Episódio 7

970 Words
Depois de afundar a ponta da língua em mim, ele começou a me beijar tão lenta e cuidadosamente que os meus joelhos cederam. Gemi nos seus lábios entreabertos, sentindo a minha boca se encher de saliva... Arte chupou a minha língua, conectando-a com a dele. Os meus dedos molhados de repente ficaram presos na sua palma quente e calejada. Ele pegou a minha mão. Parece que nada poderia nos parar... Mas... Arte me beijou com cuidado, segurando a minha mão e disse — Se você é tão corajosa, venha me visitar. Hoje à meia-noite. Ajustando as calças na região da virilha, Arte lambeu o meu lábio inferior inchado pela última vez, batendo a porta da despensa um momento depois. Deslizando lentamente pela parede, me encontrei de cócoras, enterrando o queixo nos joelhos. Eu ainda podia sentir o gosto dele na minha boca. Beijos incrivelmente doces com um toque de amargura. Amargura, porque não vou a lugar nenhum. Por mais ridículo que possa parecer para uma garota que se encontra na minha situação, mas se ele quiser, ele sabe onde me encontrar... Sorrindo, decidi que passaria a noite da minha maioridade entregando-me a fantasias descaradas envolvendo um escuro que não era da minha espécie. — S-a-a-ra... Tentei focar nos olhos verdes brilhantes emoldurados por cílios claros. Eles olharam para mim com interesse genuíno. — Oi! O que foi? — É como se você não estivesse aqui! Artur sorriu, finalmente me libertando do seu abraço. — Você voou para longe dos meus beijos, querida? Confesse, onde você estava! Juntando as palmas das mãos, ele me empurrou em direção à porta. O provável é que eu tenha simplesmente voado, mas o meu namorado não precisa saber disso... Lola já estava nos esperando no refeitório. Uma morena brilhante com um penteado composto por pequenas tranças rosa, ela franziu as sobrancelhas na ponta do nariz, dirigindo-se a nós com um olhar irritado. — Todo mundo já almoçou. Onde vocês estavam? Murmurou Lola, dando uma mordida num sanduíche. — Lola, não seja incoveniente. Sarah e eu queríamos ficar sozinhos... Artur, brincando eloquentemente com as sobrancelhas, imediatamente revelou todas as suas cartas. — Bem, quem comeu a língua dela? Porque não estou vendo a Sarah dizer isso. — Talvez eu tenha que vir para a universidade com um banner escrito em letras vermelhas que estamos namorando? — Vocês estão realmente juntos? A minha amiga animou-se. — Achei que você tivesse colocado o Artur na zona de amigos para sempre! — Estamos juntos. — E estamos até pensando em morar juntos. Artur disse com orgulho. — Morar juntos? Isso é sério Sarah? Lola grunhiu de tanto rir. — Bem, só falamos sobre isso... Esticando os lábios como um cachimbo, Artur imediatamente entrou no jogo. Percebi que as pessoas olhavam para nós das mesas vizinhas. Felizmente, o meu telefone explodiu com um trinado salvador: uma ligação da Natalia tornou-se um motivo para sair do refeitório, citando a impossibilidade de falar devido ao rebuliço geral. — Olá, Sarah! Eu tenho notícias! — Tem? Agarrei o telefone com entusiasmo. — Você combina com eles! — Serio?! Eu deixo escapar, quase engasgando de alegria. — Oh sim! Conversei com o diretor de arte de Karimov, você foi incluído no elenco principal. Os ensaios começam em algumas semanas e o complexo será inaugurado no próximo mês. — Natalia, muito obrigada mais uma vez por falar bem de mim! Não sei o que seria de mim sem você... Sinceramente, foi o salário que se tornou o fator-chave no meu desejo de conseguir este lugar, porque a necessidade de pagar os meus estudos pairava sobre mim como uma espada de Dâmocles, e isso exigia fundos decentes. Depois de trabalhar como garçonete num café durante todo o verão, percebi com desespero que esses centavos não levariam muito longe. — Sarah, também tenho um pedido para você. Natalia tossiu. — Você poderá substituir a dançarina em “Dark Night” hoje? Ela está com rota vírus! Vale ressaltar que o bar Dark Night pertencia a Arte. Tudo teria ficado bem, mas depois do nosso vertiginoso beijo de aniversário, que nunca mais se transformou em nada, no dia seguinte Arte me despediu sem explicação. — O chefe não estará aqui hoje! Ela acrescentou, obviamente percebendo as minhas preocupações. Por uma fração de segundo, fiquei desapontada... Até agora, quando pensei em Arte, tudo no meu peito começou a explodir em flashes brilhantes. — Claro, vou te ajudar! Terminada a conversa, em vez de voltar ao refeitório, saí do prédio, virando-me em direção à praça mais próxima. Faltava pouco menos de meia hora para o próximo casal. Depois de comprar um picolé numa barraca, caí num banco inundado de sol, tentando superar a estranha excitação que apertava o meu peito. Dezenas de pessoas passaram e foi nesses momentos que senti a minha solidão mais intensamente do que nunca. De alguma forma, depois da morte da minha mãe, o sentimento de solidão geralmente se tornou o meu companheiro fiel, tão natural quanto a fome ou o sono. Quase aprendi a conviver com eles. Outra coisa estava me incomodando. Uma terrível sensação de coceira de que estou sendo observada. Eu sei que era uma paranoia. Terminado o picolé, joguei o palito na lata de lixo, olhando atentamente para o rosto dos transeuntes. Nada suspeito. É hora de visitar um psicoterapeuta para desembaraçar o emaranhado de ansiedade que venho guardando na alma todo esse tempo. Fui mentalmente transportado para o dia em que o meu pai morreu. Ele foi atropelado por um carro. Ele morreu antes da chegada da ambulância. E mesmo que o nosso relacionamento estivesse longe do ideal, pela segunda vez experimentei em primeira mão como era perder entes queridos. E ver o caixão de um familiar ser baixado ao solo frio causa tanta dor quanto uma cirurgia de coração aberto.
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