Αλήθειες - PARTE DOIS

4951 Words
(...) 15 de dezembro — 2018 Santorini – Grécia Eu admirava a mulher ressonando tranquilamente ao meu lado, deixando meus olhos passear por toda a extensão de seu corpo e cada mínimo detalhe de seu rosto, que estava repousado no travesseiro macio da grande cama de casal de seu quarto. Passou-se um mês desde aquele fadado dia em que Katarina matou meu chefe, e como previsto, tudo desandou por uns dias. A investigação da polícia estava indo a todo vapor até hoje, com detetives até de outros estados averiguando o caso e a possível causa da morte, já que as câmeras de segurança estavam desligadas no dia para uma atualização do sistema. E como Katarina não havia deixado impressões digitais no corpo de Richard, não havia como culpar ninguém. E tudo isso ocorreu do modo mais discreto possível, para não deixar o hotel em situações delicadas para novos hospedes. Ainda estavam decidindo quem iria tomar a gerencia do hotel, mas havia rumores entre alguns funcionários que viria uma gerente de outra matriz do hotel, localizado em Londres, para tomar o lugar aqui. Sai de minhas divagações quando Katarina suspirou pesadamente, ainda absorta em seu sono, franzindo de leve as sobrancelhas, mas logo relaxou novamente. Ela estava deitada de bruços, com os braços abraçando seu travesseiro e uma perna levemente erguida para cima, totalmente confortável. Estávamos em sua mansão em Santorini, para descansarmos durante alguns dias. O Hotel havia fechado durante duas semanas para o recolhimento de provas, mas já haviam reaberto, e até o início do ano decidiriam quem seria o novo gerente. Como eu tinha entrado de férias da faculdade por causa do fim de ano e de férias do trabalho, decidi vir passar um tempo com Katarina aqui em sua casa. Já tinha se passado uma semana que estava aqui, e me sentia profundamente bem. Minha alma parecia completa e tranquila ao lado da mulher que eu estava completamente apaixonada. Eu me sentia bem ao seu lado, como nunca havia me sentido ao lado de ninguém. Estávamos tentando viver sem pressa, com calma. Tudo em seu devido tempo. Eu não tinha medo de me entregar a ela, só queria o momento certo. Ainda existia algumas barreiras que deveriam ser quebradas para darmos outros passos, muitas coisas escondidas que precisavam ser expostas para conseguirmos seguir em frente juntas. Eu queria saber tudo sobre ela; suas histórias, seu passado, nossas vidas anteriores; do mesmo jeito que ela sabia tudo sobre mim. A fitei mais uma vez, perdendo-me momentaneamente em sua beleza. Seus cabelos castanhos estavam espalhados por todo o travesseiro e lençol branco que cobria o colchão, deixando suas costas, que estavam parcialmente descobertas pelo tecido da camisola de alças finas, visível. Ergui minha mão direita e tracei suavemente caminhos com as pontas dos dedos sobre a pele macia e morena de suas costas, sentindo-a suspirando pelo carinho que eu fazia. Seguia com os olhos os movimentos dos meus dedos, sorrindo de leve ao ver sua pele arrepiada pelos meus toques, gostando muito da sensação de fazê-la sentir isso. - Não para, amor. – Ouvi seu sussurro sonolento quando parei com a caricia. Mirei seu rosto e vi seus olhos semiabertos fixos nos meus. - Tudo bem. – Voltei a acariciar suas costas, assistindo-a fechar seus olhos e mais uma vez suspirar calmamente. Sorri, quase podendo sentir meu coração derretendo com a cena. Katarina conseguia ser incrivelmente fofa quando queria com esse jeito manhoso e preguiçoso. – Está acordada agora? – murmurei baixo, não querendo quebrar o clima calmo. - Uhum. – Ri baixo pelo seu resmungo abafado pelo travesseiro, já que Katarina afundou seu rosto no mesmo. - Eu queria te perguntar uma coisa. - Pode falar... O que quer saber? – Katarina virou seu corpo de lado, igual a minha posição, após falar. Ela arrastou-se lentamente em minha direção e deitou sua cabeça em meu peito, abraçando minha cintura com seu braço esquerdo e colocando sua perna sobre meu quadril. - Eu acabei de ter outra lembrança. – Murmurei acariciando seus cabelos, passando meus dedos entre os