Quem é você?!

4486 Words
As ruas de Istambul estavam um tumulto só, ao cair da noite as pessoas começaram a ouvir os disparos pelo palácio, e as forças locais foram alertadas. Mevlit observava tudo pela janela de sua casa, com Gönül e as crianças na sala. Ele via viaturas e mais viaturas passando por sua rua, todos os policiais pareciam aflitos, e a notícia de que o Sultão Qasim Yasser morreu tinha se espalhado bem rápido. - O'Que está acontecendo, Mevlit? - Gönül perguntou. - Apenas oque eu e Erman prevemos. - Do que está falando? Ele respirou fundo, e se sentou em sua poltrona, observando sua mulher com seus filhos acolhidos debaixo de seus braços. - Erman e eu sabíamos que Sofia iria m***r o Sultão, e que atirou Peter Hood contra Tarik de propósito, apenas para sua ascensão. - O-Oque? E por que não fizeram nada a respeito?! - Nós fizemos. Gönül franziu o cenho. Mevlit parecia extremamente angustiado. - Erman e eu começamos a suspeitar disso no momento em que Peter pôs os pés aqui em Istambul. Não havia razão para Tarik querer caçá-lo. - Então por que o ajudaram mesmo assim? Mesmo sabendo que tinha alguma coisa errada? - Não foi necessário. Peter Hood ou Sicário Sombrio, seja lá quem ele for agora, não é burro. Ele mesmo sacou que tinha alguma coisa errada, por isso quis ir atrás de saber a razão de Tarik querer matá-lo, e não de m***r Tarik. - Vocês suspeitavam da Sofia? - Mais ou menos, claramente tinha alguém por trás de tudo. Gönül ficou perplexa, mas vendo que todo aquele assunto estava assustando seus filhos, ela os mandou ir para seus quartos e as crianças obedeceram, deixando os dois sozinhos. Gönül bebeu um pouco d'água enquanto estava sentada e conversando com Mevlit. Ela recupera o raciocínio e questiona: - Por que não avisaram ao Peter de que ela era uma potencial ameaça? - Porque ela não é. - disse ele, angustiado. - Faça mais sentido, Mevlit! Ele olha pro relógio, e já estava prestes a dar meia noite. - Hoje é noite de lua cheia. - afirmou ele. - O que isso tem haver? - Está chegando a hora. - Mevlit! Fale minha língua. Ele respira fundo, visivelmente perturbado em falar sobre isso, mas junta as suas forças e conta: - Nossas desconfianças ficaram ainda mais concretas quando a Sofia encomendou aquele traje no nome de Tarik. Gönül olhou para ele, ansiosa por um esclarecimento. - O traje que Sofia encomendou para Erman não é do tipo bizantino e muito menos otomano. É um modelo de armadura muito sofisticado e antigo, ao mesmo tempo muito perigoso, perigoso de um jeito que artesãos como Erman são proibidos de admitir que esse tipo de tecnologia exista. Não tinha como Sofia saber sobre essa armadura, nem mesmo Tarik, nem ninguém nesse humilde continente, muito menos na América do Norte. - O'Que você quer di... - Quero dizer que tem alguém manipulando Sofia. E se eu e Erman estivermos certos a respeito de quem é, então um dos piores pesadelos que alguém poderia ter, está prestes a começar. Gönül ficou muito apreensiva ao ouvir isso. - Nós conhecemos Tarik, sabemos que ele largou sua vida de mercenário após sofrer uma terrível tragédia. Quando ele soube que a filha bastarda do Sultão tinha sido largada e desamparada pelas ruas, ele decidiu adotá-la, como uma forma de se recuperar da perda de sua neta. Sofia era uma garota verdadeiramente pura, de bom coração. E pensar que hoje ela pôde trair Tarik dessa forma, só pode me levar a concluir que alguma coisa a influenciou, alguma coisa realmente maléfica. Gönül fica bastante assustada, e com um pouco de medo, ela pergunta: - Quem? Mevlit olha pra ela, e toma coragem pra contar. Enquanto isso, Sofia corre pelas ruas até chegar nas docas, os policiais encontram com ela e apontam as armas pra ela: - Parada! - S-Socorro! Mataram meu