Olhando um para o outro não puderam esconder o sentimento que estava bem no interior dos dois, mesmo um deles tentando fingir que nada sentia. Molhados estavam e se sentiam os únicos no meio daquela chuva que foi ficando cada vez mais intensa.
– Você e linda. – disse Edson com seu olhar fixo nos olhos da Vânia que também se concentrava nos olhos do seu amigo que estava perto dele como se preparasse para lhe agarrar e lhe envolver num beijo demorado e apaixonado.
Não era um momento de hesitar, mas sim um momento de avançar sem pensar duas vezes antes de se entregar na ação.
– Obriga... – antes que ela terminasse a sua fala, Edson já havia a tomado pela cintura.
Lhe deu um beijo que ela de imediato correspondeu. Foi algo mediano que para Vânia pareceu uma eternidade onde estava perdida num paraíso que não gostaria de abandonar para nela viver eternamente colado naquele garoto. Aquele momento era muito especial e o adolescente esperava que aquilo acontecesse, no entanto não exatamente onde eles estavam, mas sim em outro lugar qualquer e menos no espaço que estavam agora.
Vânia abriu um sorriso e as suas palavras não saíram da sua boca que ainda se preparava para algo dizer, o outro ainda com a mão na cintura da outra deslizou ligeiramente para baixo, mas não pode manter aquele movimento por muito tempo, pois Vânia evitou que continuasse e de repente as suas feições mudaram, ela sabia e sentia que algo que ela não gostava estava prestes a acontecer naquele momento que ele ainda olhava naqueles olhos lindos.
– O que foi Vânia? – Edson perguntou para o que a Vânia respondeu como se nada fosse.
– Não se preocupe, não e nada não, só tenho que ir para casa.
– Entendo, eu posso te levar.
– Me levar, como?
– Posso usar o carro do meu pai para fazer isso, caso não se incomodar. – ele disse tirando a sua mão da cintura da garota.
– Claro que não me incomodo, mas acho que e melhor eu ir sozinha, assim não teremos problemas como daquela vez.
– Não se preocupe, eu não vou entrar na sua casa, apenas vou contigo ate perto e tu desces. – insistiu o garoto como se aquilo fosse uma forma de lhes conectar ainda mais, mas na verdade ate seria uma forma bem interessante de fazer isso, afinal ainda estavam no processo de se conhecerem melhor apesar da idade escassa que colocava uma certa barreira.
– Sendo assim, eu aceito. – ela disse convencida e em simultâneo Edson conseguiu ver que o corpo da garota estava tremulo.
– O que acha da gente ir para sua casa depois que nos aquecermos, quis dizer nos agasalharmos? Esta bem frio e nos sabemos que isso não e nada bom.
– Eu apenas vejo chuva e como vamos fazer isso que esta dizendo a gente estando nesta condições?
– Bem, acho que alguém se esqueceu onde eu moro.
– Sua casa? – ela disse de imediato depois das palavras do outro.
– Exatamente, a minha casa fica bem perto depois de umas ruas aqui. Podemos ir ate la?
Vânia sabia que era uma ideia nada boa, era como se seu pai tivesse transformado em tudo que exibisse uma câmera para poder lhe controlar de não ir fazer uma loucura e se arrepender no futuro. O seu pai sempre dizia que não queria nenhuma responsabilidade de criar um bebe enquanto ainda estava numa situação financeira nada boa e não só por isso, caso a sua filha engravidasse ainda com aquela idade ele lhe castigaria, lhes expulsando de casa para ir morar com o seu namorado ou com quem fosse que lhe engravidou, a informação era tao repetitiva que acabou ficando gravada na mente da Vânia que tinha pavor que isso acontecesse, por isso ainda era pura, coisa que era bem rara para uma menina da sua idade.
– Esta bem. – ela simplesmente disse e os dois caminharam em direção da casa.
