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Zari no mundo das idéias

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Blurb

Zari é uma estudante de 24 anos que esta na universidade. Sua vida muda drasticamente quando seus pais morrem de covid-19 e seu ex namorado Bryan é preso por tráfico de drogas. No decorrer dessa história, Zari se depara com reflexões sobre a vida cotidiana, dilemas sobre sexualidade, mente e vida são recorrentes na sua narrativa trazendo um ar de drama e melancolia a situações corriqueiras.

¤ Atenção ¤

Esse livro contém

♤ Descrições de sexo

♤ Drogas

♤ Violência

Não leia se você for menor de idade

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Uma surpresa (des)agradável
sexta-feira de manhã... Puma estava na janela do quarto tentando apanhar um pássaro que assobiava pulando de um lado a outro no parapeito da janela; ora aproximando-se das patas do gato como se fosse se deixar pegar despercebido; ora desviando das unhadas que o felino dava, fazendo bater as patinhas do bixano no vácuo. É incrível como os animais parecem ter consciência de como podem ou não influenciar no mundo, apesar de não saberem ao certo ou racionalmente sobre o tempo ou a morte, eles reagem como se soubessem fazer parte da mesma engrenagem que dá início às interações do motor natural das coisas. As vezes penso sobre como deve ser bom não perceber o tempo como eles, ou como as crianças, porque a consciência nesses estados ainda se contenta em ser feliz com o que parece ser realidade. Pude até imaginar o que aquele curioso voador pensara quando pousou alí "vou atazanar esse gato até que ele acorde a dona"; Pois foi isso que sucedeu. Acordei com o barulho de puma miando alto que ao tentar subir o cercado de ferro da janela caiu e saiu derrubando todas as coisas que eu guardava ao lado de minha cama, na mesinha. — Puma, tome cuidado! - Disse enxotando-o dalí reorganizando as coisas. Já fazia algum tempo que ele era o único que eu tinha como companhia. Meus pais haviam falecido de covid-19 em abril do ano anterior e meu ex namorado Bryan foi preso por tráfico, não fui o visitar na cadeia pelo bem da minha saúde mental. Se eu o amava? Leitor, não há nada mais ardente do que a paixão de um casal jovem recém saído de uma tragédia, o drama sempre foi sedutor aos meus olhos; o perigo; a adrenalina; o caos psicológico necessário para que eu esquecesse a recente morte de meus parentes e entorpecerce minha mente ao ponto de não querer saber do mundo, Bryan era um homenzarrão. Moreno, alto, olhos penetrantes e profundos, os olhos dele... ah... iam no mais intenso do meu íntimo podendo chegar aos meus batimentos tortuosos e arrancar de mim a ansiedade. Ao passo que Bry era meu cais também se tornara a tempestade que fez eu me perder na maré, com seu 'trabalho' nada convencional e sua personalidade que pairava entre o homem romântico e o bad boy. Por pouco não sinto um alívio de não estar mais com ele, apesar das noites quentes e dos dias frios com aquele abraço afável, Bryan era um perigo a minha vida — eu zelava por ela mesmo que de forma estranha, me arriscava sempre pensando em voltar atrás nas minhas escolhas — queria uma vida comum e ele não poderia me dar o que preciso, porque talvez o destino das pessoas seja sofrer por amor. Quem não sofre por amor certamente já esgotou a alma pelas decepções...e se não, em sua rara exceção, talvez tenha achado o amor como lhe é pedido. Não é o meu caso, devo me contentar em amar o peludinho que caça pássaros. Um banho rápido Casaco e botas de inverno Um dia de drama clássico Saí de casa atrasada pouco mais de 7h15, meu ônibus passaria alí de novo às 8h "não vai dar tempo" pensei. Iria voltar pra casa até que algo me ocorreu. Se há algo pior do que tentar sair de um vício, é ser exposto novamente a ele no período de abstinência, o pior ainda é que foi surpresa e reagir a surpresas não é o que um coração desesperado precisa. Um jeep para ao meu lado, alguém desce o vidro do carro e me notifica - Entra no carro - Meu coração nesse momento já não era mais coração de tão confrangido que ficou ao ouvir aquela voz rouca, minha visão já não era visão ao ficar turva com aquele olhar penetrante, e minha mente... essa já não tinha mais consciência, fiquei tão extasiada que não pude conter a cara de surpresa e nuances de saudades no rosto. - Bryan - Minha voz era trêmula, as vibrações do meu corpo tão fortes ao ponto dele perceber e logo tomar a posição de dominante, como ele sempre fez em nossa relação e em nossas conversas - Mina, o que tá fazendo parada? Entra no carro rápido! - Seu tom era apreensivo, então logo me pus a entrar no carro e afivelei os cintos. Ele pisou no acelerador, não tão rápido que fosse pego pelos radares da polícia; não tão devagar que atrapalhasse o trânsito; estava tentando parecer um cidadão comum. Bryan continuou calado dirigindo o carro, depois da euforia seu olhar mudou, não mais era apreensivo, era um olhar reflexivo, talvez tentando achar as palavras certas para me falar algo, decidi quebrar o silêncio. - Desde quando você saiu? - Falei tentando soar natural - Você saberia se tivesse ido me visitar na cadeia - Ele disse com ar de rancor - Não fui e imaginei que você saberia os meus motivos. Nunca pedi aquela vida, nunca! E você me colocou em situações que eu não quero mais estar - Fui me alterando aos poucos enquanto falava, sempre me ofendi com o aquele ar de arrogância e agora que não estávamos mais juntos não queria mais admitir tais abusos. - Você é um egoísta, Zari! - Ele disse acelerando o carro. Neste momento já estávamos saindo rumo ao interior da cidade onde só havia mato e estrada; não havia polícia e nem pessoas. Um súbito medo se apossou de mim, seria ele capaz de me fazer mal? - Quero sair do carro - Eu disse sem muitos rodeios e logo senti o estancamento do freio - Vai, pode sair. E se sair eu vou embora e nunca mais volto - Dessa vez seu tom não era nenhum, estava conformado com a situação. Fiquei olhando pra ele por alguns segundos e aquele fogo se apossou de mim, como se todos os sistemas anatômicos do meu corpo respondessem a todos os trejeitos daquele homem, um homenzarrão. Naquele momento me senti impelida a não sair, sabia que ao mesmo tempo em que queria me livrar dos problemas também queria aquele homem dentro de mim, que aquele rancor se transformasse em apertoes e aquela tensão em um gozo. Não perdi tempo, desabotoei a camisa e comecei o que nós dois queríamos naquele momento, mas essa história conto depois. Quando você olha para o abismo o abismo olha de volta para você Friedrich Nietzsche

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