pai! O Sultão está morto! Os policiais se entreolham. - Você é filha do Sultão? Conta outra. - disse um deles, debochando. Sofia se enfureceu. - O ASSASSINO DELE ESTÁ VINDO LOGO ATRÁS, ELE QUER ME m***r TAMBÉM! PRA FICAR COM O COMANDO DE TUDO! - Aham, agora se puder colocar suas mãos pro alto... O policial foi se aproximando de Sofia com uma algema, e ela o mata cortando o pescoço dele, depois pega a p*****a do policial e mata o outro com um tiro na testa, em seguida segue com pressa o seu caminho até às docas. Peter chega logo em seguida, e vê os policiais mortos no chão, então volta a correr atrás de Sofia. Ele usa a tirolesa e sobe num prédio, olhando de cima, ele vê o porto um pouco longe, com um barco enorme parado, ele tinha um canhão gigante á disposição, que aparentemente tinha poder de fogo suficiente para queimar tudo na sua frente, e ele estava direcionado ao Palácio Topkapi. - O que você vai fazer, Sofia? - ele disse pra si próprio. Sofia corre, até que chega em uma rua em que consegue ver o porto ao fundo, e ela aperta mais ainda o passo. Quando os guardas viram que ela estava correndo, ela fez um sinal indicando que alguém estava perseguindo-a, então eles imediatamente armaram um bloqueio. Vários soldados com equipamento pesado surgiram ali, todos bem armados com metralhadoras. Quando Peter virou a esquina, todos começaram a disparar freneticamente, e ele quase foi atingido pelos tiros, se não tivesse tomado cobertura atrás de um carro, que foi completamente alvejado. Se vendo completamente cercado, Peter Hood tem uma ideia. Ele pega uma bomba que Tarik usou para queimar os soldados no palácio Topkapi, e atira pra cima, fazendo ela estourar exatamente em cima dos guardas, queimando todos eles até a morte. Sofia corria a toda velocidade, cada vez mais e mais guardas chegavam para tomar conta da retaguarda dela. O Sicário Sombrio chega até a entrada do porto, e como ele já esperava, mais e mais guardas vinham para segurá-lo. Dessa vez cada um deles estava escondido pelo porto, tornando mais difícil prever de onde os ataques viriam. O Sicário Sombrio passa devagar, se escondendo atrás de caixas, ele repara que uma tempestade estava se aproximando, nuvens negras com trovoadas chegavam ao porto junto com ventos fortes. Até que de repente uma bala passa de raspão em seu braço, ela tinha atravessado a caixa. Percebendo que estava vulnerável ali, ele rapidamente pula para dentro da janela de uma loja de pescaria, e ao chegar lá dentro, ele vê um guarda abaixado e com uma p*****a na mão. Ele mira, porém o Sicário dispara mais rápido com o protótipo em seu pulso, acertando a perna do guarda, depois corre pra cima dele e dá um chute, jogando o guarda pela janela e caindo do lado de fora. Outros guardas chegaram ali, e Peter já se virou defendendo com o escudo os tiros deles e depois se jogou atrás do balcão. Os guardas entraram e chegaram até atrás do balcão na sorrateira, e com as armas miradas, só que eles viram um anzol pular pra fora do balcão e enrolar na ponta da a**a de um dos guardas, depois ela foi puxada para trás do balcão. Eles ficaram alertas, e quando um dos guardas se arriscou a espiar atrás do balcão, levou um tiro em cheio na testa, logo depois o Sicário levantou e defendeu os primeiros tiros com o escudo, mas logo o pente deles esvaziou, depois Peter puxou a metralhadora e feriu todos os guardas, os deixando incapacitados de fazer qualquer coisa. - Vocês nem se quer contam as balas, francamente... Ele deu um chute no rosto de um guarda, apagando ele de uma vez. Depois que saiu da loja de pescaria, ele viu Sofia ao longe, quase chegando no navio. Então ele puxou seu arco e pôs uma flecha, e quando ele mirou nela, antes que pudesse atirar, um homem musculoso o