No meio da caminhada o que a Vânia temia que acontecesse aconteceu, os céus gritaram e ela de imediato ficou petrificada com um medo tao agudo como se não tivesse passado por uma cessão de ajuda com os amigos da Carlota que mostrava melhoria. Para Vânia as coisas eram complicadas que mesmo que tenha passado por um tratamento ainda continuava com um grande medo absurdo. Ate então não se passava muito tempo, então era um pouco cedo pensar em resultados, pois se tratava de um processo e sendo um não há colheita de uma forma rápida ou repentina.
Quando Vânia estava prestes a cair Edson lhe segurou exatamente numa área escorregadia que trazia um imenso perigo para qualquer um que ali caísse, mas para a sorte da Vânia, Edson foi preciso para evitar uma tragedia.
– Desculpa, mas vou ter que fazer da forma que você menos gosta. – disse Edson carregando a adolescente nas mãos e caminhando com muito cuidado para não cair.
Ainda em choque Vânia não pode responder as palavras do outro, mesmo odiando o que o jovem estava fazendo.
Em silencio e apenas escutando a algazarra dos céus Edson caminhou com esforço ate que chegou em casa que estava completamente vazia, e ate a empregada da casa não estava presente. Os seus pais haviam viajado para Moçambique por conta de negócios e a empregada estava de ferias, assim tudo o que ela fazia passou para o jovem delinquente, aquilo era uma forma de castigo por conta da sua indisciplina que não só manifestava na escola, no entanto também em casa. Mesmo tendo pais rigorosos ele não se intimidava e isso desde ainda criança. A única coisa que os mesmos apreciavam nele era a inteligência que eles m*l sabiam que ele tinha auxilio de algumas substâncias que eram vendidas no pátio da escola e que um dos professores era o fornecedor fiel que sempre andava nas sombras sem ninguém desconfiar.
Edson logo que chegou com a Vânia chegou a colocou no chão, agora que estava um pouco calma, pois o som da trovoada havia se reduzido, tirou a chave da casa das suas calcas molhadas e abriu a porta.
– Vamos entrar! – ele disse a Vânia com ele entrou.
No interior da casa tinham quadros de pintura de uma qualidade impressionante, caros, que custavam olhos da cara. Isso pareceu algo bom para a Vânia que também vinha de uma família que tinha boas condições o deixaria uma grande vantagem e menos falação entre as duas famílias coisa que partiria do senhor Ezildo caso os dois decidissem levar a serio o relacionamento que estava começando entre os dois.
– Uau, que casa linda! – disse Vânia impressionada com a casa, vendo os detalhes da mesma que não era muito diferente da casa dela.
– Obrigado, mas não e minha. – brincou Edson.
Os dois riram.
– Vamos direto para o banheiro para matar o frio e depois vamos procurar algo para vestir. – disse Edson para a Vânia que ainda ria das palavras do garoto.
Para Vânia era estranho o que o Edson disse, pois não estava preparada e obviamente que não aceitaria se algo não incentivasse a fazer o que para ela seria uma loucura, de tomar um banho quente com um garoto que ainda tinha simplesmente a coragem de chamar de amigo, então não era nada normal tomar um banho com um amigo, não e uma amiga, mas sim um amigo. Outro problema era o medo de ser encontrada pelos pais do Edson e não saberia o que dizer e nem o que fazer.
Antes de dizer alguma coisa para Edson ela olhou para ele nos olhos como se algo lhe tivesse possuído para aquilo fizesse.
– E os seus pais. – ela disse.
– Não se preocupe sobre isso, pois eles viajaram por conta do trabalho e não vão decidir voltar no meio da viagem por conta de eu estar aqui consigo. – ele disse e terminando num tom de brincadeira.
– Eu... – hesitante a Vânia disse e um risco de timidez se destacou no seu olhar, mas ela disfarçou numa missão impossível, pois Edson havia percebido o fato.
– Hei, calma. Eu não farei nada que você não queira. – com uma voz apaziguadora Edson disse para a Vânia que se encolheu como se estivesse diante de uma ameaça que sairia como uma perdedora.
