TUDO PODE ACONTECER

2367 Words
A festa parecia bastante animada. Aquele era um espaço ao ar livre e rodeado de árvores. Logo na entrada havia uma fonte de água com uma maravilhosa cascata. Se tratava de um ambiente semelhante aos belos jardins típicos dos castelos europeus. No centro do gramado, uma banda cantava ao vivo muitas músicas animadas e vários casais se esbaldavam na pista de dança se divertindo. Os noivos faziam o cumprimento de mesa em mesa e estavam radiantes com a felicidade estampada em seus rostos. Mary havia retirado o véu e caminhava segurando a barra do vestido longo por onde passava, sempre atenciosa com seus convidados. Sarah logo se lembrou da traição quando viu sua amiga. Não conseguia sentir raiva de Mary naquele momento. Somente naquele momento. Mas em outra oportunidade teria uma conversa bem dura com ela. Antony conduzia Sarah de braços dados acreditando ter finalmente conseguido uma trégua, havia aberto seu coração pedindo uma chance e aparentemente, aceitou. Quando na verdade ela pensava em se livrar dele mais tarde, realmente seria interessante entrar com acompanhada naquela festa. Desejava se exibir ao lado dele. Afinal, Antony era um grande partido. — Sarah, você é uma mulher encantadora! Ele levou as pontas dos dedos até o seu queixo, em um gesto carinhoso. Ela, no entanto, apenas sorriu. Estava decidida a ser mais cautelosa. Certamente ele estava apenas atrás de uma aventura, logo partiria para o sul e sinceramente ela não queria ser mais uma em sua lista de conquistas. Antony lhe apresentava a todos os seus amigos e familiares. Caminharam até uma das mesas, onde os pais dos noivos estavam acomodados. Clara, a mãe de Mary, era uma mulher muito fina e elegante, sempre tratava Sarah como se fosse um m****o da família. Ela a recebeu em um carinhoso abraço. — Querida, você está muito linda! — Obrigada, senhora Clara! — Aliás, você sempre foi muito linda, minha filha. Ela sorriu timidamente reagindo ao elogio carinhoso. Antony cumprimentou as senhoras da mesa, sempre atencioso, dando um beijo em cada uma delas. Jim, o seu tio foi o primeiro homem a se manifestar. — Na verdade vocês dois formaram um belo casal! Jim era o pai de Breno, tinha Antony como seu filho. Sarah não o conhecia muito bem, se viram poucas vezes, mas assim como todos naquela família, era um homem bastante gentil. Clara continuava com seus elogios. — Você teve sorte grande Antony, Sarah além de ser tão bela, é uma moça incrível! — Percebi, senhora Clara, realmente tirei a sorte grande, ela é simplesmente maravilhosa! — Antony disse olhando para ela com deslumbre, deixando-a mais embaraçada. Ele percebeu o quanto os elogios a deixavam acanhada demonstrando pela primeira vez sua vulnerabilidade. Não entendia o motivo pelo qual aquela mulher mexia tanto assim com seus sentimentos. Mas talvez fosse toda expectativa que ele guardou desde o primeiro momento em que Breno a descreveu para ele, despertou uma curiosidade em conhecê-la e sabia que tinha superado todas. Sarah estava trêmula de vergonha. Precisava se afastar daquela mesa, pois Antony estava percebendo sua fraqueza, e isso não era nada bom, pois naquele jogo de sedução isto poderia ser uma forte a**a contra ela. Felizmente um garçom, surgiu oferecendo uma bebida aos dois. Segundo ele havia uma reserva para se sentarem a mesa junto dos noivos. De onde estavam, os recém-casados acenavam. Breno levantou a taça de longe os convidando para um brinde. Eles se despediram de todos e foram ao encontro de seus amigos. Mary não conseguia esconder sua aflição, estava curiosa para saber se os dois haviam se acertado, com a demora que tiveram para chegar, tinha esperanças de que os dois tivessem se entendido. Sarah, no entanto, disfarçou cinicamente, não queria falar sobre aquele assunto, mas sabia que seria impossível se livrar da inquisição de Maryene. Sentiu Mary lhe arrastar pelo braço fingindo que precisava de sua ajuda para ajeitar seu vestido. Mas queria mesmo se afastar um pouco para que pudesse encher sua amiga de perguntas. — Não me olhe desse jeito, Maryene! — Sarah sussurrou enquanto lhe acompanhava. Ela já estava fazendo beicinho. Naqueles anos de amizade, as duas se conheciam bem, quando Mary queria descobrir algo, conseguia persuadir qualquer um. — Isso não é justo, você tem que me contar tudo! Contar tudo? Sarah pensou um pouco zangada se recordando das revelações de Antony enquanto se dirigiam ao local da festa. Quando ele lhe revelou sobre a traição de seus amigos. Assim como você e Breno contaram tudo que eu havia falado sobre Antony para ele, não é mesmo? Mas afastou aqueles pensamentos, realmente não iria discutir aquele assunto agora. Sem perceber havia