empurrou no chão, era um n***o e careca, bem forte. O arco e flecha de Peter caiu num canto, e a tempestade começou a cair aos poucos. - Você não é o primeiro gigante que eu enfrento. Mas o homem não esboçou uma reação se quer. - Muito bem então. Peter usou o protótipo de a**a e atirou nos joelhos do homem, e ele reagiu tentando desviar dos tiros, mas foi atingido mesmo assim. O Sicário se aproximou, segurou o homem pelo pescoço, armou um soco, mas viu que ele tinha um botão na mão, e de repente percebeu que ele tinha bombas nas costas, debaixo da camisa. Peter arregalou os olhos, e o homem começou a rir loucamente, então ele imediatamente o soltou e pôs o escudo na frente, se afastando um pouco, e o homem se explodiu, jogando Peter do outro lado da rua, caindo no meio de umas barracas de frutas. O fogo da explosão foi visível por todo o porto, até Sofia que já estava subindo a escada para entrar no barco se virou pra ver, e logo depois se apressou para subir a escada. Peter Hood se levantou do meio das barracas, mancando um pouco, e com as mãos sobre a costela. Quando se abaixou e apanhou o arco e a flecha de volta, ele olhou pro lado e viu que Sofia já tinha entrado no navio. Haviam mais alguns guardas escondidos, e Peter rapidamente foi entrando em cada loja e casa no porto, localizando e acabando com todos eles. Agora estando frente a frente com a passagem de madeira até o navio, Peter foi caminhando rápido, quase correndo. Ele tira o capuz e a máscara cinza que cobria seu nariz e sua boca. Por um instante ele respirou fundo e sentiu a água fria da chuva batendo em seu rosto e escorrendo pelos seus cabelos e barba loiros. Pouco tempo depois ele sobe as escadas rapidamente, estando enfim no navio. Sofia andava pelos corredores estreitos do navio, até que achou a sala de controle, porém o local parecia ter sido revirado, com as janelas de todos os lados quebradas. No chão, tinha os corpos dos guardas que Sofia havia ordenado que ativassem o canhão, todos mortos com uma explosão. Ela respira fundo, e então vendo que num console à frente já havia sido digitado o código de bombardeio, ela aperta o botão para lançar, porém nada acontece. Sem entender, ela pressiona mais vezes o botão, porém o resultado ainda é o mesmo. De repente as luzes do barco começam a piscar, e Sofia se debruça na janela quebrada do lado esquerdo, e vê o canhão alguns andares acima, e ele estava com uma flecha grudada nele, e saiam muitas faíscas, provando que o canhão havia sido inutilizado. Ela respira fundo, e sente que tem alguém a observando, e quando se vira, Peter Hood estava ali em pé, olhando para ela do meio da sala. - É por isso que gosto tanto de você, Peter. Você está sempre um passo à frente. - disse ela, enquanto caminhava lentamente até o meio da sala. - Já pode parar com isso, Sofia. - Por que eu faria isso? Por que você quer? Não precisa me olhar com esse olhar de pena. - Pena eu tenho de quem ainda pode ser salvo, e você, você não é uma dessas pessoas. Porque já se condenou há muito tempo. Ela sorriu, mas com os lábios trêmulos, e deixou escorrer uma lágrima. - Quem você pensa que é pra me dizer isso? Quem é você?! O que afinal você veio fazer aqui, Peter? m***r? Isso não te torna diferente de mim, ao menos eu fiz por reconhecimento e não por prazer. - Eu não mato por prazer, nunca matei por isso, por mais que alguns mereçam. - Isso é uma ameaça? - Estou dizendo que eu não quero fazer isso, mas se eu tiver que fazer... se você me obrigar a isso, saiba que eu não sentirei nenhum remorso. - Tocante. Sofia empunhou as duas espadas nos coldres de sua cintura, e o capacete se montou ao redor da cabeça dela. Ela gira as espadas na mão, e dá um grito, então avança para cima do Sicário Sombrio. Ele