Lá está ele. Mais uma vítima acaba de sair do seu matadouro.
O vizinho delícia abre um sorriso encantador, de fazer a respiração parar. Ele escora o corpo na porta da mansão e acena para a coroa que entra no carro do ano e se atrapalha toda para dar a partida.
Eu também me atrapalharia.
Para provocar, ele abre um pouco o roupão azul marinho, mostrando aquele peitoral volumoso e definido, já consigo imaginar o cheiro daquela pele bronzeada e untada no óleo. Que cafajeste! Continua a sorrir feito o d***o, desce um pouco mais o roupão para mostrar o abdômen trincado, esse cara sabe que é a perdição.
E eu quero me perder naqueles braços até minha foto aparecer nos “desaparecidos”.
Assisto a sortuda tentar colocar a chave no carro duas, três, quatro vezes, todas em vão.
Ela abaixa os óculos escuros, respira fundo, aparentemente de pernas bambas e enfim consegue dar a partida, o carro começa a se mover.
O vizinho sobe todo o roupão, cobre bem aquele tanquinho, os braços torneados e parte do peitoral e dá meia volta para entrar. Antes de fazê-lo, porém, nossos olhos se encontram.
Ele, o desinibido, gostosão, tatuado e eu com uma xícara de café, toda babada e desconcertada assistindo aquela obra de arte respirar.
O sorriso dele me faz sorrir. Acabo tentando engolir o café e nessa simples ação eu engasgo, cuspo no vidro da janela o líquido escuro e começo a tossir feito uma louca.
— Pronto, agora ela se afoga até no café! — Ayla reclama, abaixa o tablet onde a página inicial do New York Times apresenta as notícias do dia e se levanta para vir me ajudar.
Ayla ainda é capaz de ver o vizinho curioso e preocupado de longe, sua sobrancelha grossa levantada, ele tenta espiar o que houve, mas eu puxo as cortinas da janela.
— O que foi agora?
— Ele é bonito demais para mim — choramingo.
— Isso aí, Maddison! Autoestima antes do fim de semana começar é t-u-d-o!
— Para de me chamar de Maddison, só a minha mãe me chama assim — faço um bico.
Coloco a xícara de café em cima da pia e pego um pano para limpar a bagunça.
— Ah, vocês formam um belo par. O importante é chegar lá, fazer ciúmes no Paco e pronto.
— Mas como eu chego nele, amiga? O que eu digo? Não sei nem o nome do nosso vizinho!
O olhar que Ayla me dirige mostra que ela não está em um bom dia para aguentar meus surtos.
— Olá, tudo bem? — ela diz toda sensual e atrevida, move os ombros enquanto se aproxima de mim. — Eu me chamo Maddison, mas pode me chamar de Maddie, sou a sua vizinha. Como trabalho bastante, nunca te vi por aqui. Posso entrar? Trouxe esses biscoitos maravilhosos. Eles são deliciosos. Ficam ainda mais se você os comer em cima de mim — ela balança os p****s enquanto se aproxima o suficiente para me deixar em estado de choque. — Pega esses biscoitinhos, vai — ela continua a balançar os p****s.
— Ok, chega. Você deveria ser roteirista de pornô e não minha sócia.
— Sou multitalentos, flor — Ayla gira o corpo e joga os cabelos na minha cara.
— Vou focar no dinheiro. Olá, preciso de um namoradinho de mentira para fazer ciúmes no canalha do meu ex que me iludiu, me prometeu o mundo e mentiu para mim e vai se casar em breve. Que tal dez mil dólares para passar uma semana comigo e infernizar esse desgraçado?
— Dez mil dólares? — levanta a sobrancelha.
— Dez mil dólares — devolvo. — Está muito alto? Exagerei?
— Amiga, olha bem para aquele homem! — ela se levanta, quase traz a mesa, a garrafa de café e a cesta de frutas junto. Escancara a cortina.
Vemos o delícia cremosa só de short no jardim. Ok, o peitoral é lindo, mas foquemos naquelas coxas e pernas. Esse não é um homem corneto que vai afinando cada vez que seu olhar desce... esse homem foi esculpido, de verdade.
Pernas firmes, coxas grossas, a b***a toda empinada e o volume na calça meio que atrai a atenção de imediato; e a cada segundo que ele para numa pose, parece exalar testosterona.
Ele ri bobamente, o sorriso mais lindo do mundo. Os olhos se curvam numa felicidade plena, as covinhas no rosto ficam aparentes mesmo de longe, me sinto até entusiasmada só de ver.
— Esse homem deve cobrar cinco mil dólares a diária, sua louca. Dez mil dólares? No máximo ele passa dois dias contigo! — Annie tenta voltar para a mesa, mas sua atenção fica ali com aquele show de vizinho.
Fecho a cortina de forma ríspida e a encaro.
— Então vamos ter que cobrar muito mais caro para fazer o buffet desse casamento — empino o nariz. — Na carta ele diz que seria bacana chegarmos antes e prepararmos refeições para os convidados que forem chegando durante a semana... quanto acha que deveríamos cobrar?