seus fios castanhos. - Ah é, qual? – Sua voz estava baixa contra meu pescoço, arrepiando minha pele com seu hálito quente. - Porque não me falou que nos conhecemos quando eu tinha 16 anos? – Perguntei. – Você me salvou aquele dia me levando para minha mãe. - Queria que você descobrisse isso sozinha, e sim, eu sabia que eventualmente você se lembraria. Senti um beijo suave ser depositado em meu pescoço, me fazendo sorrir com a sensação quente de seus lábios macios pressionados contra minha pele. Puxei-a ainda mais contra meu corpo, apertando-a contra mim. Adorava sentir o calor de sua pele, a maciez, o cheiro, a textura... Tudo nela me atraia. - Com a morte dos meus pais, várias memórias ficaram trancadas em minha mente, inclusive essa. – Senti Katarina começar a acariciar minha clavícula exposta pela regata que usava, usando as pontas dos dedos, enquanto me ouvia atentamente. – Eu me lembrei de como fiquei impressionada com sua beleza, não muito diferente de agora. – Ela riu baixo, deixando outro beijo em meu pescoço. - Eu me lembro bem da sua cara de boba no dia. Me segurei para não rir. - Ei! – Protestei enquanto beliscava suavemente a carne de sua cintura, fazendo-a se contorcer em meus braços, soltando uma risada. – Eu tentei disfarçar naquele dia, mas pelo visto não adiantou. - Não mesmo! - Mas como você conseguiu me achar naquele supermercado enorme? E como sabia que eu estava lá? – Perguntei genuinamente curiosa, franzindo as sobrancelhas. - Eu sempre cuidei de você, amor. Observava você de longe, protegendo-a de tudo, e nesse dia não foi diferente. Eu perdi você de vista por um momento, até me concentrar e ouvir sua respiração pesada bem longe de onde estava. - E como pegou o chocolate? Não tinha visto nada em suas mãos na hora em que nos encontramos. – Era bom saciar minha curiosidade a muito tempo esquecida em meu interior. - Eu vi que você tinha ficado triste por causa da barra derretida e corri até a sessão de doces para pegar outra. - Mas eu não vi você saindo... – Murmurei pensativa, mas logo depois me lembrei da sua velocidade. – Ah... Katarina riu alto, tirando o rosto do meu pescoço. Ela se apoiou sobre seu cotovelo, me olhando com um sorriso enfeitando seus lábios. Me perdi no brilho que aquele sorriso irradiava, admirando-o. O quarto estava parcialmente escuro pela noite que já caia lá fora, sendo iluminado apenas pelo abajur amarelado na pequena cômoda ao lado da cama. A penumbra do lugar deixa-a sexy e misteriosa, com seu rosto parcialmente iluminado. - Você é linda. – Sussurrei emocionada, os sentimentos que ela me fazia sentir dominando completamente o momento. - Eísai ómorfi. * - Amava quando conseguia entender perfeitamente as palavras gregas que saiam de sua boca, deixava-me extasiada. *Você é linda* Coloquei minha mão em sua nuca, puxando seu rosto em minha direção lentamente, sem nunca desviar nossos olhares, perdida em seus castanhos brilhantes e quentes. Selei calmamente nossos lábios, somente em um roçar delicado. Katarina pediu passagem com sua língua, fazendo o contorno dos meus lábios deliciosamente. Cedi, deixando-a aprofundar o beijo e o dominar, me rendendo completamente à ela. O embolar de nossas línguas era calmo, apaixonado, mas sem perder a intensidade. Ela sentou sobre meu quadril, deixando suas pernas de cada lado da minha cintura, mas seu ato não era malicioso, apenas queria nos deixar o mais próximas possível. Nos perdíamos uma na outra, absortas no beijo que nos deixava ofegantes. Pousei minhas mãos em sua cintura, apertando delicadamente a carne, enquanto sentia suas mãos em meus ombros, apertando-os. Não queríamos que o beijo passasse disso, apenas desejávamos ficar assim, sem pressa ou afobamento. O beijo por si só era quente, mas não passaríamos disso, não quebraríamos a intensidade e o transformaria em outra coisa. Katarina mordeu meu lábio inferior, puxando-o para si quando se afastou, deixando um último selinho sobre minha boca. Ambas estávamos ofegantes, sem abrir os olhos. Eu não queria quebrar o clima gostoso que tinha se instalado no quarto m*l iluminado. Abri