Capítulo 26 – Entre a Razão e o Desejo

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Marta tentou. Tentou como quem luta contra a correnteza, com os braços cansados e o peito doendo. Repetiu para si mesma todos os mantras da ética, da postura profissional, do autocontrole. Mas tudo isso parecia frágil quando ela lembrava do toque dele, do olhar carregado de dor e desejo, do corpo dele colado ao seu. Ela era médica. Ele, paciente. Ela era razão. Ele, instinto. Ela era silêncio. Ele, caos. Mas alguma coisa dentro dela — algo enterrado há muito tempo — gritava sempre que sentia o cheiro dele no ar. E mesmo sem vê-lo, ela o sentia. Sabia quando ele estava por perto. Sentia a presença densa, intensa, como se o ar mudasse de temperatura. Ela o buscava com os olhos, mesmo sem querer. Se pegava imaginando a boca dele, lembrando da força contida no toque, da reverência

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