apertado o vestido além da conta. Mary reclamou com um gemido. — Ai! O que deu em você? — reclamou. — Desculpe — Sarah pediu entre os dentes. — Somente a desculpo se me contar tudinho! — Não tenho nada para contar, sinto muito — Sarah falou rispidamente. — Mas ele não para de te olhar, está muito interessado em você! — mesmo de costas enquanto Sarah mexia em seu vestido, sua amiga observava tudo. Realmente Antony não parava de olhá-la, nem por um instante sequer. Mesmo estando concentrado na conversa que estava tendo com Breno entre um gole e outro de sua bebida. De repente os rapazes se aproximaram fazendo às damas um convite para dançar. Mary claro, se jogou nos braços do marido empolgadíssima, mas Sarah demorou alguns segundos para responder. Estava ciente de que teria que dançar a valsa, afinal havia se preparado para isto naqueles longos ensaios, mas para outro tipo de dança não estava pronta. Dança não era muito seu forte, ela ficou paralisada por um instante sem reação. Visto que não tinha muitas escolhas estendeu a mão para Antony aceitando o convite, ou Maryene não pararia de lhe fuzilar com os olhos. Ele sorriu imediatamente, contente enquanto lhe conduzia até a pista. Sarah sempre foi um pouco atrapalhada, era do tipo que tropeçava nas coisas e se desequilibrava facilmente e na dança não era diferente. A banda acaba de cantar um famoso single da década de 90. Várias pessoas dançavam divertidamente, mas alguns abandonavam a pista na medida em que o ritmo terminava e assim novos casais se aproximavam a fim de se entregarem ao ritmo romântico escolhido pela orquestra. Os homens entrelaçavam seus braços em suas parceiras, enquanto iniciava o som de um Cover do cantor americano Bruno Mars - When i was your man. Ela observava sua amiga admirando o quanto estava feliz. Mary enterrava seu rosto no peito de Breno enquanto se balançavam em um ritmo completamente apaixonados. Breno era carinhoso e a conduzia pela cintura demonstrando todo seu amor. Sarah sorriu, também estava feliz por seus amigos. De repente, ela sentiu as mãos de Antony tocarem suas costas permitindo mais uma vez o contato de pele com pele. Se arrependeu pela escolha daquele vestido tão nu na parte de trás. Se ao menos tivesse previsto aquilo, provavelmente teria ficado com outro modelo mais comportado. Não sabia o que fazer, nem como reagir diante daqueles sentimentos causados pelo simples toque daquele homem. As mãos dele eram macias e gentis, mas aquela música era uma tremenda s*******m. Ela gostava muito de ouvir Bruno Mars, suas músicas eram as primeiras em seu playlist . Quando a banda chegou ao refrão da música, sentiu Antony lhe apertar contra si um pouco mais. Ele inclinou os seus lábios próximo ao ouvido dela. O que ele estava fazendo? Pensou em pânico. Sabia que aquele contato estava sendo íntimo demais. As suas pernas ficaram bambas na medida em que as palavras saíam. — Sarah... Você sabe que é uma mulher linda! — Sussurrou ele. Aquelas palavras a descontrolaram completamente. Sentiu um leve arrepio percorrer seu corpo e Antony sorriu maliciosamente ao perceber aquela leve ondulação de sua pele causada por seu toque. Seu rosto ficou em um tom avermelhado, sentia-se tímida naquele instante. — Você fica ainda mais linda quando enrubesce. Céus, como ele é sedutor... Mas sabia que precisava pensar com a razão e não com seu corpo, se baseado nas reações que o contato de seus corpos lhe proporcionava. Não poderia se deixar levar por todo aquele charme. Então ela parou a dança ainda trêmula. — Me desculpe, Antony. Não quero ser indelicada, mas... Ela tentou se afastar o empurrando delicadamente, mas Antony a impediu segurando firme e lhe puxando novamente contra seu peito. — Não fuja de mim — ele implorou. Não esperava que ele fosse tão insistente. Antony era muito charmoso, desde que se conheceram, não fazia outra coisa a não ser tentar seduzi-la e estava conseguindo, porém em seu subconsciente Sarah sabia muito bem que se entregasse o jogo, tão cedo não o esqueceria e já tinha problemas demais para ficar se envolvendo em aventuras. — Olha... Você concordou em me dar uma chance. — Antony, eu... Agora sua voz também saía em um sussurro, ela não tinha controle algum sobre seu corpo. Era como ele tivesse o poder sobre todas as suas reações. A música seguia em um ritmo lento, e assistir Breno e Mary aos beijos como se existisse apenas os dois naquele lugar tão lindo, não estava ajudando. Sarah estava tão próxima dele naquele momento que o sentiu repousar sua testa na dela. Permaneceram assim, se balançando ao som da música que tornava aquele instante completamente romântico. As mãos dele permaneciam em sua cintura lhe trazendo seu corpo para mais