Episódio 28

1652 Words
Ele estava deitado na sua cabine esperando a ligação que Adam faria assim que chegasse ao escritório. Embora o seu amigo se sentisse profundamente desconfiado e inseguro sobre as decisões que Willina estava tomando, ele nunca lhe ne*gou ajuda para iniciar o que poderia ser o caso mais arriscado da sua vida, mas também um que poderia catapultá-lo para uma parte tão importante de si mesmo. A jovem, depois do banho e da profunda liberação emocional que sentiu no peito, que já não estava molhada como quando a deixou, adormeceu facilmente. Willian não saiu do local até ter certeza de que ela estava dormindo profundamente. Àquela altura, ele já entendia a realidade e a magnitude do que havia concordado, embora não estivesse totalmente ciente da escuridão que essa missão envolvia. Com base nas histórias que os seus funcionários contaram-lhe, ele pôde intuir que a família Krykos não apenas possuía um poder de compra colossal graças ao seu império hoteleiro. Um poder que, apesar das decisões de Leander de fechar todas as filiais naquele país, não havia diminuído a sua fortuna ou a sua posição global. Mas também que a suas conexões podiam se estender a mundos mais obscuros, como a máfia, o tráfico de pessoas e até mesmo o tráfico de drogas. Willian encostou a cabeça na parede, m*al fechando os olhos. Ele se sentia cansado, um tanto esgotado, mas sabia que não conseguiria dormir. A chuva havia diminuído, e ele temia que Alexios ou Dimitrios viessem procurá-lo para levá-lo ao albergue. Eu sabia que tinha que deixar aquele porto no máximo entre quatro ou cinco da manhã. Mesmo assim, ele permaneceu alerta, observando o máximo que podia do seu veleiro em busca de qualquer movimentação relacionada às pessoas que haviam detido a jovem herdeira. O seu corpo deu um pulo quando o celular começou a vibrar. Ele atendeu o chamado imediatamente. — Já estou no meu escritório. Onde você está? Perguntou Adam. — Eu ainda estou no mesmo lugar, Adam, no meu veleiro, no porto de Atenas, e… — Não fale comigo como um idi*ota. Estou bravo com você agora. Respondeu o seu amigo em tom firme. Willian sorriu fracamente. — Onde está aquela garota? — Ela está dormindo em uma das cabines. Explicou Willian. — Ela estava muito cansada. Ela tem ferimentos por todo o corpo e aparentemente eles usaram injeções para controlá-la. Ele não se lembra muito do seu passado. Até mesmo sobre o que ela vivenciou naquele lugar ela tem lacunas mentais. A coisa mais clara que ela sabe é o que fez para se salvar e o que memorizou sobre si mesma. — E o que é? Perguntou Adam. — Eu sou Melina Krykos. Tenho vinte e cinco anos e fui sequestrada. O suspiro de Adam foi pesado. — Bem, ela devia ter vinte e seis anos, de qualquer forma, porque ela desapareceu quando foi comemorar o seu vigésimo quinto aniversário naquela ilha. Explicou Adam. — Além disso, como você tem certeza de que é realmente ela se não a conhece? — O seu rosto me parece familiar. Eu a vi no noticiário, na última noite em que estive em Los Angeles, no dia em que completou um ano do seu desaparecimento. Explicou Willian. — Não decorei bem os detalhes nem li a notícia toda, mas tenho certeza de que é ela. Adam balançou a cabeça enquanto analisava as informações no seu computador. Ele inseriu o nome da herdeira no sistema. Ele não encontrou muitas conexões com ninguém em Los Angeles ou nos Estados Unidos, mas quando ampliou a sua busca, várias referências a Melina apareceram. A sua carreira de modelo, sua entrevista para a Forbes, sua atividade contínua nas redes sociais... tudo estava lá, como se tivesse parado abruptamente no dia em que ela desapareceu. Adam não pôde deixar de reparar nas fotos. Ele a achou linda, certamente uma beleza exótica: cabelos escuros, olhos esverdeados com brilhos dourados, pele clara e um corpo delicado. Enquanto a observava, ele perguntou-se quem poderia ter sido tão bárbaro a ponto de machucar uma garota como ela, e por que mantê-la presa por um ano sem motivo aparente. — Willian, acho que você não deveria fazer isso. Adam alertou. — Adam… — Não. Me escute. Se essa garota é quem ela diz ser, saia daí. Encontre um porto maior e mais seguro, cubra-a até os pés e leve-a à polícia. Se eles estão procurando por ela há um ano, garanto que você será visto como um herói. Você não precisa dos elogios dos gregos nem de se envolver em algo que parece obscuro em muitos aspectos. Aconselhou o seu amigo. — Essa garota desapareceu há um ano. Ela foi dada como morta em muitas reportagens. O desaparecimento dela paralisou um país inteiro por uma