Episódio 30

1488 Words
— Den ipárji típota edhó (Não há nada aqui). Ele ouviu uma voz firme. Ele se virou para Melina, falando com ela por meio de gestos para pedir que ela se acalmasse. Passos moveram-se da popa para a proa do veleiro antes que o silêncio reinasse novamente. A chuva continuou a cair, menos intensa, mas ainda constante. Willian observou as luzes se afastarem da área, embora soubesse que os homens ainda estavam à espreita por perto. Ele aproximou-se da jovem, que o olhou com os seus grandes olhos cheios de medo. — O sol nascerá em uma hora. Se começarmos agora, vamos levantar suspeitas, ele explicou em voz baixa. Ela assentiu. Você sabe o que eles disseram significa? Ela franziu a testa e balançou a cabeça lentamente. — Está tudo bem, não se preocupe. Não force a sua mente agora. Devemos permanecer em silêncio por pelo menos uma hora. Quando os barcos de pesca começarem a se mover com o amanhecer, nós também começaremos, ok? Melina assentiu novamente, com os olhos ainda fixos nele. — Vou verificar a área e proteger tudo até lá. Ligar este motor não é fácil, e precisamos… — Não me deixe sozinha. Ela implorou, segurando o suéter dele com força. — Por favor, não me deixe sozinha. Ela implorou novamente com uma voz delicada. Willian se acomodou na frente dela, vendo o medo em seus olhos, um medo que ele nunca havia encontrado no olhar de mais ninguém. — Não vou deixar você sozinha. Ele garantiu, com firmeza, mas com gentileza. — Mas para sair daqui, preciso garantir as nossas vidas e este veleiro, que será o lugar onde ambos estaremos seguros. Acrescentou ele, percebendo que ela o ouvia atentamente. — Estamos partindo em breve, Melina. Para que você sinta um pouco de liberdade. Eu cuidarei do que você passou, mas preciso que você não apenas confie em mim, mas também seja forte e corajosa, como tem sido todo esse tempo. Melina estremeceu, soltando um suspiro suave quando a mão de Willian roçou a sua bochecha. Foi um toque firme, mas diferente de tudo que ela conseguia se lembrar, diferente de tudo que ela já tinha sentido antes. — Faremos isso direito. Disse Willian, fazendo-a concordar. Àquela altura, a herdeira ferida sabia que tinha apenas uma chance de ser livre, de recuperar uma vida da qual m*al se lembrava ou de construir uma nova onde ninguém pudesse machucá-la. Essa oportunidade nasceu com o homem que a observava com uma intensidade que a fazia arrepiar: o estranho do veleiro, Willian, o agente do FBI de barba grisalha em quem, estranhamente, ela já confiava. — Faremos isso direito. Repetiu Melina, quase num sussurro. Willian deixou aquele toque na pele feminina depois de assentir, movendo-se cuidadosamente pela área até a porta, que ele abriu gentilmente. Sabendo que estava numa posição vulnerável, ele agachou-se no corredor e espiou por uma das janelas para observar a atividade de busca continuar no porto e em embarcações próximas. Melina estendeu a mão, chamando-o silenciosamente enquanto ele estava fora de vista, mas ela permaneceu onde ele havia indicado. Ela se recostou com as pernas dobradas em direção ao peito, tentando controlar a respiração e não se perder no caos do medo. Ela sentiu alívio quando Willian retornou ao seu campo de visão, agora segurando um par de binóculos que ele colocou na frente de uma janela para observar a situação. Embora a iluminação fosse muito precária, o equipamento que ele utilizou tinha visão noturna embutida, o que lhe permitiu ter uma ideia melhor do que estava acontecendo. Melina não mentiu: os homens não apenas pareciam fortes, mas também pareciam preparados e treinados para manusear as armas que carregavam. Willian identificou rifles de longo alcance nas suas mãos e pistolas distribuídas em quatro pontos específicos nas suas roupas. As balaclavas lhes davam anonimato, embora, mesmo sem elas, ele não teria conseguido reconhecer ninguém ali. Ele mudou de posição para outro ponto e notou uma figura menor e mais delicada que parecia uma mulher. Ela estava perto de uma van equipada e, toda vez que os homens retornavam com uma recusa, ela comunicava por rádio. — Quem são essas pessoas? E por que eles fizeram isso? Perguntou-se em voz baixa, enquanto olhava de soslaio para o quarto onde estava a assustada herdeira. O que eles querem dela? Melina tapou os ouvidos quando um som estridente, semelhante a um alarme, ecoou pela área. Até Willian teve que se encolher um pouco, encolhendo