— Olha, Maddie, eu sei que você pediu para eu não buscar muito a fundo nessa história, mas...
Reviro os olhos. m***a. Ela vai dizer algo que vai me deixar insegura, eu sei.
— Paco vai se casar com uma mulher cuja família é bilionária. Dona de uma empresa poderosíssima. E ela é linda, pronto falei.
Viu? Eu sabia! Eu sabia!
Antes que eu comece a surtar e volte para o quarto para passar o dia inteiro com o pote de sorvete, bolachas recheadas e pizza, Ayla se levanta, me agarra pelos ombros e faz aquela expressão que é o prenúncio do t**a na cara.
— A boa notícia é que podemos pedir um valor bem alto. E com a sua porcentagem você paga o seu acompanhante — ela levanta as sobrancelhas de modo sinuoso. — E depois me diz o quanto ele cobra.
— Certo — digo completamente aérea.
— Agora vai.
— Vai? O quê? — pouso no chão e já fico em estado de alerta.
— Vai lá fazer a proposta para o vizinho! Anda! Quanto antes você resolver isso, você retorna ao trabalho!
— Mas, Ayla...
— Você está há cinco dias espionando ele. Cinco dias. Quantas mulheres diferentes você viu sair daquela casa? — ela inquire.
— Nove.
Ela faz uma expressão que diz: não preciso dizer mais nada. Ainda assim, ela completa:
— Já sabemos que ele é muito requisitado! Então corre e vá marcar uma semana na agenda dele e tente barganhar o melhor valor!
— Eu preciso tomar um banho — olho de um lado para o outro e tento me lembrar onde é o banheiro, onde ficam as escadas, onde é o meu quarto.
Nesse frenesi todo, derrubo o pote de açúcar no chão e dou um t**a no meu rosto.
— Pode deixar aí, depois eu limpo isso, eu juro! — digo sem ar e começo a andar de um lado para o outro. — Meu Deus! Não fico tão nervosa desde que Paco me chamou para sair pela primeira vez!
— Rápido, amiga! Depois da Sweet Show, esse é o melhor investimento que você já fez na vida! — Ayla ri nas minhas costas.
(...)
Tomo o meu banho de modo caprichado, arrumo bem os cabelos para dar-lhes volume e passo uma maquiagem bem neutra.
Fico meia hora tentando decidir a roupa que usarei, mas Luna e Ayla quase arrombam a porta do meu quarto. Então na pressão, coloco uma saia preta acima do joelho e uma blusa amarela que consegue modelar o meu corpo, deixando a comissão de frente ressaltada e a cintura modelada.
— E aí? — Saio do quarto esbaforida. Parece que corri uma maratona lá dentro, mas foi só a pressão, ansiedade e nervosismo.
— Parece uma colegial virgem que vai seduzir o professor gostosão. Adorei, vai lá fisgar o boy! — Luna fecha os punhos e faz sinal de comemoração.
— É... boa sorte... e cuidado para essa saia não levantar tanto, senão... — Ayla me lança um olhar acusatório.
— Ok — respiro fundo, termino de amarrar o cadarço do all stars e coloco a mão na maçaneta da porta. — Talvez não seja uma ideia tão boa assim — desisto e corro para as escadas.
— Ah, agora você vai! — Ayla vem em meu encalço e me impede de fugir.
— Eu também quero ver! Vamos! Tá na hora de parar de ser a Maddie chorona e ser a Maddie guerreira que vai deixar o Paco enciumado e arrependido de ter te trocado! — Luna rosna.
Ok, agora estou um pouco mais confiante. De cabeça abaixada volto para a porta de entrada da casa.
— Mas e se ele...?
— Vai! — As duas me empurram e fecham a porta na minha cara. — Só pense nos dias que vai ficar sem andar depois de uma noite feliz! — elas dizem às gargalhadas.
— Meu Deus! — suspiro.
Olho para o céu que anuncia o ocaso e passo as mãos pelos braços. Agora essa blusa parece muito menor do que deveria e a saia me deixa atormentada, pensando que qualquer ventinho seria capaz de me envergonhar.
Normalmente eu vou para a academia com saias assim, mas pelo menos coloco um shortinho embaixo. Agora não. Estou só de calcinha e saia, e de fato, não consigo pensar em outra coisa, senão que pareço uma adolescente entrando na universidade e tentando seduzir o professor gostosão. Quando menos percebo, já estou diante da mansão dele. Não há muros, apenas uma cerca branca da altura da minha cintura e a frente toda gramada, muitos vasos, com plantas, flores e terra. Alguns buracos no chão também.Entro, vou até o arco majestoso da frente da casa dele e antes de tocar a campainha o meu dedo treme.
Eu deveria?
Estou muito tensa. Não sinto essa sensação desde que Paco correspondeu aos meus interesses e me deu o primeiro beijo. É gostoso, mas é estranho. Esse frio na barriga, essa sensação de medo e excitação... pensei que deixaria isso para trás quando fosse adulta, mas pelo visto, é algo inerente da situação.
