Beatrice se manteve reclusa no quarto de hóspedes, já que se sentia irritadiça e sem conseguir se concentrar na apresentação do projeto.
Acabou que a necessidade de se esconder do mundo lhe dominou e desejou um grande buraco escuro.
Não sairá do quarto para o almoço ou jantar, suas saídas eram rápidas, apenas para o preparo das mamadeiras.
Naquele momento se esconder, era a melhor solução. Tentar fugir dos próprios problemas, que batiam desesperadamente em sua porta querendo entrar de qualquer maneira.
Sabia que ainda necessitava de um tempo para se acostumar com sua nova rotina. Só não sabia quanto tempo precisaria.
Depois das nove da manhã, o celular toca, lhe tirando a atenção de Atena.
O nome de Lewis aparecesse na tela do celular.
– Oi – diz deitada.
– Ah, oi! Como você está? E Atena? – Lewis pergunta com sua animação costumeira.
– Acho que Atena está bem – diz com os olhos fixos na bebê calma ao seu lado.
– E você? – insiste.
– Eu... – diz hesitante, sem saber o que dizer ou por onde começar. Acreditava que tivera sua primeira crise de ansiedade no dia anterior, subjugava-se na maioria do tempo e tudo ao seu redor começará a irritá-la – bem.
– Já faz algum tempo que não nos falamos, quase quinze dias.
– Você é uma pessoa ocupada. Não queria incomodar.
– Vocês nunca incomodam – Lewis ressalta – É sua obrigação me ligar todos os dias, para me dar o relatório sobre o desenvolvimento de Atena.
Beatrice sorri.
– Terminei o esboço do projeto.
– Isso é ótimo! Agora fiquei ansioso – Ele ri.
O sorriso de Beatrice some.
– Queria outro projeto – diz séria.
Uma breve pausa se instala.
– Hã. Tem certeza disso? Quer dizer, você acabou de ser mãe. Deve ainda estar se adaptando a sua nova rotina – diz cauteloso.
– Eu acho que preciso disso. Preciso de algo para me distrair da responsabilidade de ser mãe em tempo integral.
Lewis solta o ar dos pulmões, ficando em silêncio por alguns segundos.
– Está sendo tão difícil assim?
Beatrice acreditava que seria uma péssima mãe se admitisse que Atena estava sugando toda sua energia, não permitindo que fizesse o que gostava.
– Um pouco – diz por fim.
– Não sei exatamente o que lhe dizer – diz com a voz aveludada – Mas acredito que no final tudo ficará bem. Já vi em algumas pesquisas que os primeiros meses de vida de um bebê, sempre é difícil. É um descobrimento seu e da Atena. Logo ir ao se adaptar uma a outra.
– Acha que seria egoísta se voltasse a trabalhar? – murmura.
– Não no meu ponto de vista. Estaria fazendo algo que gosta. Mas já parou para pensar que teria que deixar Atena com alguém?
Desde que ela nascerá, Beatrice pensa. Uma hora teria que voltar a trabalhar, este era o plano. Construir um futuro para ambas.
– Não tem como deixá-la com Celly. Além da idade avançada, está no interior com os filhos.
– Eu não pensei na velha Celly e sim em uma babá capacitada.
– Uma babá – repete.
– Vou lhe mandar alguns nomes de babás bem recomendadas.
– Por quê teria uma lista de babás? – pergunta com um meio sorriso.
– Vamos dizer que, por acaso, já pensei na possibilidade de voltar a trabalhar presencialmente. Minha empresa de Roma precisa de você.
Beatrice abre um largo sorriso.
– Me mande os nomes, está bem?
– Certo – Ela desliga, se sentindo um pouco mais animada.
Não demora para que um e-mail chegue com pelo menos dez nomes anexados com endereços e telefones, além de fotografias.
Nove das mulheres ali citadas, tinham mais de trinta anos, sem filhos, vícios ou alguma mania que comprometesse a integralidade de um bebê.
Apenas uma, tinha acabado de completar dezoito anos. Emancipada desde os 15. Também não tinha vícios e aparentemente nada que a tirasse da lista.
Beatrice concluí que Lewis escolherá a dedo todas que estava naquela lista. Caso o contrário, não lhe mandaria os nomes com tanta confiança.
Passará o restante da manhã e o início da tarde estudando aqueles nomes. Buscando referências ou algo que diminuísse a lista.
No fim, ficou entre duas mulheres. A emancipada desde os 15, que por alguma razão pela sua aparência jovem, acreditava que seria uma pessoa responsável e uma viúva que havia se dedicado a profissão após a morte precoce do marido cerca de um mês depois do casamento.
Pareciam ser a escolha perfeita, só que ainda precisava escolher uma.
Então para encerrar este empate, liga para Lewis.
– Lewis – diz quando ele atende.
– Oi.
– Número 5 ou 10?
– 5 ou 10? Como assim? – pergunta distraído.
– Candidatas para babá.
– Bem... – Ele fica em silêncio por um breve momento – Às duas parecem ser bem profissionais. Principalmente a número 10.
– Lewis – repreende.
– Tá. O.k Não sei bem o que dizer, as duas parecem ótimas. Devia fazer uma entrevista.
– Talvez Atena me ajudasse a escolher a mulher que será sua babá – brinca.
– Babá? – Matteo pergunta parado na porta do quarto, a assustando.
Beatrice engole em seco, os olhos arregalados fixos em Matteo.
– Lewis, tenho que desligar. Depois conversamos.
– Certo – Ela deixa o celular de lado, voltando sua atenção para Matteo.
– Não está pensando em largar minha filha com uma pessoa que nunca viu na vida, não é? – pergunta com a voz áspera.