Felipe estava em surto. Ao notar que seu celular secreto não estava no esconderijo, seu primeiro instinto foi o de sempre: culpar o irmão. Ele não sabia como, mas na sua cabeça distorcida, Eli devia ter invadido a casa. Cego pelo ódio e pelo medo do que havia naquele aparelho, ele dirigiu como um louco até o Studio Phoenix .
Ele invadiu o estúdio aos gritos, chutando a porta de entrada.
●Onde é que ele está?! Eli, seu desgraçado, eu sei que você pegou!
gritava Felipe, o rosto vermelho, perdendo totalmente a pose de "anjinho".
Manu tentou bara-lo, mas Eli saiu de trás da bancada. Ele estava calmo, mas era a calma que precede um furacão.
●Cadê o meu celular, seu marginal?
Felipe avançou, apontando o dedo no rosto de Eli.
●Você quer me destruir, não é? Quer jogar o papai contra mim porque você é um lixo que ninguém ama...
O som do impacto foi seco. Eli desferiu um soco certeiro e pesado,no rosto de Felipe, que foi ao chão instantaneamente, o nariz jorrando sangue sobre o piso impecável do estúdio. Manu deu um passo atrás em choque; ela nunca tinha visto Eli fechar o punho para nada que não fosse sua arte.
Eli se inclinou sobre o irmão, os olhos brilhando com uma dor de anos.
☆Cala a boca, Felipe. Eu cansei!
a voz de Eli saių como um trovão.
☆Eu cansei de fazer tudo certo enquanto você apodrece tudo o que toca! Eu cansei de ser o seu escudo, de catar sua sujeira para você sair de santo!
Felipe tentoų falar, mas Eli o segurou pelo colarinho da camisa cara.
☆Você me tirou tudo. Tirou o respeito do meu pai, tirou a paz da minha mãe. Por sua causa, Felipe... por causa das suas mentiras e do jeito que você me fazia sentir um monstro... eu tentei tirar minha própria vida.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Até Felipe estacou, os olhos arregalados
☆Gracas à Manu eu estou aqui hoje!
continuou Eli, as lágrimas finalmente caindo
Porque se dependesse de você e daquela casa maldita, eu seria apenas uma foto na estante que vocês fingiriam lamentar. Saia daqui agora antes que eu termine o que você começou a fazer com a minha vida.
Por um breve segundo, um lampejo de culpa cruzou o rosto de Felipe. Ele viu o abismo que ajudou a cavar. Mas o caráter de um sociopata é resiliente. Ele se levantou, limpando o sangue com a manga da camisa, ele hou para Eli com um misto de medo e nojo.
●Você está louco
murmurou Felipe a ,voz voltando ao tom de vítima .
Ele saiu tropeçando do estúdio.
Assim que entrou no carro, o remorso momentâneo foi substituído pelo instinto de autopreservação. Ele pegou o celular oficial e, soluçando de forma ensaiada, ligou para o pai.
●Papai... o Eli... le me espancou .... eu fui atrás dele para tentar pedir que ele voltasse e ele quase me matou...socorro, pai!