transforma seu arco em um bastão e recebe Sofia defendendo os golpes de espada dela. Peter reparou que Sofia gritava a cada golpe de espada, ela parecia estar chorando, apesar de não saber com certeza. Quando ela tenta dar mais um golpe de espada, ela pula tomando impulso numa mesa revirada e Peter se abaixa, fazendo Sofia passar direto por cima dele, e com ela ainda virada de costas, ele bate com o bastão no capacete dela, quebrando o canto perto do olho dela. A ponta do bastão também ficou meio torta. Sofia se levantou, e quando tentou atacar com a espada em sua mão esquerda, Peter tirou a espada da mão dela batendo na mão de Sofia com o bastão e depois chutou a espada para um canto. Mas ela deu um chute no peito dele, e ele tropeçou em uma cadeira quebrada atrás e acabou caindo de costas no chão, Sofia montou em cima dele e segurou sua única espada com as duas mãos e atacou Peter, porém ele pôs o bastão na frente e Sofia pôs a palma de uma das suas mãos por cima da ponta da lâmina e fez mais força, pressionando tanto a espada que começou a cortar o bastão aos poucos. Sofia e Peter se encaravam enquanto faziam força um contra o outro. - Quantas vezes já não tivemos essa visão um do outro, não é mesmo? - disse Sofia, rindo. Peter olhou para ela com desgosto. - Vou sentir falta desses momentos, você foi o melhor! - disse ela, rindo na cara dele. Peter virou seu corpo para a esquerda e bateu com o bastão na cabeça de Sofia, fazendo ela cair. Imediatamente ele se levanta, e vendo que seu bastão está quase quebrado no meio, ele joga no chão e puxa as duas espadas nos suportes em suas costas. - Não me obrigue a isso, Sofia. Ela se levanta e vai atacar Peter com a espada e as garras em sua luva, mas ele defende cada golpe e arranca a luva de Sofia, e bate com com o cabo da espada no queixo dela. Sofia cambaleia para trás, e olha para ele com desprezo. Ela parte pra cima dele novamente, e antes que pudesse atingi-lo, Peter bate mais uma vez com o cabo da espada, dessa vez quebrando a parte da testa, fazendo Sofia cambalear mais uma vez, porém ela estava só fingindo, e faz um corte com a espada venenosa no braço dele, e ele de repente começa a se contrair de dor, e cai de joelhos no chão. - Está sentindo? Arde bastante, arde como fogo! Peter gemia de dor, pressionando a ferida. - Ainda não é o suficiente pra você arder em agonia, mas com certeza você vai sentir essa por uma semana. Sofia levanta a espada até a altura de seu ombro, e faz um movimento só com a espada para m***r Peter de uma vez, mas ele defende com seu escudo, e agora desarmando Sofia da outra espada, ele se levanta e a**a seus punhos, olhando para ela. Sofia ainda tenta atacar ele com sua última a**a, a garra na sua luva direita, e vai com tudo pra cima dele, com o primeiro golpe sendo um corte de cima pra baixo, Peter desvia pra direita, depois o segundo sendo de baixo pra cima, ele desvia para trás, e agarra o braço de Sofia, logo depois arranca a luva dela fora, e bate com o escudo no capacete dela, quebrando quase metade da parte do rosto, deixando o olho e metade da testa de Sofia exposta, o cabelo dela também saia aos poucos por ali. Peter deu um chute com força na barriga dela, empurrando Sofia pra cima dos controles, depois ele retirou seu escudo de seu braço, e atirou ele em cheio em direção a parte do nariz do capacete de Sofia, e quando atingiu, o impacto do escudo e da cabeça de Sofia na tela do console logo atrás foi tão certeiro e tão direto que quebrou o capacete em vários pedaços até a clavícula. Sofia levou as mãos ao nariz, ele sangrava muito com o impacto enquanto os pedaços do capacete caiam no chão, deixando a cabeça de Sofia totalmente exposta. - E-Eu nem sabia... que essa coisa saia daí! Ai... - disse