ISABELA NARRANDO Saí da boca com o Rodrigo sentindo a cabeça fervendo. Não era medo. Não era só raiva. Era aquela sensação horrível de saber que eu estava atrasada. Atrasada demais. Miguel Antônio tinha morrido dentro de uma prisão onde deveria estar protegido. Um homem inocente morreu porque eu não fui rápida o bastante. E isso pesava. Entrei no carro e Rodrigo fechou a porta com força. Ele deu a volta, entrou no banco do motorista e ligou o carro sem dizer nada nos primeiros segundos. Eu também fiquei em silêncio. Só sentindo o coração bater rápido. Sentindo a culpa tentando subir pela garganta. A rua do morro ia passando pela janela enquanto eu tentava organizar as peças na cabeça. Toninho. Presídio. Execução. Tudo se conectava, mas ainda tinha coisa faltando. BELA— você sabe qu

