"Ouvi dizer que ela só fez isso porque elas eram feias", ela tentou se afastar dele, mas ele apenas se inclinou mais, inalando o cheiro dela e prendendo as mãos na mesa de ambos os lados dela, o que a prendeu. Ele estava satisfeito com isso também, e as bochechas de Savvy ficaram vermelhas, mas ela ainda conseguiu manter a compostura.
"Não é à toa que você odeia rosas quando você cheira a flores de floresta", ele estava tão perto dela que sua barba a fazia cócegas. Savannah nunca gostou de barbas. Ou coques masculinos. Essas eram duas coisas que ela odiava. Mas Athena, que sempre foi muito defensiva em relação ao espaço pessoal delas, estava inesperadamente quieta agora. Como se ela não se importasse que o estranho estivesse tão perto delas. "Sinos azuis?" seus olhares se encontraram quando ela ouviu a palavra. Ninguém nunca acertou logo de cara. Nem mesmo Zack.
"Olha só você", a garota revirou os olhos e tentou empurrá-lo, mas ele não se moveu nem um centímetro, "Um verdadeiro mestre no seu ofício! Você entendeu meu cheiro. Parabéns! Agora, me dê licença. Eu tenho lugares para ir. E não vou lhe dar uma medalha por nada disso."
"É por isso que você odeia rosas? Porque elas são mais requintadas em comparação com sinos azuis?", ele a provocou e ela não apreciou.
"Requintadas?", Savvy soltou uma risada, bloqueando seu olhar com o homem em sua frente. "Aquelas ervas que crescem praticamente em todos os lugares, que vêm em todas as cores e mesmo assim não têm originalidade. Sem mencionar que elas literalmente tentam machucar qualquer um que as toque. Como você pode sequer comparar isso com o sino azul, uma flor tão rara que precisa de proteção e que floresce apenas uma vez por ano e nos lugares mais secretos? Embora talvez você seja apenas um daqueles que gosta... de coisas comuns."
A maneira como ela disse isso o afetou de alguma forma.
"Ainda estamos falando de flores, criada impetuosa?", os lábios do homem se curvaram em um sorriso.
"Eu não sei", Savannah ergueu uma sobrancelha. "Estamos?"
Ele se inclinou mais e sua barba a fez cócegas novamente, a proximidade se tornando demais. No entanto, pela primeira vez desde Zack, Athena estava se comportando. Ela não rosnou para o estranho, não protestou, não fez Savvy se sentir m*l. E era tão novo e libertador...
Mas ela teve que parar. Uma coisa era fingir ser uma criada e outra coisa era realmente beijar um dos homens do rei Kai. Ela não estava arriscando tanto, considerando que já tinha um plano de ação em mente. Então, não importava o quão tentador fosse beijar aquele homem agora, ela sabia que não podia. Ela não podia dar aos irmãos reais do norte o presente de uma arma tão poderosa contra ela.
Os lábios do homem quase tocaram os dela quando ela torceu um de seus braços rapidamente, fazendo-o perder o equilíbrio e quase bater o rosto na mesa enquanto ela corria para o outro lado da sala. Ela se virou para dar a última olhada nele e riu da expressão surpresa dele. Provavelmente era o conquistador aqui e acostumado a conseguir tudo o que queria das criadas locais facilmente, considerando o quão confiante ele era. Era hora de abalar um pouco a confiança dele.
"Você não sabia que não pode colher sinos azuis?", Savannah sorriu e o olhar que ele lhe deu não foi o que ela esperava. Ela esperava decepção ou talvez até raiva. Mas, na verdade, ele estava divertido.
"Elas não crescem no Norte, pequena criada", o jardineiro riu,= e a respiração dela falhou momentaneamente.
"Uma pena para o Norte", Savvy deu de ombros. "Elas são lindas na primavera."
Ela se virou e saiu da biblioteca, não desejando continuar aquele encontro. Era excitante, mas tão errado. Ela não podia se dar ao luxo. Muitas pessoas acreditavam que princesas podiam ter tudo o que queriam quando, na realidade, a maioria das coisas estavam fora da lista. Ela não podia se envolver com um simples jardineiro por muitos motivos. E não importava o quanto ele a fizesse sorrir sinceramente pela primeira vez em um tempo.
(...)
Kai ficou onde ela o deixou. A criada impetuosa com uma língua afiada que tanto o lembrava alguém...
Ela o irritava. Mas de uma maneira que despertava seu interesse. Que ele tinha que matar, é claro. Sua casa estava agora cheia de mulheres ligadas a matilhas e reinos importantes que vieram competir por sua atenção. Ele ainda não sabia como sair dessa situação, mas uma coisa era certa: ele não poderia insultar nenhuma delas. Então, um caso com uma criada ocidental estava fora de questão. Não importava o quão bem ela cheirasse, o quão atraente ela parecesse, o quanto seu lobo desejava mais agora, quando ele normalmente m*l tolerava fêmeas em busca de sua atenção... Ele veio aqui para procurar uma saída de toda essa confusão e não podia se distrair.
Foi exatamente quando ele notou os livros que a criada estava lendo e sua boca se abriu em choque. Ele pegou um dos livros com a aparência mais antiga e viu o título no grosso tomo antigo:
"Diretrizes das Provas da Luna."
Assobiando, ele pegou o livro e olhou rapidamente os outros livros. Contou pelo menos cinco, e todos eles eram sobre as tradições antigas do Norte. Era bom que fosse praticamente impossível estudá-los tão rápido. Ele sabia que a pequena criada trabalhava para a princesa ocidental. A última coisa que ele precisava era que essa mulher conhecesse todas as regras do evento. Então, ele reuniu todos os livros e foi para seu quarto pessoal. Ninguém os encontraria lá e nenhuma concorrente seria capaz de usá-los para obter vantagem sobre as outras. Sem mencionar que ele queria estudar esses volumes antigos por si mesmo na esperança de encontrar uma lacuna que o livrasse dessa situação desconfortável.
No caminho para seus aposentos, ele se pegou assobiando uma das irritantes músicas de amor que tinha ouvido no rádio enquanto dirigia para casa. Algo tão fora de seu caráter que teve que olhar ao redor quando percebeu o que estava fazendo e suspirou aliviado ao descobrir que ninguém testemunhou.
(...)
Savannah encontrou Kyle do lado de fora e ele mostrou o caminho do seu quarto designado para ela.
“Só não fique brava, ok?”, ele resmungou enquanto a conduzia na direção oposta ao prédio principal onde todos os outros estavam indo. Savvy sabia que alguma coisa estava acontecendo de novo, mesmo sem ele explicar a ela.
“O quê? Elene me deu o pior alojamento possível?”, ela riu. Depois de tudo o que aconteceu hoje, não era surpresa. Foi algo que ela esperava. Mas quando eles entraram nos corredores escuros que levavam a uma torre muito sombria, ela não conseguiu segurar sua risada. Não parecia que essa parte do castelo era muito utilizada, mas era um ótimo lugar para trancar as pessoas e esquecer de sua existência.
“Pelo menos não somos os únicos aqui”, Kyle apontou, tentando animar seu humor. Ele não sabia que alguém já havia feito isso.
“Deusa da Lua! Quem Elene Fionnlagh odeia tanto quanto eu?”, Savannah explodiu em risos e nesse momento uma porta se abriu bem na frente dos dois. A princesa deu um grito surpreso quando viu quem saiu, aquela que seria sua vizinha durante a duração dos Testes da Luna.
“Acho que seria eu. Quanto tempo, Savannah…”