meus olhos, fitando os escuros de desejo de Katarina, me olhando com atenção. Seus lábios estavam mais vermelhos e inchados, deixando-os apetitosos. Um sorriso cresceu em minha boca, sendo reflexo do da garota sobre mim. Largo e satisfeito. Puxei-a contra meu peito, fazendo com que se aconchegasse em mim. Abracei seu pequeno corpo como se fosse escapar pelos meus braços, e deixei um beijo sobre seus cabelos cheirosos e macios. (...) - Você sabe quando Théos chegará, baby? – Katarina me perguntou quando sentávamos no grande sofá de sua sala. Depois do nosso beijo durante a noite de ontem, pegamos no sono sem nem trocar de posição, com Katarina dormindo sobre meu corpo e eu a abraçando. Após acordarmos nessa manhã, liguei para meu amigo para termos a tão esperada conversa, que tentamos adiar o máximo possível. Théos pegaria uma barca hoje e viria a Santorini junto de alguns turistas. - Ele já deve estar vindo, Kat. Liguei para ele mais cedo e já estava na barca, então não deve demorar muito. Ela apenas assentiu, deitando sua cabeça em meu ombro, me abraçando pela cintura. Passei meus braços por seus ombros e a puxei contra mim, beijando seus cabelos. - Eu estou um pouco ansiosa para essa conversa. – Sussurrei, sentindo meu corpo tenso pela ansiedade. Hoje todos os segredos sobre minha vida e de Katarina seriam relevados. - Não fique, meu amor, estarei ao seu lado o tempo todo! – Ela falou baixinho, deixando um beijo casto em minha bochecha. Apertei seu corpo pequeno contra o meu, suspirando pesado. Ouvi meu celular tocar ao meu lado no sofá e o peguei, atendendo sem nem ver quem poderia ser. - Khloe? – Reconheci a voz de meu amigo, e ao fundo muitos ruídos. - Théos? Você chegou? - Sim, estou no porto, mas agora não sei para onde ir. - Diga a ele que meu motorista irar buscá-lo no porto em alguns minutos. – Katarina sussurrou, passando a mão suavemente na pele de minha barriga por baixo da blusa, arranhando-a com as unhas. Arrepiei, sentindo um sorriso crescer nos lábios da mulher ao meu lado contra meu pescoço. - Théos, fique onde está, o motorista de Katarina vai te buscar. – Katarina deixava beijos molhados sobre a pele arrepiada de meu pescoço, arranhando suavemente cada vez mais minha barriga. – Pare com isso, Kat! – Murmurei nervosa, minha voz saindo fraca e baixa ao que afastei um pouco o telefone para que meu amigo não me ouvisse. - Oh, tudo bem. Como saberei quem é ele? - O n-nome dele é Deimos e o carro é u-um Cadillac CT6 preto. – Meu corpo estava mole, já que Katarina não parou com suas caricias em meu abdômen e os beijos e lambidas estratégicas em meu pescoço. Sentia minha i********e pulsando pelos toques maliciosos. - Okay! Obrigado, mikró. – Ele encerrou a chamada e eu joguei meu celular sobre o estofado macio, virando-me para Katarina, essa que me olhava de forma divertida e temerosa pelo o que eu poderia fazer. - Você é uma provocadorazinha. – Murmurei puxando-a para meu colo num movimento brusco, deixando-a sentada sobre minhas coxas, ao mesmo tempo em que apertava sua cintura por baixo da blusa. Ela soltou um sorriso m*****o, olhando-me nos olhos com os seus transbordando desejo. - Sou? – Sua voz rouca e manhosa saiu abafada, pois ela se abaixou o suficiente para voltar com os beijos em meu pescoço, arranhando minha nuca com as unhas. - Oh sim... com certeza você é. – Eu simplesmente deixei com que Katarina continuasse com seus beijos, me deixando cada vez mais excitada. – Babe, Théos já vai c-chegar. Não podemos continuar com isso agora. - Eu sei. Quando eu iria falar algo, Katarina subiu com seus lábios rapidamente calando-me com um beijo, introduzindo sua língua quente em minha boca sem pedir permissão. Gemi, incapaz de me conter, apertando suas coxas em reflexo. Meu coração dava solavancos em meu peito ao sentir o sabor de seus lábios mais uma vez. Nossas línguas se roçavam de um jeito excitante, tornando aquele beijo quase vulgar. Senti ambas suas mãos em meus cabelos, apertando meus fios negros perto da nuca entre seus dedos. O beijo acelerou junto de nossas respirações ofegantes e pesadas. Katarina