– Não precisa chorar – dizia Matteo, caminhando de um lado para o outro na sala de estar, de costas para a escada – Está tudo bem. Você está com o papai.
Beatrice desce os degraus, após longos e deliciosos trinta minutos em baixo do chuveiro. Se sentia relaxada e acima de tudo, limpa.
Parando no final da escada, o observa tentar acalmar a filha, que fazia breves pausas em um resmungo e outro.
– Talvez esteja com fome, de novo – diz fazendo Matteo se virar em sua direção – Vou preparar outra mamadeira.
Duvidava que Matteo Montana soubesse fazer uma mamadeira e não queria que ocorresse um incêndio.
A preparação do jantar estava a todo vapor seja cozinha, era evidente o incômodo dos ajudantes enquanto preparava a mamadeira. Mas não queria pedir para Fred fazer algo que simplesmente podia fazer.
Ao voltar para a sala, notará que Atena alongara os resmungos para uma tentativa de choro, o que a fez pegar a bebê rapidamente.
– Pronto. Pronto – Entoa a balançando gentilmente, após lhe oferecer o bico de silicone.
No término da mamadeira, Atena já dormia, parecendo estar em sono profundo. O que fez Beatrice acreditar que poderia ter uma refeição digna.
– Ela é tão...adorável – diz Matteo com um leve sorriso nos lábios, a observando colocar Atena no carrinho.
– Iria mudar este elogio se a visse em uma de suas crises.
Ele ergue o olhar para olhá- la.
– Não deve ser tão r**m assim.
Ela cruza os braços sob o peito.
– Quantas vezes já a ouviu chorar de madrugada?
Ele dá de ombros.
– Umas duas, eu acho.
Beatrice ergue às sobrancelhas sorrindo.
– Atena chora toda madrugada desde que chegou aqui – diz passando por ele.
– E por quê nunca me disse? – pergunta a seguindo.
– Achei que soubesse – suspira – Pelo choro e tudo mais.
Entrando na sala de jantar, Matteo se senta na cabeceira e Beatrice em um assento qualquer.
– O que mais preciso saber da minha própria filha?
Colocando o guardanapo sobre o colo, encara a toalha fina.
– Ela já está mostrando que já tem personalidade própria.
– Isto já percebi – murmura.
Fred com mais dois funcionários adentra no cômodo, trazendo o jantar. Uma vasta refeição com mais de duas opções, o que para Beatrice era algo irrelevante, já que só iria jantar os dois.
Minutos mais tarde ao terminar a refeição, vai para o escritório, no intuito de arrumar a bagunça ali instaurada e tentar se programar para os próximos passos.
– É aqui que se escondem durante o dia? – Matteo pergunta, parando na porta.
– É onde tento.
Ele se aproxima da mesa de mogno, olhando o projeto ali aberto.
– Deveria estar trabalhando? Quer dizer, não deveria estar completamente concentrada em Antonella?
Beatrice enche os pulmões de ar.
– Dou toda a atenção de que Atena precisa e preciso ter um emprego para quando formos embora – diz séria.
– Embora? Como assim? – Ele pergunta surpreso, se mostrando desconfortável com as palavras.
– Não vamos morar o resto de nossas vidas aqui. Aqui não é nossa casa. Atena precisa de um lugar para brincar.
– Aqui tem espaço suficiente – argumenta.
– Essa casa parece uma caverna! É gélida e m*l entra sol.
– Não seja dramática, Beatrice – resmunga.
Ela continua a arrumar a mesa.
– Aqui não é para uma criança.
– Se está procurando um jeito de dizer que preciso de uma casa perfeita para criança, está usando as palavras erradas.
Ela o olha novamente, mantendo a seriedade.
– Eu preciso de uma casa onde sinta que Atena será feliz e sinto que aqui ela não será feliz.
Ele semicerra os olhos, absorvendo suas palavras.
– Sou o pai dela.
– Nunca disse que não era.
– Então por qual motivo quer a afastar ela de mim?
Beatrice massageia as têmporas, sentindo que aquela “conversa” não levaria a nada.
– Esquece o que eu disse, está bem? – diz por fim, terminando o que estava fazendo.
Matteo respira fundo, parecendo se acalmar.
– Tá. Tudo bem.
Beatrice encara a mesa arrumada, antes de olhá-lo novamente.
– Vou levar Atena para o quarto.
Ele apenas assenti.
Estava decidida do que iria fazer, mesmo que Matteo fosse contra. Em seus planos não tinha pretensão em passar os anos seguintes naquela casa.