Um silencio entre os dois prolongou-se enquanto estavam ali na sala sentindo frio e aos poucos se abraçavam. A chuva la fora continuava a cair e a trovoada voltou a produzir a sua algazarra que deu inicio a uma outra crise da Vânia, assim Edson envolveu a garrota num forte abraço que fez a Vânia se sentir segura.
– Vamos. – ela disse e na sua mente começou a rolar um turbilhão de pensamentos de ansiedade que não conseguia controlar.
Por um tempo Edson não entendeu o que ela queria dizer em pronunciar aquela palavra, então continuou calado e abraçado a ela com a mesma intensidade. Depois percebeu que aquela palavra era a resposta da pergunta que ele colocara a minutos atras. Os dois levantaram lentamente e se dirigiram ao banheiro, da forma como a Vânia andava até parecia que conhecia os compartimentos da casa, mas isso aconteceu por ver a semelhança da casa com a dos seus pais.
Já estando no interior do banheiro Vânia não parava de pensar na imensidão das possibilidades que estariam disponíveis para os dois que estavam sozinhos e prontos para supostamente ter um banho quente para matar o frio. No caso do Edson, para ele era uma grande vantagem para alcançar o seu objetivo que tanto almejava atingir e agora era o momento ideal para isso ser feito.
– Como se sente agora? – perguntou Edson ao ver a Vânia prestes a tirar a sua roupa para tomar um banho.
Ela hesitava por muitas razoes, mas uma delas era a vergonha do seu próprio corpo e também seria pela primeira vez que se despia diante de um garoto, enta aquilo era extremamente estranho para ela, não se sentia a vontade, no entanto algo lhe fazia tomar a coragem de fazer aquilo. Lentamente ela tirava peca por peca ate que ficou totalmente nua. Edson olhava para ela e não conseguia esconder o seu desejo de sempre que sentiu desde a primeira vez que vira a adolescente. Na verdade ela queria o mesmo que aquele garoto que ela achava lindo e atraente.
– Vai ficar ai só olhando, não me diga que vai tomar banho de roupa? – disse Vânia para o espanto do Edson que não esperava ouvir aquelas palavras vindo de uma garota que parecia insegura.
De fato as palavras dela foram bem estranha para uma pessoa com a sua personalidade, mas Edson deixou passar e achava graça naquilo, pois tinha vantagem para atingir o seu objetivo. Algo no interior da Vânia lhe dizia para avançar mesmo com duvidas que estavam em abundância na sua mente. Ela mesma não conseguia se reconhecer naquilo que parecia um sonho.
De imediato Edson começou a tirar a sua roupa numa velocidade absurda que denunciava a sua sede pelo momento que tinha agora nas suas mãos, com a gata que ele desejava passar uma noite. Ele primeiramente não estava apaixonado, mas apenas para uma relação intima casual da mesma forma como fazia com todas as garotas que faziam parte da sua lista de apostas.
Os dois nus olharam um para o outro e de repente Vânia começou a sorrir e em seguida a rir de uma forma estranha que ate fez com que um minguado de medo atingisse o Edson que permaneceu calado por alguns segundos olhando para ela e fingindo que achava aquilo normal.
O adolescente seguiu os risos da Vânia, ligou o chuveiro e deixou a agua mornar deslizar pelo corpo dos dois.
– Uau, então diferente, sabe... como se estivesse no paraíso. – sentindo a agua pelo seu corpo e lhe acalmando Vânia disse com uma voz bem baixa, isso preocupou o outro que em seguida colocou uma pergunta.
– Esta tudo bem contigo? – a preocupação constava na sua voz e também dentro de si quando disse colocou a questão.
– Não se preocupe estou muito bem, apenas efeitos do que tomei a alguns dias para o tratamento da minha ansiedade. – ela disse e em seguida tomou o outro num abraço forte.
Pela primeira vez Vânia fez amor e fora inesquecível.