gemeu alto quando apertei sua b***a rudemente, fazendo-a rebolar em meu colo. Subi minha mão direita em suas costas por dentro de sua camisa soltinha até a nuca, para descer arranhando a pele com minhas unhas curtas, ao mesmo tempo em que deixava um tapa estalado em sua nádega direita. Ela arfou sobre meus lábios, aprofundando o beijo de um jeito afobado, tombando a cabeça para o lado encaixando mais nossos lábios. A fricção entre nossos corpos se tornou apressada, e nossos toques rudes e sem cuidados. A língua quente de Katarina explorava minha boca, deixando-me extasiada, sentindo gotas de suor se formarem em minha testa. Abracei seu corpo pequeno entre meus braços, juntando ainda mais nossos corpos, sentindo seus m*****s excitados, livres do sutiã, contra os meus, também livres do aperto do sutiã. Senti Katarina mexer-se vagarosamente, fazendo com que nossos s***s se roçassem uns aos outros. Gemi baixinho pelo movimento proposital, apertando meus braços em sua cintura. Não percebi o tempo passar, apenas aproveitando daquele amasso que não parecia ter fim, sentindo a brisa fresca de final de tarde entrar pelas janelas abertas e a porta que dava acesso a área externa da casa. Deixava com que minhas mãos explorassem seu corpo, querendo senti-la mais; conhecê-la mais. - Nossa... – Ouvimos uma voz diferente preencher a sala silenciosa, e nos afastamos bruscamente, assustada com a aparição repentina de Théos, que estava parado ao lado de Deimos na entrada principal da casa, olhando-nos maliciosamente. – Vocês são quentes! - Théos! – Exclamamos ao mesmo tempo, olhando para meu amigo e o outro homem que soltaram uma gargalhada alta. Sentia minhas bochechas queimando pela vergonha, e pude ver Katarina também corada, olhando raivosa para os dois homens rindo. Com o passar dos dias, Katarina e Théos se entenderam, após a mulher confessar que morria de ciúmes do meu amigo e o mesmo revelar ser gay e que eu era apenas a irmã mais nova que ele nunca teve. E com isso os dois criaram bastante i********e, principalmente por meu amigo saber da origem de Katarina. - Não tenho culpa se vocês são quentes separadas, agora juntas... Nossa, é demais para o meu pobre coração. – Ele falava, deixando-me ainda mais sem graça. Katarina resmungou alto e escondeu seu rosto corado em meu pescoço, abraçando meu corpo, sem sequer sair de meu colo. - Avisem quando forem entrar em silencio da próxima vez, podem nos pegar em situações mais constrangedoras. - Katarina! – Exclamei alto, deixando um tapa em seu braço. Ela soltou uma risadinha, deixando um beijo molhado em meu pescoço. – Urgh, você é pior que eles. - Desculpe-me por ter entrado assim, mas devo confessar que gostei do que vi. – Deimos murmurou divertido, nos olhando de um jeito m*****o. - Eu mato você, Deimos! – Katarina saiu do meu colo em um piscar de olhos, parando na frente de Deimos, deixando-o assustado momentaneamente, para logo depois rir da cara de brava da mulher a sua frente. A diferença de altura entre os dois era engraçada, deixando Katarina bem menor que o homem, tendo que erguer a cabeça para fita-lo nos olhos. Mas mesmo assim, a grega conseguia ser bem assustadora e intimidante quando queria. - Desculpa, não falarei mais. - Bom mesmo, i****a. – Ela falou baixo, arrancando mais gargalhadas de Théos e de seu motorista. Por mais que a expressão de Katarina estivesse fechada, eu via que ela queria rir da situação. Ela andou calmamente em minha direção, e sentou de lado em meu colo quando me alcançou, passando seus braços pelo meu pescoço. Encostei meu corpo no sofá atrás de mim, puxando Katarina contra meu peito, deixando-nos confortável. Vi meu amigo e Deimos se sentarem nas poltronas ao lado do grande sofá branco em que estava com Kat. Agora seria a hora de contar a verdade e novamente senti meu corpo tenso. Sabia que Katarina tinha me beijado mais cedo para desviar minha mente do que aconteceria agora, e deu certo por um momento, mas voltou com total força. - Bom... Vamos ao que interessa? – Théos perguntou, olhando para cada um de nós. – Quer começar a fazer algumas