perto. Um desespero tomou conta. Sabia que era preciso tomar uma atitude, ou seria tarde demais. Os lábios de Antony estavam tão próximos que conseguia sentir o cheiro doce do champanhe que ele tinha bebido há poucos minutos. Sua boca estava seca, pois os lábios dele estavam a um milímetro de distância dos seus. Ele estava tentando beijá-la. Antony sentia que ela também desejava muito aquele beijo, tanto quanto ele. O corpo dela tremia diante de seu toque e ela parecia completamente fora do controle de suas próprias ações. Quando finalmente pensou que conseguiria. Sentiu seu corpo sendo empurrado para trás. Sarah havia conseguido reagir, se desviando daquele contato. Tomar aquela atitude não tinha sido nada fácil e ela amaldiçoou mil vezes por ser tão desastrada. Sentiu seu corpo balançar de um lado para outro na medida em que se desequilibrou. Seus pés tinham escorregado de dentro das sandálias. Oh! Céus de novo não! Ela clamou em pensamento. E antes que atingisse o chão. Aquelas mãos fortes lhe seguraram mais uma vez. Não havia nada que ela fizesse que não lhe colocava nos braços daquele homem. A expressão de Sarah estava nitidamente exaltada. — Obrigada... Mais uma vez — ela disse sorrindo entre os dentes desconcertada. Percebeu que já estava em segurança, ou talvez não estivesse, pois o chão parecia ser mais inofensivo do que aquele lindo par de olhos verdes e corpo musculoso que a segurava. — Parece que a segurar é minha missão nesta terra — ele se gabou. — Caso você queira, posso providenciar um troféu de honra ao mérito! Ela não se conteve em dar uma resposta provocativa, pois vê-lo tão presunçoso era mais irritante ainda — Ter você em meus braços é o suficiente! — Sinto muito, mas, isso não voltará a acontecer, nunca mais! Sua voz saiu mais ríspida do que queria. Antony a encarou nos olhos de uma forma intensa. E de repente seu sorriso se desfez na medida em que ele ficou sério. Seus olhos estavam em um tom escurecido. Poderia dizer que estava decepcionado. — Por que não? — disse inconformado. Mas um alívio tomou conta dela à medida que a banda terminava de tocar aquela música romântica. O mestre de cerimônia invade o palco e cumprimenta a todos, recebendo a atenção e o aplauso unânime do público. Se tornou impossível qualquer diálogo naquele momento. Sarah tomou seu sorriso mais fingido e se virou fazendo o mesmo que o resto da multidão, aplaudindo o homem no palco. Naquele instante Antony soube que ela estava fugindo dele mais uma vez. O mestre de cerimônias era homem mais velho de cabelos grisalhos, mas bastante elegante em seu traje de gala e sua gravata borboleta, sua voz era grave como de um locutor de rádio. Alegremente ele anuncia o momento mais esperado da noite. A valsa. E os casais se afastam da pista para que primeiramente os recém-casados iniciem sua dança, sozinhos. Breno conduzia sua amada esposa delicadamente. Os seus olhos se entreolharam com muita paixão e ambos se entregavam a dança em uma valsa tocada pela orquestra ao vivo. De repente na medida em que o ritmo da música se modificava, Breno improvisou alguns passos de foxtrote levando os convidados à loucura. Após uma breve pausa os padrinhos são convidados a entrarem na pista como já haviam ensaiado. Sarah encarou Antony temerosa, não sabia como iria reagir depois de ter sido desprezado. Se sentiu insegura, pois não haviam ensaiado juntos nem ao menos por uma vez sequer, apesar de ter percebido que ele dançava muito bem. As lembranças de minutos atrás vinham em sua mente. Aquelas mãos firmes lhe segurando e a conduzindo ao som de Bruno Mars e por fim aquele contato que quase se tornou um beijo. Para sua completa surpresa Antony estava com um sorriso bobo no rosto mesmo tendo sido dispensado, e como não tinha alternativa, o seguiu para o centro da pista de dança sendo conduzida por aquele homem tão charmoso que a segurava pela cintura. Todos os casais de padrinhos iniciaram juntos o espetáculo tão esperado. Antony a conduzia com muita habilidade, o que a deixava mais tranquila, pois havia estado bastante insegura em dançar com ele aquela valsa. Descobriu que realmente não fazia diferença alguma o fato dele não ter ensaiado, pois dançava perfeitamente. Entre a plateia de convidados e familiares que admiravam a dança, Sarah percebeu que o senhor Charles a observava num canto decepcionado. Seu semblante não era um dos melhores. Por um momento ela sentiu pena, provavelmente ele ainda desejava dançar com ela. Mas não poderia negar que não estava sendo tão r**m assim estar nos braços de Antony como ela tinha imaginado. Porém, Mary que jamais poderia saber disso. Então Sarah sorriu aliviada  
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