ela. - Acho que é sábio o conselho de não contar tudo pra alguém. Sofia gemia de dor, e ela escorrega de costas no console até sentar no chão, com as mãos sobre o nariz, que não parava de sangrar. - Chega de máscaras, Sofia. Hora de expor toda a verdade. Quem estava te manipulando? - Você está ficando louco? Acha que eu fiz tudo isso a mando de alguém? - retrucou ela, rindo. - Esse capacete que você estava usando não foi feito por Erman, eu saberia se fosse. - disse ele, dando um toque na sua couraça cinza que estava usando. Sofia o encarou e se retraiu. - Claramente alguém adulterou, fizeram você usar esse capacete r**m de propósito, pra que eu acidentalmente te matasse. Quem quer que tenha te obrigado ou convencido a fazer isso, orquestrou sua morte, queriam que você morresse pelas minhas mãos. Sofia finalmente parou de tentar estancar o sangue de seu nariz, vendo que era inútil, e então passou a encarar Peter Hood fixamente, enquanto gemia de dor. - Não quero m***r você, Sofia. Apenas me diga quem foi que fez isso com você e nós poderemos recomeçar. - disse ele, estendendo a mão pra ela. Aquele gesto fez Sofia lembrar do dia em que Tarik a acolheu, aquele homem parrudo e de barba desgrenhada com um sorriso no rosto estendendo a mão para ela. Sofia estendeu a mão indo de encontro a de Peter, mas bruscamente a mão dela passa direto e acerta o queixo dele com um gancho. Ele cambaleia para trás, com um pouco de sangue escorrendo pelo canto de sua boca. Agora de pé, Sofia encara ele com muita raiva, e estralando os dedos. - Sofia... - Você foi sequestrado quando ainda era bem pequeno, não é? Acha que entende o'que é não ter seu lugar no mundo? Ela e Peter começam uma luta corpo a corpo, Sofia dá um chute na altura do queixo dele, mas ele põe o braço na frente e defende. - Você acha que sabe de tudo, né Peter? É TUDO SEMPRE VOCÊ! Ela tenta acertar socos, porém Peter desvia e se defende deles. - VOCÊ PERDEU TUDO! E DEPOIS GANHOU AINDA MAIS DO QUE TINHA PERDIDO! Sofia leva um soco no nariz e cai no chão, mas já se apoia no chão e toma um impulso com as mãos, dando com os dois pés direto no peito de Peter, fazendo ele cambalear, depois da um chute direto na cara dele, o derrubando no chão, depois pisa em cima da ferida ardente no braço dele e no outro braço, o imobilizando e fazendo sentir uma profunda dor. - Você não merece viver, Peter Hood. Ela pegou sua espada que Peter tinha chutado pro canto, e ia cortar o rosto dele com ela, porém ele conseguiu desviar a tempo do golpe certeiro, e a espada prendeu na madeira do piso. Sofia ainda empurrou a cabeça dele, fazendo com que sua bochecha arranhasse de leve na espada, mas ainda sim já sendo o suficiente para causar uma ardência muito forte. Vendo que Sofia estava quase tirando a espada para atacar novamente, Peter levanta a perna e dá um chute com a ponta do pé na cabeça de Sofia, e ela cai rolando por cima dele. Peter não se deixa abalar e levanta, depois levanta Sofia e a imobiliza, segurando ela por trás num mata-leão. - Já chega Sofia! Essa loucura acaba agora. - Eu acho que não. - disse ela com o rosto vermelho e com uma expressão de profunda dor. Sofia abre a mão esquerda, e arranca um pequeno pedaço da lâmina da espada venenosa, que acabou atravessando a palma de sua mão, como um espinho, e deu com ele na perna de Peter, fazendo ele sentir uma ardência inimaginável. Peter a solta, e Sofia se vira dando uma joelhada no queixo dele. Ele cambaleia enquanto tenta tirar aquele espinho de sua perna. - Você sempre teve tudo, Peter Hood. As pessoas te amam, você é reconhecido por todos no mundo, não há uma única pessoa que te enxergue como um estorvo, um erro, uma falha que nunca deveria ter acontecido. Consegue perceber como é