perguntas, Khloe? Você é a que menos sabe entre nós aqui. - Tudo bem. – Olhei agradecida para meu amigo, e me ajeitei melhor no sofá, sentindo Katarina começar um carinho calmo em meus fios perto da nuca, me acalmando. – Quero saber como você descobriu sobre Katarina, Théo. - Você realmente não sabe, mikró? – Neguei com a cabeça, esperando ansiosamente sua resposta. Katarina se manteve quieta em meu colo, como se desse permissão ao meu amigo me contar. – O sobrenome dela, você nunca achou estranho ou conhecido de algum lugar? Parei alguns segundos para pensar e me lembrei da primeira vez que a vi no hotel, lembrando-me de seu último sobrenome. Tepes. Eu realmente conhecia aquele nome de algum lugar. - Espere, você está me dizendo que... – Franzi as sobrancelhas surpresa, fitando Katarina, que tinha seus olhos sobre mim. - Sim, amor, eu sou neta do Drácula. Conhecido também como Vlad Tepes III, o empalador. Abri a boca em descrença arregalando os olhos, olhando assustada para Katarina e meus amigos. Poderia ter imaginado tudo, menos isso. - p***a! – Quase gritei, sem ao menos perceber. Katarina apertou-me contra si quando eu comecei a tremer, assustada com a revelação. – Você é neta do Drácula?! Tipo, o Drácula real dos filmes de vampiros?! O Drácula mesmo?! Meus amigos e Katarina começaram a rir das minhas perguntas repetidas, olhando-me como se eu fosse louca. - Eu descubro uma coisa dessas e vocês riem da minha cara, estúpidos? – Minha voz saiu nervosa e trêmula. - Desculpe, amor. – Katarina parou de rir na hora, me olhando culpada. – Sim, eu sou neta do Drácula. O vampiro dos filmes e livros de terror, só que menos romantizado pelos autores que escreveram sobre ele. - Céus, então é realmente verdade. O cara era realmente um vampiro. – A ficha não tinha caído, e provavelmente demoraria a acontecer. - Ele foi um dos maiores vampiros a andar pela terra e um dos mais conhecidos. – Deimos falou, me olhando intensamente. – E com isso fez muitos seguidores leais à ele, capazes de fazerem tudo até mesmo depois de sua morte. - Oh... – As peças começaram a se juntar em minha cabeça rapidamente, com todas as histórias que ouvi de Katarina e do hibrido que queria me matar há uns meses atrás. – Esses seguidores são os vampiros que estão atrás de nós, certo? - Sim. – Katarina murmurou. – Dragos Stan, Pietra Megalos, Julian Vasile, Demen Balan, Isaac Moldavo e o chefe deles, Daniel Dragomir. – A voz de Katarina ficou baixa e raivosa quando citou o nome do último vampiro, quase um rosnado. Olhei temerosa para ela, vendo as pequenas veias querendo aparecer em seu rosto. Deixei vários selinhos em seus lábios, tentando acalma-la, até sentir seu corpo relaxar contra o meu e seus olhos, agora calmos, fitarem os meus. - Mas por que eles fazem isso? O que você tem a ver com a morte do Drácula? – Fitei Katarina, aguardando uma resposta. Meus amigos estavam em silêncio, apenas esperando o momento certo de falarem algo. - Por causa do meu pai. – Sua expressão ficou tensa e sua voz ainda mais baixa. – Se lembra quando te contei como eu virei vampira e do nosso primeiro encontro em 1514? – Acenei com a cabeça, lembrando-me de toda a história que ela me contou. – Meu pai morreu porque foi atrás do Drácula uns anos depois da minha transformação, mas ambos caíram em uma armadilha dos turcos quando estavam em guerra. Meu pai morreu naquele dia junto com Vlad Tepes, mas como ninguém sabia sobre a emboscada dos turcos, acham que meu pai o matou. Por isso os seguidores do Drácula querem vingança. Como meu pai morreu e não teve como se vingar dele, fazem isso em mim. Querem de algum jeito me matar e saciar a sede de vingança pela morte de seu “rei” – Katarina fez aspas com os dedos revirando os olhos. O silêncio se instalou na sala, podendo-se ouvir apenas as respirações. Eu tentava absorver o que me foi dito, mas era difícil. Katarina era neta do Drácula, o homem em que cresci ouvindo histórias e filmes, mas nunca dei credibilidade, achando que era apenas contos de terror. Katarina virou seu rosto para mim, olhando-me apreensiva. Sabia que ela temia