Capítulo 4

794 Words
Beatrice anda de um lado para o outro impaciente, enquanto em seu colo Atena chora inconsolável por quase uma hora. Deveria ter imaginado que começaria a chorar um pouco depois de se deitar, exausta do dia nada produtivo que tiveram. Contudo, aquela crise de choro, era diferente. A bebê não estava com fome, já que a primeira coisa que oferecerá fora uma mamadeira. Não estava suja ou molhada e não havia nada em suas roupas que lhe causasse um incômodo. Pela primeira vez, não entendia o motivo pelo qual a filha estava aos berros. Se sentia a beira do desespero ou de ligar para Kokinos, quando a porta do quarto abre e Matteo entra em seu campo de visão de pijama e com os cabelos bagunçados. – Eu não sei como fazer ela parar – diz quase num sussurro, apertando a filha contra o peito. Ele se aproxima com o semblante calmo, pegando o pacote de seus braços. Atena agita os braços, fechando as mãos com força, enquanto o rosto se torna vermelho. – Você tem um secador? Beatrice ergue às sobrancelhas confusa. – Secador? Pra quê você quer um secador? – Você tem? – insiste. – Tenho. – Ligue. Ela hesita por alguns segundos, o olhando, obedecendo por fim. O choro de Arena começa a cessar aos poucos, dando a entender de que prestava atenção no ruído. Beatrice o olha surpresa, sem entender a mágica que ali havia acontecido. – Como você...? – Li em um livro que os bebês estão habituados com diversos ruídos quando estão no útero e que Isto é chamado de ruído branco. Matteo lendo um livro sobre bebês?, pergunta para si ainda sem acreditar. Gentilmente ele balança a filha nos braços, até que a mesma cede ao sono e o cansaço, fechando os olhos. – Acho que eu deveria saber disso – murmura. Matteo beija o topo da cabeça da bebê, antes de a colocar com cuidado na cama. – E o que faço com isto? – Beatrice pergunta, olhando para o secador em sua mão. Ele suspira, olhando para o secador. – Mantenha ligado até ter certeza de que ela está em sono profundo. O problema era que Beatrice nunca sabia quando Atena estava em sono profundo. A impressão que tinha, era que a filha sempre estava pronta para lhe pregar uma peça. Na manhã seguinte, acabou acordando com uma forte dor de cabeça com seu despertador natural, Atena. Aquela era uma daquelas manhãs, nas quais só seria ficar mais um pouco na cama e dormir até a hora do almoço. Sem ter que se preocupar em alimentar outra pessoa. Porém, a realidade era outra e Atena precisava dela. Saindo do quarto, após arrumar Atena, se depara com Matteo saindo de seu quarto que, sorri automaticamente ao ver a filha. – Buongiorno, figlia – diz a pegando – Dormiu bem? – Ele cheira a bochecha rosada. – Parece que sim – diz Beatrice em tom desanimado. A verdade era que se sentia desanimada sempre. Sentia se quase inútil em poder cuidar da própria filha, apesar de estar se esforçando ao máximo, ainda sentia que não dava seu melhor. Não conseguia mais enxergar a Beatrice de antes. Sentia que se passará anos. Mas só havia passado pouco mais de dois meses. – Tenho que ir – diz Matteo ao terminar de comer levantando, acariciando a cabeça da filha antes de sair. Beatrice continua ali, balançando o carrinho e tentando terminar de comer. Começará a se sentir incapaz. Pela milésima vez.  Então na primeira crise de Atena naquela manhã, após o café da manhã, desabou. Inicialmente tentou conter o choro, na tentativa de se concentrar em apenas acalmar a filha, mas não conseguia. Seu corpo tremia levemente e temendo que a derrubasse, a devolveu de volta para o carrinho, onde o choro se intensificou. – Srta. Beatrice? – Fred chama se aproximando – Está tudo bem? – Sim. Está! – diz irritada de repente, ainda com as lágrimas escorrendo pelo rosto. Pegando novamente Atena, a pressiona contra o corpo, caminhando em direção da cozinha. Ainda trêmula, prepara uma mamadeira, enquanto num canto da cozinha, a cozinheira juntamente com os ajudantes lhe observava em meio á murmúrios. Se não estava conseguindo lidar com um bebê, como poderia lidar quando os meses se tornassem anos!?, sua mente grita quando abandona a cozinha. Atena cresceria e com isto novos desafios surgiria, conclui, puxando fortes lufadas de ar pela boca. Apertando com um pouco mais de força o pacote em seus braços. Abre uma porta de vidro em direção á um pequeno jardim, respirando fundo diversas vezes, esperando que a sensação de estar se sufocando passasse. Com mais lágrimas vindo à tona, ao tentar entender o que estava acontecendo com ela própria.
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