— Você está bem? — perguntou Félix assim que entrei em seu carro. — Parece que andou chorando. Eu não tinha derramado uma lágrima sequer antes que ele me encontrasse no meio da avenida, porque o meu orgulho jamais me permitiu chorar verdadeiramente sem antes sentir a dor envolvendo o meu coração por inteiro. Aliás, se isso acontecesse na frente de alguém, provavelmente seria um truque para comover. Eu nem tinha começado o meu teatro, e Félix já era o meu espectador. Quando eu me ajeitei no banco do passageiro e ele partiu com o carro, aproveitei de que a sua atenção se voltou para as ruas e funguei ruidosamente, como quem realmente esteve chorando por muito tempo. — Eu soube de uma coisa terrível e não estou sabendo lidar com isso — respondi, levando uma mão até os olhos para afastar uma

