— E você acha que esse "algo" é essa missão? Perguntou Adam.
— Acho que sim. Bem, eu realmente tenho certeza. Respondeu Willian, rápido e confiantemente. — Estou aqui porque eu tinha que estar aqui. Cheguei até a voltar para Atenas, mesmo já tendo visitado esse lugar, porque senti que precisava. A chegada desta herdeira, cujo sobrenome está na minha mente desde que percebi o impacto que ela tem neste país, provou que eu estava certo. Vim aqui para salvar Melina Krykos.
— E isso pode custar a sua vida.
— Não vai. Willian suspirou pesadamente. — Amigo, prometo que voltarei. Garanto que retornarei. Quando ela estiver num lugar realmente seguro e se lembrar de quem a machucou tanto, eu retornarei. Com a satisfação de saber que não sou apenas útil, mas também um bom agente… e uma boa pessoa.
A risada de Adam era clara. Ele balançou a cabeça, desconfortável, desesperado e angustiado.
— Tenho cerca de dez casos não resolvidos de desaparecimentos e homicídios. Venha e aplique essa necessidade aqui… Ele pediu brincando, mas depois baixou o olhar. — Willian, acho que isso é demais. Para você, para uma pessoa apenas. É um caso muito complexo e, se o que você ouviu, o que ela lhe contou e o pouco que sabemos sobre o que aconteceu longe da nossa área for verdade, pode ter certeza de que, de agora em diante, haverá um alvo na sua cabeça.
— Eu sei, mas vou tentar resolver antes que me encontrem.
Adam não teve uma resposta imediata.
Willian estava parado na porta, mas ainda não havia saído de sua cabine, esperando a confirmação e a disponibilidade do amigo para esta nova e arriscada missão. Nesse ponto, o seu papel como um homem solteiro que se curava da infidelidade foi completamente deixado de lado. O intrépido e astuto agente havia tomado seu lugar. Ele sabia que havia muito em jogo, incluindo a sua própria vida e, em última análise, a da herdeira. No entanto, ele agarrou-se à possibilidade de alcançá-lo, desde que tomasse as medidas certas.
— Posso ajudar você com o que precisar. Adam finalmente disse, e Willian só conseguiu suspirar de alívio. Mas eu te aviso, Willian Voss, que ao primeiro sinal de que esse caso está ligado a clãs mafiosos ou algo muito pior, não só enviarei um esquadrão especial para levá-lo à embaixada, como também o acusarei diante da sua mãe.
A risada de Willian não demorou a chegar. Foi leve em meio ao momento tenso e aliviou algumas das emoções que o oprimiam. Mesmo que Adam não pudesse ver, Willian acabou concordando.
— Bem, fui avisado.
— Perfeito. Agora, o que você precisa para começar?
— Não há como encontrar informações sobre essa família aqui, nem mesmo sobre a mãe. Preciso que você me envie, criptografado se necessário, a biografia e os detalhes de Melina Krykos, Leander Krykos e Gianella Caduff…
— E quem é essa?
— A mãe da herdeira. Respondeu Willian enquanto abria a porta. Preciso de informações claras e detalhadas sobre eles. Algo muito mais amplo do que um resumo da indústria do entretenimento. — Também preciso de um mapa de conexões para me ajudar a entender de onde o ataque contra a herdeira pode ter vindo e por quê. Ele explicou. — Como eu disse na ligação anterior, o que você me enviou anteriormente parece não terminar de carregar. As imagens mostram um erro, indicando que há um sistema de telecomunicações que bloqueia quaisquer dados relacionados a elas de ou para a Grécia. Só conheço uma pessoa que tem esse nível de poder…
— Enzo Durand. Adam murmurou enquanto Willian se movia pela área.
