Nicolas respirou fundo, tentando manter o controle de suas emoções. Olhou para Camila que tinha ido a sua sala entregar uns documentos e checar se ele estava bem e disse, com um tom controlado:
"Me dê alguns minutos antes de deixá-la entrar, Camila. Preciso pôr a cabeça no lugar."
Camila assentiu, percebendo o peso daquele pedido, e saiu do escritório em silêncio. Assim que a porta se fechou, Nicolas deixou escapar um suspiro de frustração. Ele se afastou da mesa, caminhando até a janela e encarando novamente a vista de Los Angeles. No fundo, ele sabia que precisava se acalmar e pensar racionalmente antes de encarar Marisa.
“Pode ser que ela esteja grávida de mim… mas também pode ser só um truque,” pensou, tentando organizar as ideias que passavam rapidamente por sua mente. As lembranças daquela única noite que passara com Marisa invadiram sua memória. Ele recordou com precisão de cada detalhe, porque não costumava envolver-se com mulheres como ela, tampouco deixava que algo fugisse de seu controle. Desde o começo, Nicolas não tinha grande interesse em Marisa. A atração era puramente superficial, nada além de uma noite sem compromisso.
Na verdade, ele nem queria dormir com ela. Marisa insistiu, lançando olhares sedutores e tentando atraí-lo com a beleza que ela sabia ter. E ele, por alguma razão que agora lhe parecia i****a, cedeu. Admitiu para si mesmo que fora um momento de fraqueza, e de alguma maneira deixara que Marisa o persuadisse. Quando chegaram ao hotel, a noite foi rápida e sem importância, como ele esperava. Sem preliminares ou qualquer afeto envolvido. Era apenas uma atração passageira, algo que ele já tinha certeza de que não passaria de uma vez só.
Nicolas recordou com clareza que usara preservativo, como sempre fazia. Ele sabia dos riscos e não era descuidado com nada na sua vida, muito menos com esse tipo de situação. Após a relação, vestiu-se rapidamente e foi ao banheiro. Ele lembrava perfeitamente de ter descartado o preservativo no lixo do banheiro do hotel. E, como se sua mente estivesse reconstruindo tudo em detalhes, lembrou-se de que, após sair do banheiro, viu Marisa ainda deitada na cama, observando-o com um sorriso satisfeito, como se estivesse planejando algo. Ele ofereceu carona de volta para casa, mas Marisa recusou, dizendo que passaria a noite no hotel.
Isso deveria tê-lo aliviado, mas, no fundo, ele se sentiu um pouco culpado pela maneira como saíra às pressas. Então, de alguma forma, para compensar, ele pagou pela pernoite e instruiu a recepção para que o café da manhã fosse levado para ela na manhã seguinte. Não queria ser m*l-educado, mesmo tendo sido claro que o que aconteceu entre eles terminaria ali. Ele queria fechar o capítulo de forma limpa e respeitosa.
Ainda assim, aquela lembrança agora parecia muito mais amarga do que antes. A noite que ele pensou ser uma experiência trivial voltava como uma faca afiada em sua mente, trazendo a ele uma mistura de frustração e raiva. Nicolas passou as mãos pelos cabelos, tentando acalmar-se, mas a sensação de estar sendo manipulado o irritava profundamente.
Se Marisa realmente pensava que poderia enganá-lo, ela estava muito enganada. Nicolas sabia que precisava agir com cautela, mas estava decidido a enfrentar aquela situação da maneira mais prática e fria possível. Seu instinto lhe dizia que Marisa não hesitaria em fazer qualquer coisa para alcançar o que queria. Ela poderia muito bem estar jogando com ele, usando a ideia de uma possível gravidez para tentar fisgá-lo. Ele já havia visto esse tipo de comportamento em outras situações e sabia que mulheres como Marisa eram capazes de manipular fatos para benefício próprio.
"Ela não vai conseguir," murmurou para si mesmo, as palavras saindo em um tom de determinação. "Se ela acha que pode me enganar, está muito enganada."
Nicolas sentia sua raiva crescer ao considerar a ideia de que Marisa estivesse inventando tudo isso. Ele sabia que precisaria de provas concretas e que, até lá, deveria manter o controle. Ainda assim, só a possibilidade de estar sendo alvo de uma mentira o deixava furioso. Ele não admitiria que alguém o manipulasse daquela maneira.
Endireitando a postura, Nicolas encarou o reflexo na janela. Seu rosto exibia traços duros, e os olhos, escuros e intensos, refletiam sua determinação em lidar com aquilo de uma vez por todas. Ele não deixaria que Marisa escapasse ilesa caso tudo não passasse de uma farsa. O poder e os recursos que ele tinha a seu favor significavam que poderia investigar cada detalhe, descobrir qualquer mentira e acabar com qualquer plano que Marisa estivesse tramando.