Eu quero muito...
Mas não sei se devo...
Respiro fundo e rio da minha própria loucura.
Que ideia maluca! Melhor deixar para lá!
Desisto de tocar a campainha e me viro para ir embora.
Nesse simples movimento, ouço o som da porta de madeira se abrir. Em seguida ouço os passos dele. Viro-me para vê-lo, buscando uma boa desculpa para estar ali e nisso ele avança, sem me ver, pois está olhando para dentro da casa e esbarra em mim.
Solto um grito e me agarro com força, as duas mãos no braço dele.
O vizinho gostoso, e muito gentil, diga-se de passagem, larga o saco preto no chão, limpa a mão na calça jeans e me puxa pela cintura para que eu fique de pé. Mas não sei se é pela força dele ou pela minha leveza ou talvez pelo magnetismo, quem sabe, não é? Eu me jogo nos braços dele.
Que delícia!
O homem não é só um gostosão, ele cheira bem. O perfume é quente e leva meu coração a mil. Sinto tudo em mim se aquecer: as maçãs do rosto, o pescoço, os s***s, entre as pernas... até o cérebro ferve dentro da cabeça.
— Opa! — ele me abraça contra o corpo e ri, abaixa o rosto e encosta o queixo no topo da minha cabeça.
Que encaixe, senhoras e senhores. Que encaixe!
Se eu sentar nesse homem, nem o rei Arthur me tira dele!
Se o ditado é verdadeiro e toda a panela tem a sua tampa, eu quero essa tampa aqui.
Ele me envolve por horas, é o que sinto. Mas na verdade não passa de dois segundos, no máximo.
Então me afasto, desengonçada e rindo de nervoso.
— Oi — passo a mão pelo cabelo e o jogo para trás, pisco os olhos mais do que alguém sem derrame faria.
— Oi — ele diz.
Pronto, pago cem mil. É cem mil que você quer para me levar às nuvens? É cem mil que vou colocar na sua conta, docinho.
— Desculpa, eu estava meio distraído e não te vi — ele cruza os braços e sorri.
A cor da pele dele, bronzeada assim, é uma tentação. Ele dever ir muito à praia, talvez seja até surfista, por esse corpo tão bem trabalhado. Mesmo as roupas não conseguem esconder os músculos, o porte e, claro, a postura. Esse homem tem cara de que não vale um dólar. E eu aqui, louca, quero oferecer cem mil.
— Tudo bem — tento não rir de nervoso. — Eu sou Maddie, sua vizinha — aponto para a casa ao lado.
Ele ergue a sobrancelha, olha na direção da minha casa e assente. Parece que me reconheceu.
Pelo olhar que me direciona e o sorriso sacana, deve estar se lembrando da cena do café cuspido na janela. Meu Deus, que vergonha!
— É claro — ele diz. — Brandon — ele estende a mão e eu a aperto sem pensar duas vezes. — Seu vizinho. Ao seu dispor.
Que mão! Que aperto! Que firmeza!
Eu disse anteriormente que fiquei aquecida? Aquecida não é bem a palavra. Pegando fogo pode chegar perto do que estou sentindo. As minhas orelhas queimam, a respiração fica entrecortada e eu levo a outra mão para massagear o dorso da dele.
Por um segundo não consigo desvencilhar o pensamento dessa mão tão firme me fazendo uma massagem nas costas... quem sabe dando uns tapas em minha b***a? Ou até mesmo apertando o meu pesco...
— Maddie?
— Sim? — pisco os olhos.
Ele sorri, mostrando aqueles caninos afiados, os dentes bem enfileirados e branquinhos. Os lábios grossos formam um sorriso convidativo. Será que já podemos pular para a parte das apresentações e ele pegar no meu peito? Porque se eu continuar aqui mais um minuto eu aperto o dele. E ainda o beijo na boca.
— Conte-me a honra de recebê-la aqui em casa — ele diz.
Ele tem ar de homem de negócios, ocupado e requisitado, tem postura séria, porte de macho alfa. Mas é tão leve no modo que fala e me encara, parece descontraído e cheio de vida! Não consigo ficar sem sorrir e mexer no cabelo.
— Então... eu... hum... queria saber quanto você cobra?
Ele fica interessado. Levanta a sobrancelha e entreabre os lábios.
— Para me deixar de atestado médico — solto.
Ele sorri de um jeito sacana e aponta o indicador para mim.
— Mas eu não sou médico — Brandon contrapõe.
— Não, não é isso, você não é o médico, você vai me deixar... não, espera... — me curvo e seguro nos joelhos enquanto respiro e tento parar de rir. — Espera... preciso de um segundo para organizar os pensamentos.
— Tudo bem — ele diz de imediato. — Vou levar o lixo para fora, enquanto me acompanha, você pode organizar seus pensamentos — ele diz e fecha a porta da casa.
Hum... pelo visto não tenho permissão para entrar em seu mundo proibido, não é, Brandon?
— Certo, eu te ajudo — pego uma das sacolas pretas no chão e o acompanho.