CASO DA VÂNIA

1286 Words
O céu apresentava nuvens carregadas de n***o no distrito de Khedie, e as vezes um grito da natureza soava dos altos deixando algumas gotas de chuva fazerem barulho no telhado da casa dos Kingsons que se encontravam a dormir no mais profundo sono. Todavia, alguém ainda estava acordado no seu quarto e a lâmpada ainda estava ligada. A casa era linda e enorme com poucos detalhes quando o assunto era a tinta que passara embelezando o edifício que deixava claro que se tratava de uma família que tinha um dinheiro suficiente para colocar tudo no lugar. Do lado de fora ainda no quintal, tinha um jardim lindo que bem ao lado havia brinquedos encontrados em parques de diversão para crianças, porém aquilo estava em miniatura. A pessoa acordada era a Vânia que tentava fazer uma forte oração para não ser atingida pelo raio vindo dos céus, pois essa era a sua fobia. Bem, era uma das pessoas que acreditava que cada indivíduo no mundo tem pelo menos uma fobia e a fobia dela era ouvir o som da trovoada, ou outro tipo de algazarra que viesse dos céus, coisa que já era suficiente para lhe fazer ficar tremendo ou congelada por muito tempo até o fenômeno passar. Vânia, era uma adolescente de 16 anos de idade e uma das suas qualidades segundo ela mesma era a sua curiosidade que lhe acompanhou até chegar na idade onde já não se tem cérebro no crânio, pois a adolescência é uma fase bem complicada, não só para os próprios adolescentes, no entanto também para os pais destes. Com o seu cabelo crespo, comprido e muito preto ela tinha uma altura escassa, por aí 1,58 m e uma pele muito escura, como um chocolate queimado. Era uma estudante da Escola Secundária de Khedie com boas notas que lhe rendiam muitos presentes vindo do seu pai, ex militar das forças armadas de Moamba, e também da sua mãe, uma grande escritora de sucesso, rodeada de paparazzis em busca da melhor fotografia para colocar no blogue ou num jornal de relevância. Além dela na casa estavam lá os seus pais, a empregada doméstica e o seu irmão mais velho que só trazia problemas para todos ali, por conta de ser um drogado. Ele tinha 27 anos de idade e muitas encrencas que estavam acima da sua idade. O nome do pai dela era Ezildo, da mãe era Belfácia, do irmão, Grizy e da empregada doméstica era Carlota. De joelhos no tapete perto da cama e com a sua face na beira da mesma, Vânia tinha os seus olhos fechados e fazendo uma oração com palavras repetidas como se estivesse a fazer uma auto hipnose assim para conseguir totalmente nas suas próprias palavras. Vestia o seu pijama cor-de-rosa e pantufas da mesma cor. O seu cabelo crespo estava bagunçado de qualquer maneira e a sua vontade era pedir dormir com a sua mãe, mas não foi possível porque o pai estava, constituindo uma grande barreira para ela. O quarto da menina era espaçoso e ostentava a cor predileta dela, a cor-de-rosa e com detalhes brancos tendo nas paredes posters de bandas de rock daquela época de 1997. – Nada de r**m vai me acontecer porque sou filha de Deus. – repetia pela centésima vez, mesmo sabendo que a sua oração mais parecia ser de uma criança do que propriamente de uma adolescente da sua idade, pois quando o medo bate a porta da consciência nada mais é analisado, assim tudo sendo feito na velocidade do pavor que vai chegando até aos pés provocando ondulações e arrepios contínuos. Algo na casa vibrava por conta das ondas sonoras provenientes da natureza e a chuva começava a se intensificar. Para muitos não era nenhum problema, mas para Vânia era algo temível e lhe roubava o sono toda vez que acontecia. Ela continuava fazendo a sua oração. A origem da sua fobia era bem simples de explicar e quem originou a mesma na mente da adolescente fora a sua avó materna, Gilda, que contava histórias de terror de ouriçar os cabelos aos seus netos com a justificação que os estava a preparando para o cruento futuro no mundo c***l em que os humanos viraram animais sem coração assim, sem nenhuma gota de sentimentos na sua essência. Após a vibração, o som rugiu de uma forma que fez com que o susto da Vânia parasse o seu coração por alguns segundos. Começou a transpirar e as mãos também, ela apertava os olhos tentando controlar a sua respiração irregular. O que lhe doía era saber que no dia seguinte tinha que acordar muito cedo para ir a escola que tinha uma distância de apenas 400 metros, mas agora estava numa situação que com várias terapias tentou ultrapassar, no entanto sem sucesso. Do outro lado da enorme casa, Belfácia e Ezildo dormiam no quarto quando um deles acordou e disse ao outro: – Ela não vai conseguir dormir. – disse Belfácia, mãe da Vânia. – Ela precisa ficar sozinha para superar o seu medo. – disse senhor Ezildo com a sua voz temível, bem grossa e madura, aquela que fez com que a Belfácia se apaixonasse por ele. – Amor, você sabe que nós fizemos o que poderia ser feito para ajudar a nossa filha, mas não conseguimos. – Eu sei, mas ela tem muitos problemas porque você e sua mãe lhe mimaram demais. Deitados debaixo de uma manta pesada que inibia a entrada do frio que era de fazer os dentes se chocarem de um modo repetido para tentar gerar calor, Belfácia abraçava ao seu marido com um braço e estava colada ao corpo dele como se a manta fosse insuficiente para matar o frio que era demasiado no distrito mais conhecido por se assemelhar a uma cidade com o mesmo nome que havia vários praticantes da magia n***a. – Nada a ver. – disse Belfácia tentando não soar chateada com a resposta do marido, mesmo estando. – Ela continua com os sonhos estranhos que ela diz serem algum tipo de profecia? – Infelizmente sim, ela continua tendo e parece que alguns dos seus colegas sabem sobre isso e já estão lhe chamando de louca e outros de feiticeira. – Bem eu havia me esquecido de te contar. – disse Ezildo e antes de continuar levantou e sentou na beira da cama, assim arrancando uma preocupação a sua esposa. – Eu fui ter com a curandeira Jenny para expor a situação da nossa filha. – O quê? – espantada ela disse depois de ouvir as palavras do seu marido. – Nós conversamos e chegamos a conclusão que não vamos envolver essa gente nos assuntos da nossa família, a igreja pode nos ajudar se for necessário. – Eu sei, mas eu tive que tomar uma decisão que nos trouxesse uma resposta, porque o que está acontecendo com ela não é nada normal. Irritada Belfácia nada disse, apenas levantou da cama e foi até ao interruptor, ligou a lâmpada e voltou, parando perto da cama e olhando para seu marido com um olhar de quem está desapontado. – Se acontecer algo com a nossa filha, você é que vai responder. – disse ela ao marido. – Não se preocupe, pois a resposta que tive foi que a nossa filha é especial. – Eu já esperava, sempre todos que vão ter com esses curandeiros ou feiticeiros tem a mesma resposta. Ela precisa responder à entidade que está dentro dela, ou melhor, traduzindo, ela é uma curandeira também, ou pior feiticeira. – ela diz dramatizando numa grande ironia. – Exato, ela está tendo muitos problemas com pesadelos por conta disso e nós temos que fazer alguma coisa antes que seja tarde demais. Continua…
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