meu afastamento mais uma vez, coisa que não aconteceria, eu não conseguiria mais viver sem ela ao meu lado. Inclinei-me um pouco para frente e selei nossos lábios em um rápido beijo, sentindo um sorriso crescer em sua boca e um suspiro aliviado escapar. Eu iria me acalmar e pensar sobre o assunto, mas não me afastaria de Katarina, pois não tinha motivos para isso. Sempre estivemos juntas nessa e isso não mudaria, ficaria ao seu lado até o final. - Não se preocupe, Kat. – Sussurrei em seu ouvido, tendo a certeza que ela entendeu o que eu quis dizer. - Obrigada, amor. – Sua voz estava ainda mais baixa quando falou em meu ouvido. Sorri, deixando mais um selinho em seus lábios avermelhados. - Então tudo isso é por vingança? E nem é sobre você? – Théos perguntou após um tempo, nos olhando indignado. Sua voz saindo grave e um terço mais alto que o normal. - Sim, não tinha meu pai mais para eles irem atrás, então decidiram me perseguir. - Mas porque Khloe está envolvida nisso se eles querem apenas você? – Meu amigo perguntou confuso, franzindo as sobrancelhas. - Por que eu sou um alvo fácil demais e eles querem torturar Katarina, atingindo seu ponto fraco, que sou eu. – Respondi lembrando-me das palavras do hibrido, vendo-o assentir vagarosamente com a cabeça. O silencio voltou, e foi quando percebi Deimos calado, com os olhos perdidos vagando pela grande sala de estar. Katarina reparou o mesmo que eu, soltando um suspiro baixo. - Há mais uma coisa que temos que contar para você, amor. – A voz de Katarina me chamou atenção, já que meus olhos não saiam do homem que me fitava com uma expressão culpada em seu rosto. - O que é? – Perguntei curiosa, sentindo Katarina ficar tensa sobre meu colo, olhando para Deimos que abaixou a cabeça. - Eu te contei uma vez que sempre te protegi nessa encarnação, já que te encontrei ainda pequena, certo? – Concordei com a cabeça. – Então- - Posso contar, Kat? – Ele a interrompeu, perguntando e olhando para a mulher em meu colo, fazendo-a assentir com a cabeça. – Khloe, se lembra do dia da morte de sua família? - Sim. – Fiquei confusa, me perguntando onde ele queria chegar com isso. - Nesse dia foi importante para mim também, porque foi quando conheci Katarina. Ela já vigiava você há uns anos, tomando conta de seu bem estar e de sua família. Mas teve esse dia, no qual ela precisou de se alimentar. – Sua cabeça estava baixa enquanto sua voz saia quase sussurrada. – Ela não foi muito longe, pois eu e você morávamos na mesma cidade, e também não pretendia demorar. Então ela me achou. Deimos estava com uma postura rígida contra a poltrona em que sentava, com as pernas separadas e os braços apoiados em seus joelhos, deixando suas mãos entrelaçadas. - Eu tinha apanhado muito do meu padrasto, muito mesmo, e Katarina passou perto da minha casa no momento em que minha primeira transformação ocorreu. – O mirei confusa, mas fiquei quieta. – Eu sou um lobisomem, Khloe. – Abri minha boca em descrença. As revelações do dia fervilhando em minha mente. – Eu fiquei com raiva pelo meu padrasto me bater sem motivos, e iria ataca-lo se Katarina não tivesse aparecido e me ajudado. Ela viu meu corpo de lobo machucado e atacou meu padrasto, matando-o quando viu que ele não parava de me bater mesmo eu com minha forma de lobo. Ela me ajudou durante a noite toda, tentando me manter preso em casa para não sair desgovernado pelas ruas e machucar alguém. Ela queria evitar confusões e me manteve preso até eu voltar a minha forma humana. Mas foi aí que aconteceu. Então tudo magicamente fez sentindo em minha mente. Senti lágrimas grossas escorrerem pelos meus olhos, descendo por meu rosto quando minha respiração ficou desregulada. Katarina saiu lentamente do meu colo, sentando-se ao meu lado, me olhando preocupada e culpada. Meu coração batia rapidamente em meu peito, deixando-me tonta pela sensação angustiante. - Se não fosse por mim, nenhum vampiro teria entrado na frente do carro de seus pais com Katarina por perto. Eu não conseguia escutar mais nada, meus olhos estavam embaçados quando eu me levantei do sofá apressada, querendo