Inspirando fundo, ele soltou o ar devagar, recuperando o autocontrole. Precisava manter-se calmo e agir com inteligência. Marisa não o conhecia o suficiente para saber que ele não era do tipo que seria facilmente enganado. Ele sabia que muitas mulheres viam em sua fortuna e influência uma oportunidade para tirarem proveito, mas Nicolas jamais fora ingênuo a ponto de ser manipulado por ninguém.
Ele deu uma última olhada na cidade através da janela antes de se virar e caminhar até sua mesa. Olhou para o telefone, a ligação que logo teria que enfrentar martelando em sua mente. Apertou um botão no interfone, e sua voz soou fria e firme:
"Camila, diga para Marisa entrar."
Desligou o interfone e aguardou, os olhos fixos na porta enquanto sua mente formulava as próximas ações. Sabia que a conversa exigiria calma e precisão. Marisa podia estar armando um jogo perigoso, mas ele estava mais do que preparado para desmascará-la, e estava disposto a fazer o que fosse necessário para preservar sua própria integridade.
Camila bateu na porta, quebrando o silêncio denso do escritório, e, após um breve intervalo, abriu-a para deixar Marisa entrar. Nicolas a viu adentrar o ambiente e não pôde evitar uma leve expressão de espanto ao notar a transformação em sua aparência. A atriz, conhecida por sua beleza e popularidade nas redes sociais, agora exibia uma figura desgastada. Marisa estava visivelmente grávida, com uma barriga que parecia estar em seus últimos meses de gestação, e havia algo em sua expressão que indicava cansaço, talvez até doença.
Mas, apesar disso, Nicolas não sentiu nenhum tipo de compaixão. Ele endireitou a postura, mantendo-se frio e impassível enquanto Marisa se aproximava hesitante. Para ele, aquela visita só reforçava a ideia de que ela estava disposta a fazer qualquer coisa para tentar envolvê-lo em alguma situação escandalosa. Não se deixaria levar por aparências ou qualquer demonstração emocional.
Ele a encarou com o mesmo olhar implacável de sempre e falou, em um tom direto e sem paciência:
"Olha aqui, Marisa, eu dormi com você uma única vez. Uma vez. E, só para deixar claro, usei preservativo. Se você acha que eu vou assumir um filho sem antes fazer um teste de DNA, está muito enganada."
As palavras de Nicolas foram duras, cruas. Não havia espaço para dúvidas ou hesitação. Ele deixara clara a condição necessária para que houvesse qualquer possibilidade de envolvimento com essa situação. Qualquer um que o conhecesse sabia que ele era implacável quando o assunto era controle e responsabilidade.
Marisa, no entanto, parecia alheia à dureza daquelas palavras. Ela torcia as mãos, demonstrando nervosismo, o olhar fixo em algum ponto do chão, como se evitasse o contato direto com os olhos de Nicolas. Seus dedos pálidos apertavam um ao outro com força, e, por fim, sua voz saiu embargada, trêmula, carregada de uma certeza que não parecia deixar espaço para dúvidas:
"Tenho certeza de que é seu, Nicolas. Aliás... sua filha. É uma menina."
Por um instante, a palavra "filha" penetrou o escudo emocional de Nicolas. Uma filha. A ideia lhe causou um leve abalo, mas ele não permitiu que nada disso transparecesse em seu rosto. Anos de prática lhe ensinaram a ocultar emoções como uma armadura, e ele não pretendia demonstrar qualquer vulnerabilidade diante de Marisa, muito menos agora.
Ele a observou em silêncio por alguns segundos, os olhos intensos e inexpressivos, avaliando o que ela dissera. A certeza de Marisa era perturbadora, mas ele sabia que muitas pessoas eram capazes de afirmar qualquer coisa com convicção, se acreditassem que isso as ajudaria a alcançar o que queriam.
"Como você pode ter tanta certeza?" — perguntou ele, com a voz fria, estudando cada expressão que ela fazia.
Queria ver até onde ela levaria essa história. Queria entender o quão longe ela estava disposta a ir para provar essa alegação.
Marisa recuou um passo, como se o tom de Nicolas fosse uma ameaça física. Ela desviou o olhar, claramente perturbada, mas a tensão em seu rosto aumentou, e ele notou um leve tremor em suas mãos. Parecia hesitar entre responder ou não. Depois de um longo instante, Marisa finalmente falou, a voz baixa, quase um sussurro, como se as palavras carregassem um peso que ela mesma m*l conseguia suportar:
"Eu… usei o sêmen do seu preservativo."
As palavras saíram, carregadas de uma crueza que parecia eletrizar o ar ao redor. Nicolas ficou em silêncio, a mente processando o que acabara de ouvir, e o ambiente no escritório se transformou em uma tensão palpável, uma atmosfera carregada de choque e incredulidade.