Khloe Angely
Louca.
Eu ainda ficaria louca. Porquê? A maldita grega saía de seu quarto todos os dias sempre no horário em que eu chegava ao hotel, fazendo questão de se esbarrar em mim na entrada, me deixando entorpecida com seu cheiro doce. E quando meu turno estava prestes a acabar, ela chegava de suas saídas noturnas e passava em frente ao balcão onde eu ficava, me lançando piscadas nada discretas e olhares quentes.
Era difícil fingir que eu não a via, ainda mais porque eu quase me derretia toda quando meus olhos se encontravam com os delas ou quando ela sorria pra mim. Claro que eu não demonstrava e tentava ficar o mais firme que conseguia. Obviamente falhava algumas vezes, mas isso não vem ao caso. Eu não entendia essa sua atitude diferenciada e sensual, mas não conseguia reclamar, afinal, vê-la desfilando com suas roupas e saltos de marcas, junto com suas bolsas e joias caras era simplesmente uma tentação que eu amava observar.
Hoje seria o último dia da minha tortura particular, mesmo não querendo que ela fosse embora, também não podia continuar a ficar paralisada ou gaguejando todas às malditas vezes em que a grega aparecia e iniciava um diálogo comigo.
Essa semana foi uma das mais confusas da minha vida. Minha cabeça me pregou peças todas as noites durante meu sono, com sonhos estranhos e constantemente envolvendo Katarina, mas sempre pareciam mais como... Lembranças. Meus sonhos pioravam principalmente quando ela chegava perto de mim, constantemente provocando-me uma sensação de déjà-vu. Isso me causava sérios arrepios, pois nunca tinha visto a mulher em toda a minha vida.
Tive que sair correndo de casa hoje mais cedo porque acordei atrasada para a faculdade, visto que na noite anterior despertei diversas vezes com sonhos estranhos ou uma sensação de estar sendo observada, de novo.
O sonho dessa noite foi basicamente comigo caída em uma capina escura, quase morrendo. Podia sentir a fraqueza em todo meu corpo, dores em todos os lugares, mas principalmente no pescoço. Eu praticamente podia sentir a morte me levando aos poucos, então logo a vi.
Katarina Kollia.
A grega usava uma roupa um tanto atípica, uma toga branca, porém estava linda. Parecia estar procurando algo e também gritava por alguém ou alguma coisa, mas eu não podia gritar ou entender, já que da minha boca não saía nada. Entretanto, quando me viu, entrou em desespero e se ajoelhou ao me lado, na grama. Vi que ela estava em prantos e eu tentava fazer algo, mas não conseguia me mover e nem falar. Ela repetia que me amava e me pedia perdão, porém eu não tinha forças para mais nada.
Então eu acordei, sentando-me rapidamente na cama, ofegando e suando tanto que por um instante achei que teria um infarto. E foi assim durante a madrugada inteira, com sonhos e sensações estranhas. Tirei a conclusão que minha mente era muito criativa para esse tipo de coisa.
Fui despertada dos meus devaneios por um toque suave no ombro, fazendo-me virar a cabeça para trás e vendo meu melhor amigo. Théos Argyros.
Um moreno bem alto, com cabelos castanhos e parcialmente grandes, barba por fazer, pele morena, corpo escultural e olhos tão azuis que beirava a transparentes. Parecia um homem sério e arrogante, mas tinha uma alma de um pequeno garoto, carente e bobo. E o fato dele ser gay me fazia sentir extremamente confortável ao seu lado, sem ter medo de me expor por completo ao meu melhor amigo.
- Khloe, vamos sair hoje depois daqui? - Sua pergunta veio com um sorrisinho animado e olhos brilhantes. Parecia uma criança quando pede doce aos pais.
- Hm, não sei, Théos, estou muito cansada. - Digo suspirando e me sentando corretamente na cadeira.
- Ah não, você usou essa mesma frase das últimas vezes em que eu te chamei. - Ele bateu o pé no chão fazendo birra. - Vamos só hoje, vai ser muito bom e eu não te encho mais o saco. Por favor, mikró*. - Eu olhava perplexa para o homem, de 26 anos, fazendo um pequeno bico para me convencer. *pequena*
Parei alguns instantes para pensar. Se eu fosse para casa, com certeza iria direto para cama e consequentemente teria mais daqueles sonhos estranhos, então, se eu saísse com Théos, poderei beber e simplesmente apagar assim que deitar.
- Tudo bem, Sr. Théos, eu vou. - Comecei a rir quando ele fez uma dancinha estranha e me deu um beijo na bochecha. - Não me faça arrepender disso, ouviu bem?
- Pode deixar, você não vai se arrepender. - Ele falou, mas quando iria respondê-lo, o vejo inclinar a cabeça um pouco para o lado e olhar por cima do meu ombro. - Veja só se não é a grega maravilhosa que está vindo aí.
Me viro rapidamente para frente, já que estava de costas para o balcão e me deparo com aquele mundo de mulher vindo em minha direção com um olhar nada amigável. Sua expressão séria e fechada fez com que um arrepio cortasse minha coluna.
- Boa noite, Sra. Kollia. Deseja alguma coisa? - Minha voz saiu firme, do jeito que eu queria. Não quero mais passar vergonha fraquejando na frente dessa mulher.
- Sim, gostaria de aumentar mais alguns dias na minha estádia. - Sua frase me deixou confusa e um pouco desnorteada.
- Tudo bem. Quantos dias mais quer que eu adicione? - Eu realmente não estava acreditando que ela ficaria aqui mais tempo.