semana. Acrescentou Adam, a suas palavras correspondendo ao que Alexios havia lhe dito. — O seu pai, ao que parece, também aceitou que nunca mais a veria. Receio que ele tenha feito isso por um motivo... Adam cobriu o rosto com uma das mãos, mas continuou falando. — Sinto que se você se envolver, nunca mais vou te ver. Nem eu, nem a sua mãe, nem ninguém que você conheça. Você não foi para aquele país numa missão especial, você não foi como um agente, mas como um homem que falhou. Ele o lembrou. — Imaginei você indo de festa em festa, de perna em perna, voltando depois de trinta dias talvez um pouco bronzeado, arranhado de tanta trepada, mas certa de continuar com a vida que você queria mandar para o infer*no por causa da infidelidade. — Adam, há uma razão pela qual decidi vir para a Grécia, pegar o meu veleiro e fazer essa rota… — Sim, e o motivo é que você encontrou a sua esposa com dois homens no dia do seu casamento! Ele disse exasperado. Você não foi com uma missão maior do que curar, do que perceber que você era mais do que apenas o namorado de Grace. Pelo amor de Deus, cara! Isso é suspeito, parece um pouco mais pesado do que poderíamos ter suportado em qualquer outra missão. E nós dois trabalhamos em alguns casos difíceis. Ele disse, suspirando junto com Willian. — Eles mantiveram essa garota trancada por um ano. Disse ele. — Eles não pediram resgate, não a chantagearam, não houve nada além daquele primeiro mês de busca, e então, parece que a Grecia e o seu pai se esqueceram dela... — E aparentemente eles a mantiveram num hotel de propriedade da família deles. — E isso não torna tudo mais suspeito, mais sombrio para você?! Perguntou Adam. Willian enxugou os olhos novamente e saiu do local porque sentia que se ficasse na cama, acabaria dormindo a qualquer momento. — Leve-a à polícia. Se ela realmente for uma menina amada pela família, garanto que o pai dela irá buscá-la e cuidar dela. Caso contrário, não é sua responsabilidade o que acontece com ela. — E colocá-la de volta onde estava? — Você não sabe onde ela estava! Adam exclamou, exasperado. — Poderia ter sido a máfia, os traficantes de drogas… ou a própria família dela! Willian franziu a testa. — E você vai se envolver em algo que não conhece, com pessoas que nunca viu na vida, num país que não é seu, onde você nem entende a língua. Diga-me que você vê tudo o que tem contra você para continuar com essa ideia de ajudar a herdeira perdida que apareceu de repente no seu veleiro. Willian entendeu bem o desespero do amigo. Ele sabia que as palavras dele eram fruto de preocupação e, claro, se a situação fosse inversa, ele provavelmente pegaria um voo para salvar Adam de fazer algo maluco. Mas naquele momento ele teve a sensação de que levar a garota à polícia seria o pior erro. Ele também tinha certeza de que isso o condenaria a nunca mais ver a luz do dia. Estava claro que havia algo obscuro no desaparecimento da jovem, no seu cativeiro e na maneira como ela foi mantida isolada do mundo por um ano, sem pedir dinheiro, sem exigir nada em troca, nem mesmo matá-la. E, por isso mesmo, Willian sentia que os envolvidos não eram apenas pessoas no poder, mas também pessoas próximas à família ou à própria Melina. Pessoas de confiança que estavam atrás de algo maior do que dinheiro de resgate. Mas o quê? — Você me ouviu? Perguntou Adam. — Eu ouvi. Eu lhe asseguro que sim. E eu entendo você, eu faço isso porque eu também me sentiria desesperado se você decidisse fazer algo que parece loucura… — Isso é loucura. Adam o interrompeu rapidamente. — Você é um agente do FBI, não um super-herói. A risada de Willian foi breve, mas não contida. — Eu sei, eu lhe asseguro. O problema é que não posso simplesmente ir embora. Disse Willian com firmeza. Adam balançou a cabeça do outro lado da linha. — Não posso deixá-la numa delegacia, não posso ir para casa com a consciência tranquila sabendo que posso acabar entregando essa garota de volta aos monstros que a mantiveram em cativeiro por um ano e lhe causaram tanto m*al. Tenho certeza de que há algo na sua mente, memórias daquela noite de festa quando ela desapareceu. É só uma questão de cavar mais fundo. Adam, agora de pé e visivelmente cansado, beliscou a ponta do nariz. — Desde que decidi vir para cá, depois do que Grace fez, senti que havia uma missão. Sempre tive um palpite de que na Grécia encontraria algo que me faria sentir vivo novamente, que me daria uma razão para continuar… ‍‌‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​​‌​‌​‌​‌​‌
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