ir para fora da casa e respirar. - Khloe! – Ouvi a voz alarmada de Katarina me chamar, mas eu precisava de ar. Passei pelas portas de vidro que daria para a área externa e andei, completamente trêmula, sentindo minhas pernas fracas e as lágrimas saírem de meus olhos sem parar. Parei próxima a piscina, olhando meu reflexo na água cristalina da mesma. Sabia que não era culpa de nenhum dos dois, mas ouvir que ambos tinham envolvimento com a morte dos meus pais foi um choque de realidade que eu não esperava. A brisa fria daquela final de tarde arrepiava meu corpo. Senti braços pequenos me abraçando por trás, apertando-me contra o corpo magro. Katarina encostou a testa em minhas costas após deixar um beijo em minha nuca. Tombei minha cabeça para frente e chorei, engasgando pelos soluços altos que saiam de minha garganta. - Me perdoe, meu amor. Por favor! – A voz chorosa de Katarina me deixou pior. Sabia que ela não tinha culpa de nada. Virei lentamente em seus braços, ficando de frente para ela quando segurei meu choro. - Por favor, amor, me desculpe. Eu me odeio por ter causado essa dor em você quando poderia ter evitado tudo isso e- - Não é sua culpa, Katarina. Não tinha como você prever aquilo. – Minha voz saiu baixa e rouca. Algumas lágrimas ainda desciam por meu rosto. – Eu sei que não é sua culpa e nem de Deimos, mas ainda dói me lembrar daquele dia. – Murmurei com a voz embargada pelo choro preso. - Não chore, amor. Eu sei o quanto dói, mas eu estou aqui por você e sempre estarei. Sei que não há como preencher o vazio do seu coração pela morte de sua família, mas farei o possível para te fazer bem. Odeio te ver chorando. – Ela me abraçou apertado, afundando seu rosto em meu pescoço. Puxei seu corpo pequeno contra o meu, sendo incapaz de impedir o choro que queria a todo custo sair. Chorei por vários minutos, sentindo Katarina depositar beijos em meu rosto e em meus cabelos, acariciando minha nuca enquanto murmurava que sempre estaria comigo. Nos sentamos no chão ao lado da piscina ainda abraçadas. Meu corpo tremia pelo choro forte que havia cessado. Katarina me apertava contra si, me passando a segurança que eu necessitava naquele momento, a paz que eu precisava sentir no meio da dor em meu peito. Respirei fundo, tirando meu rosto de seu pescoço e enxuguei minhas bochechas das poucas lágrimas que ainda estavam presentes ali. Olhei para a mulher ao meu lado, encontrando os castanhos que tanto me acalmavam. - Me perdoa? – Ela sussurrou, colando sua testa na minha, sem quebrar a ligações de nossos olhos. - Sim... não se preocupe, isso irar passar. – Deixei um beijo na ponta de seu nariz, acariciando sua mão que estava entrelaçada com a minha. Estávamos em nossa bolha particular, desfrutando do momento de paz que nos atingiu após todas os segredos serem revelados. Katarina deixava beijos suaves por todo meu rosto, acalmando-me cada vez mais. Eu sorria pelo carinho que recebia, aproveitando a sensação dos lábios macios sobre minha pele. Ela deixou um último selinho em minha boca, afastando-se minimamente. - Katarina?! – Olhamos assustada para Deimos e Théos que estavam vindo em nossa direção. – Olhe. – Ele apontou para a praia particular de Katarina, fazendo com que nos levantássemos com pressa. - Mas como? – Ela murmurou fitando o mesmo lugar que eu e meus amigos. Minha boca estava aberta com a cena em minha frente. Dois vampiros, um homem e uma mulher, estavam parados na praia, nos olhando atentamente. A mansão ficava no alto, mas podíamos ver claramente suas expressões raivosas, prontos para atacar a qualquer momento, se não fosse a barreira que os impediam de adentrar os limites da mansão. - Quem são eles? – Perguntei nervosa, sentindo o medo correr por minhas veias. - Pietra Megalos e Isaac Moldavo. – A voz de Katarina saiu em meio a um rosnado, deixando claro que os dois eram uma ameaça. - O que faremos agora? – Minha voz saiu trêmula enquanto deixava meu olhar pousar mais uma vez nos indivíduos parados na praia, próximos ao mar agitado. - Atacaremos!
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