Estava me sentindo feliz e frustrada.
- Coloque mais duas semanas, sim? - Me segurei para não deixar meu queixo cair.
- O-Okay. – Suspirei forte quando minhas bochechas coraram por ter gaguejado em frente à ela.
Fiz todo o procedimento no computador a minha frente, com as mãos tremendo e o coração acelerado, adicionando mais duas semanas em sua estádia. Durante os minutos que fiquei fazendo meu trabalho, podia sentir seus olhos castanhos sobre mim, fuzilando-me.
- Tudo pronto, Sra. - Falei enquanto erguia a cabeça para olhá-la.
- Muito obrigada.
Ela nem me deixou responder e saiu andando apressadamente para o elevador. Estranho.
(...)
Após mais duas horas de trabalho, fui para o vestiário feminino me trocar. Minha sorte foi que eu tinha deixando um vestido e um par de saltos no meu armário, depois de um evento organizado pelo hotel para os hóspedes uns dias atrás.
O vestido era preto e justo até a cintura, descendo soltinho até os joelhos, com um decote "V" que realçava meus s***s, e com alças largas, sem mangas. Os sapatos eram da cor do vestido e com o salto agulha. Fiz uma maquiagem básica, sem exagerar, e soltei os cabelos, deixando-os bagunçados do jeito que eu gostava.
Encontrei Théos do lado de fora do hotel, encostado em seu carro, somente me aguardando para a noite tão boa que ele me prometeu. Ele parecia um badboy com suas roupas todas pretas. Camisa, calça, sapatos e até sua jaqueta. Meu amigo era lindo e eu não tinha vergonha de admitir isso. Entramos em seu carro e fomos para o bar. Couleur Locale. Um dos mais movimentados em Atenas.
- Você não acha estranho o jeito que aquela mulher te olha? - Desvio meu olhar da janela e me viro para meu amigo, que estava com o cenho franzido concentrado nas ruas.
- Que mulher? - Me fiz de desentendida. Mas na verdade sabia qual mulher ele se referia, e como sabia.
- Não se faça de i****a, mikró. Você sabe muito bem de quem eu estou falando!
- Tudo bem. - Um suspiro sai de meus lábios. - Eu acho estranho sim, mas pode me chamar de louca, eu gosto do jeito que ela me olha. - Falei a última frase tão baixa que eu mesma quase não escutei, enquanto voltava meus olhos para a janela do carro.
- Você o quê?
- Eu meio que... Gosto.
Théos me lança um rápido olhar curioso, antes de voltar sua atenção para a rua em sua frente.
- Sério mesmo?
- Sim. - Respondo, agora olhando para seu perfil. - Não sei como te explicar, mas sinto como se eu já tivesse visto estes mesmos olhos em algum lugar e sinto uma sensação boa sempre que nos encaramos. É estranhamente bom. Não sei bem se é essa a palavra, mas é como se tivéssemos uma conexão.
- Uau, você é louca! - Lanço um olhar incrédulo para ele e dou um tapa em seu braço musculoso enquanto escuto sua risada alta.
- Talvez, Théos, mas não posso deixar isso acontecer comigo. Ela é casada. - O desapontamento é evidente em minha voz.
- Como sabe disso? - Meu amigo pergunta curioso.
- Tem uma aliança de ouro gigantesca em seu dedo anelar, meio difícil não reparar.
- Complicado, mas admite, mikró. Aquela mulher mexe com você.
“Sim, realmente mexe!” — Penso depois de voltar meu olhar para a janela, vendo as ruas movimentadas da Grécia.
...
Depois de mais alguns minutos no carro, conseguimos chegar ao bar, esse que estava lotado de pessoas. Ele ficava literalmente no centro de Atenas, perto do Templo de Hefesto e com uma vista incrível para Acrópole no 3° andar do lugar.
Pegamos uma fila enorme e quando entramos, fomos direto pegar algumas bebidas. Eu tinha que de beber, talvez assim esqueceria uma certa grega.
O bar estava tocando uma música animada e bem dançante, fazendo várias pessoas dançarem entre as mesas, me passando uma energia boa.
Puxei meu amigo para dançar depois de alguns drink’s fortes, que me deixaram tonta em segundos, e ele já veio me puxando pela cintura, me fazendo rir por estar tão bêbado quanto eu.
Dançamos por alguns minutos totalmente colados, comigo rebolando contra ele e roçando nossos corpos suados. Quem olhava de fora poderia facilmente dizer que éramos um casal com os hormônios à flor da pele. Mas passávamos longe disso, estávamos fazendo o que sempre fazíamos para nos divertir, dançar como se não houvesse um amanhã. E não, ele não ficou e******o em momento algum.
Estávamos totalmente envolvidos numa música com uma batida extremamente sexy, ele abraçava minha cintura e constantemente me puxava contra seu corpo forte, enquanto eu enlaçava seu pescoço com meus braços. Conduzíamos aquela dança de uma maneira calma e sensual, mexendo os quadris lentamente de um lado para o outro. Théos realmente dançava muito bem.
Nós passávamos uma imagem de um casal hétero muito forte pela posição constrangedora em que dançávamos, porém, com o álcool circulando em nosso sangue, não conseguíamos notar tamanho constrangimento.
Mas de um segundo para o outro, senti meu corpo ser empurrado subitamente para o lado, fazendo-me sair dos braços do meu amigo e quase cair. Me virei furiosa para olhar a pessoa e xingá-la, porém me deparei com os castanhos quentes e cheios de raiva me encarando de volta.
Oh merda!