— Sim. Não tenho certeza se ele está envolvido no que está acontecendo aqui, mas se não estiver, há alguém tão poderoso e conhecedor de tecnologia de rastreamento e comunicação quanto ele. Ele alertou. A essa altura, o medo de Adam já havia se multiplicado. — Caso você não consiga enviar as informações por nenhum meio, podemos usar a linha especial que você nos forneceu. O correio. Se funcionar, significa que ele não é quem está bloqueando tudo relacionado aos Krykos neste lugar.
Adam não respondeu imediatamente. Àquela altura, estava claro que Willian não daria ouvidos à razão. A missão que ele havia assumido já estava entre as suas sobrancelhas, e ele não descansaria até resolvê-la. Era assim que ele era. Mas Adam temia que desta vez a decisão lhe custasse a vida. Por essa razão, não hesitaria em ajudá-lo com tudo o que pudesse, até mesmo viajando para aquele país desconhecido para mantê-lo seguro.
— Procurarei todas as informações relevantes que puder reunir, além das fofocas em torno dessas pessoas, e as enviarei a você criptografadas por e-mail. Se houver problemas, fazemos de outra maneira.
Willian fechou os olhos aliviado.
— Muito bom. Obrigado, Adam.
— Não importa. Por favor, mantenha contato. Nunca pare de me dizer onde você está. Acho que você já deveria começar a se preparar para sair daquele lugar.
— Eu farei isso e te informarei de qualquer coisa. Até mais.
— Até mais, Willian. Pelo amor de Deus, tenha cuidado. Lembre-se de que há pessoas aqui que o amam e o apreciam, que querem vê-lo de volta.
— Eu sei, eu sei, amigo. Eu aprecio isso.
— Claro, claro…
Quando a ligação terminou, Adam só conseguiu suspirar enquanto olhava para o equipamento. Willian, por sua vez, levou as mãos aos cabelos, empurrando-os para trás. Como amigos de longa data, ambos serviram em inúmeras missões, ajudando um ao outro. Mas esta seria a primeira vez que eles vivenciariam algo assim, não apenas à distância, mas também com um significado muito mais sombrio e perigoso do que qualquer outro antes.
Willian estava se dirigindo para a cabine da jovem quando percebeu movimentação no porto. Os grandes caminhões se moviam pela rua rochosa. Não havia mais cães, ou pelo menos eles não eram mais audíveis, mas ele conseguia distinguir as sombras de homens altos, fortes e armados que começaram a andar por todo o cais, aproximando-se dos barcos atracados na área. Ele sabia exatamente o que eles estavam procurando, então não hesitou em se mover rapidamente em direção ao quarto.
Ele fechou a porta e entrou na cabine, encontrando os grandes olhos de Melina, que o olhou surpresa quando ele cobriu a boca com a mão. A jovem olhou para ele, assustada, mas Willian fez um gesto com a mão para que ela permanecesse em silêncio, afastando-a lentamente da janela. Ele sabia que se as luzes brilhassem sobre ela, a sua sombra poderia denunciá-la. Ela o seguiu com passos incertos, indo até uma área onde ele pressionava as costas contra o metal do navio.
O corpo feminino nos seus braços começou a tremer enquanto ela o observava sacar a arma e apontá-la para a porta. Melina agarrou-se ao peito dele, fechando os olhos e praticamente se encolhendo em posição fetal enquanto ouvia os passos ecoando pesadamente no convés do veleiro. Willian se manteve firme, ouvindo os passos e murmúrios em grego que ele não entendia. Os seus dedos apertaram a arma enquanto os homens sacudiam as portas que ele havia fechado depois que os irmãos Petrakis foram embora.
Ele colocou um dedo nos lábios novamente, sinalizando para Melina permanecer em silêncio. Ela assentiu, cobrindo a boca com as duas mãos para que nem mesmo a sua respiração difícil pudesse ser ouvida. Os homens continuaram a revistar o veleiro, mas Willian se moveu ligeiramente contra a parede, m*al espiando pela janela. De lá ele podia ver as lâmpadas que iluminavam as posições onde os homens estavam.