uma das mãos em meu peito.
- Que cantada barata, Enrico – ela ri – para de falar besteira e me diga, aonde vamos hoje? – pergunta colocando o cinto de segurança.
- Primeiro a Torre Eiffel, depois, temos reserva para o jantar – respondo colocando o carro em movimento.
- Ótimo, estou ansiosa para conhecer um dos lugares mais famosos de Paris!
Seguimos o caminho conversando sobre o trabalho, e ela me disse que em poucos dias não precisaria ficar mais aqui e que estava pensando em voltar para Hobart.
Em pouco tempo já estávamos em frente a Torre.
- Aqui é lindo, Enrico – diz animada.
- É sim – digo tentando manter a calma – Dom – pego sua mão a fazendo me olhar – esse tempo que temos passado juntos tem me feito sentir coisas que nunca imaginei que seria possível, gosto de te ver acordar todos os dias, de te buscar no trabalho e ouvir como foi seu dia, no início, quando era só por telefone, eu já gostava, só não queria admitir, quando se afastou, eu fiquei louco com a possibilidade de não ter você, quando me dei conta, eu já estava com passagem comprada pra Londres sem nem saber se você abriria a porta pra mim – solto o ar com força – eu também fiz planos que incluem você, e isso não me pareceu tão impossível – tiro a caixinha do bolso e abro – aceita namorar comigo, Dominique? – pergunto com os olhos grudados nos dela.
A morena abre e fecha a boca algumas vezes e não diz nada, meu coração bate em um ritmo tão acelerado que parece que vai explodir no meu peito, nunca imaginei que pedir alguém em namoro fosse tão difícil. Ela analisa silenciosamente o anel em ouro branco.
- Quando você teve tempo de ir a Bvlgari da Champs-Élysées escolher um B.zero1 sem mim? – questiona.
Pareço não estar pensando direito porque todas as palavras somem e eu não sei nem o que responder.
- Pode voltar a respirar, Enrico, eu aceito seu pedido – ela sorri e tenho a sensação de que o elefante sentado as minhas costas se levantou e saiu de perto de nós.
A abraço pela cintura e a beijo, coloco o anel em seu dedo e em poucos minutos já ouvia Analiz gritar do outro lado da tela.
- Finalmente!!!!!!! Sabia que isso ia acontecer, vocês foram feitos um para o outro! – ela disse animada.
- Obrigado pela ajuda, cunhada.
- Você sabia de tudo e não me contou, Liz? – Dom pergunta.
- Era surpresa, amiga, não queria estragar tudo.
- Há quanto tempo você tá planejando isso, Enrico? – me questiona.
- Desde nossa última noite em Londres – beijo seu rosto.
- Vamos, só acredito vendo – escuto a voz do meu irmão.
Dom levanta a mão direita mostrando o anel, meu irmão gargalha.
- Até que enfim você assumiu alguém de verdade, Enrico, e não pense que só porque é meu irmão eu vou passar a mão na sua cabeça, se fizer merda com a Dominique, eu arranco suas bolas, nerd.
- Mais que mania sua e da Analiz de querer arrancar minhas bolas de mim, deixem elas aqui – rimos juntos e conversamos mais um pouco.
Levei Dominique para jantar no 58 Tour Eiffel.
- Não sabia que tinha restaurante aqui na Torre – Dominique diz quando o garçom traz o prato principal.
- Tem dois na verdade, mas não consegui reserva no outro com uma semana de antecedência – sorrio pra ela tomando um gole do meu vinho.
- Então está planejando me pedir em namoro há uma semana? – arqueia uma sobrancelha.
- Sim – como uma garfada enquanto ela ainda continua me encarando.
- Desde quando exatamente, Enrico Ferraro? – tomba a cabeça me analisando, suspiro antes de encará-la.
- Eu gosto quando me chama assim – bebo mais um gole sem tirar os olhos dela.
- Estou esperando – diz me fazendo rir.
- Você não sai da minha cabeça, Dominique Cesarini – me encosto na cadeira – e depois do seu showzinho de ciúmes – inclino meu tronco pra frente na mesa e falo baixo – eu tive a certeza que você me ama, só não queria admitir – pisco a fazendo rir.
- Você é um convencido, nerd – bebe um pouco e continua – mas eu te dou um desconto – analisa o Bvlgari em seu dedo – tem bom gosto.
Terminamos nosso jantar em um clima leve e de certa forma romântico, tudo bem, eu não sei ser romântico, mas eu tento, confesso que tento! Mas pra quem nunca teve nenhum relacionamento, acho que estou me saindo bem, Dom tem um sorriso bobo no rosto cada vez que olha pra mim, e isso faz meu coração acelerar, o que vai ser daqui pra frente? Sinceramente eu não sei, mas vamos lá, se eu tenho a intenção de ficar com ela, precisava dar o primeiro passo.
- Nerd, como vai ser de agora em diante? Como vamos passar mais tempo juntos? – pergunta se deitando em meu peito.
- Primeiro, você deveria me chamar de amor ao invés de nerd – falo divertido.
- Tudo bem – recomeça – amor, como vai ser de agora em diante? – sorri me olhando.
- Não tenho essa resposta, princesa, mas acredito que vamos encontrar um jeito – beijo sua testa.