os ombros em desconforto, mas não desviou o olhar. Ele observou enquanto os homens começavam a se mover em direção aos caminhões perto do porto, que, um por um, começaram a sair e se afastar da área. Voltando a sua atenção para um ponto no penhasco que ele reconheceu, o lugar que ele tinha certeza que Melina tinha estado, um antigo hotel de propriedade do seu pai, ele ajustou o zoom do binóculo. Entretanto, a distância era grande demais para distinguir claramente a figura que ele via. Ele parecia um homem, mas seu comportamento não era semelhante ao dos soldados que realizavam a busca. Em vez disso, ele estava elegantemente vestido, o que o fazia se destacar. — Quem é você? Ele se perguntou novamente, exalando um longo suspiro enquanto observava a figura desaparecer ao entrar no prédio. Willian abaixou o binóculo quando o alarme parou de tocar. A essa altura, restavam apenas a chuva e as luzes que se moviam pela vegetação do penhasco, desaparecendo aos poucos nas suas encostas. Ele conseguia imaginar a estrutura grande e imponente, mas não conseguia entender como era possível que a herdeira nunca tivesse saído da Grécia. Embora tivesse deixado a sua ilha particular, ela não havia deixado o país. Como conseguiram mantê-la presa por um ano inteiro sem que ninguém percebesse? Mais calmamente, ele aproximou-se do quarto de Melina. A jovem levantou o rosto de entre as pernas dela e olhou para ele atentamente. — Parece que eles foram embora. Você já ouviu esse som antes? Perguntou Willian. Ela balançou a cabeça. — Bom, por enquanto só nos resta esperar, Melina. Ele olhou para o relógio. — Faltam quarenta e dois minutos para as cinco. Partiremos nessa hora. — Quarenta e dois minutos… Repetiu ela num murmúrio. — Você pode ficar aqui comigo? — Eu farei isso. Volte para a cama. — Acho que não vou conseguir dormir de novo. — Você deveria tentar. Volte para a cama. A jovem obedeceu, embora olhasse para o teto. Willian percebeu que ela parecia estar contando com o dedo, talvez um hábito adquirido no cativeiro, onde certamente não lhe era dada noção de hora ou dia. Ele colocou a arma de volta no cinto e pegou um pequeno banco, que levou até a porta para se sentar. O cansaço estava tomando conta dele, mas ele não iria deixar que isso acontecesse até que ele deixasse aquele lugar, que certamente continuaria sendo o ponto de busca quando a noite caísse novamente. Ele tinha muitas perguntas e uma necessidade de encontrar respostas, mas o silêncio caiu entre os dois, acordados, mas exaustos. Quando o pequeno alarme de dois sinos disparou, Melina se virou para olhar para ele. Willian sustentou o olhar dela e suspirou profundamente antes de se levantar. Esticando o corpo, a jovem notou apenas um pouco do abdômen marcado do homem, mas então os seus olhos encontraram os dele, cheios de angústia evidente. — Fique aqui. Ele ordenou. Ela assentiu, observando-o sair e fechar a porta atrás de si. Cuidadosamente, Melina saiu da cama e olhou pela janela. A chuva havia se transformado numa brisa leve, e o amanhecer começava a raiar diante dela. Lágrimas escorriam incontrolavelmente enquanto eu observava o céu mudar de cor. Quando os motores do veleiro começaram a rugir, a sua respiração ficou difícil. Cada barulho, cada movimento, cada puxão do barco a enchia de uma mistura de alívio e ansiedade. Ali, naquele veleiro que fora seu refúgio, Melina sentiu pela primeira vez em muito tempo o que era a esperança da liberdade. Willian, enrolado no seu casaco com capuz, estava desfazendo as cordas que prendiam o barco ao cais. Ele não olhou para lugar nenhum, embora a tentação fosse imensa. Ele manteve a seriedade enquanto caminhava de volta para o navio. Uma vez a bordo, ele notou Alexios à distância, confuso, gesticulando na sua direção. Sem hesitar e com um passo rápido, Willian assumiu o controle da cabine e começou a dar ré para sair do porto. O seu coração batia forte enquanto ela observava Alexios correr, como se quisesse detê-lo. Até Dimitrios apareceu no cais logo depois, mas Willian continuou com a sua decisão, conduzindo o veleiro para longe do porto. Enquanto navegava pelo Mar Egeu, ele sentiu o peso da sua responsabilidade, mas também a determinação de continuar. Na cabine, Melina chorava profundamente. Depois de tanto tempo, finalmente soube o que era sentir, mesmo que só um pouco, de liberdade.
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