privilegiado? - Você... urgh... está louca, Sofia! Peter finalmente consegue arrancar aquele pedaço da lâmina de sua perna, e ainda sentindo muita dor, ele fica de joelhos. - Acha mesmo? Quem sabe... talvez eu esteja mesmo. A órfã que a mãe morreu no dia de seu parto, mãe essa que era amante do Sultão, que por sua vez nem se quer se importava com a filha que havia gerado. Ela falava com muito rancor, deixando as lágrimas escorrerem. - A vida inteira eu fui rejeitada! Deixada para morrer de fome, comia restos na maioria das vezes, tive que me sujeitar a coisas completamente humilhantes! Ela para de falar por um instante, e olha pra ele morrendo de dor por conta da ferida ardente na perna. - Como eu queria que não tivesse que ser você, Peter. - disse ela, mansamente. Peter gemia de dor, pressionando com força o ferimento. Sofia vai até uma de suas espadas, e a pega, depois volta andando lentamente até Peter. - Mas eu preciso do seu sangue para conseguir a fórmula de criação de um super agente, e para isso, você tem que estar vivo. Peter riu, e riu com gosto, gargalhando na frente de Sofia. - Você não entendeu nada mesmo, né? O'Que você está querendo é impossível. Ela franziu a testa, olhando pra ele. - Um super agente não nasce a partir de uma mutação sanguínea, nasce de uma mutação mental. O'Que me torna um super agente está dentro do meu cérebro, na minha cabeça, meus neurônios foram reescritos, me fazendo assim, desenvolver super habilidades. Não sou como um super humano, por exemplo, um super agente foi criado pra ser além disso, com habilidades especiais e únicas, acima de tudo pra espertinhos que pensam como você. É impossível roubar a fórmula, porque meu sangue é igual ao de qualquer outra pessoa, e da minha cabeça você n******e tirar nada, porque nem mesmo eu sei a fórmula, ela apenas está aqui, em algum lugar da minha cabeça. Sofia faz uma cara de raiva para ele. - D-Deve ser h******l a sensação... de ter feito tudo isso pra nada. - disse ele, caçoando. Ela perdeu a paciência e levantou a espada até a altura do ombro novamente. - Se ela está na sua cabeça, acho que devo levá-la a um laboratório, se não se incomodar. - ela debochou de volta. Então quando ela fez o movimento para atacar Peter, ele deu o bote e pulou pra cima dela, mas Sofia o empurrou para o chão, atrás dela. Ele cai no chão, e tem a visão de Sofia em pé em frente aos controles do canhão, até que de repente a chuva lá fora aperta, e as luzes do navio se apagam. Uma onda de trovoadas fortes começa lá fora, iluminando o local inteiro onde eles estavam. Peter via um sorriso amargurado no rosto de Sofia, enquanto ela segurava a espada. - Pensando bem, talvez eu não precise mais de você. Existem outros dois como você, talvez eu tenha mais sorte tentando uma abordagem diferente com eles. Peter fica confuso, olhando para Sofia. - O-Outros dois... como eu? O que quer dizer? A onda de trovoadas continuava frenética lá fora, iluminando momentaneamente o local. - Você não sabia? Tem mais dois super agentes, igualzinhos a você. Peter fica muito perplexo. - Você não sabia. Mas eu vou ser boa e acabar com sua vida agora, pra que você não sofra tanto. Ela dá um sorriso pra ele. - Mas antes disso, você achava que tinha alguém me dando ordens, né? Você quase acertou, tinha alguém me ajudando sim, porém não me dando ordens. Ele começou sendo legal comigo, mas passou a querer me escravizar, estava de fato me fazendo muito m*l. Quando eu acabar com você, talvez eu seja finalmente livre, reconhecida e amada, que foi tudo oque eu sempre quis. Imagine o que as pessoas vão pensar quando souberem que a nova Sultana matou o assassino do antigo sultão? Peter se prepara para se defender de qualquer ataque, e Sofia começa a rir, até que ela muda de expressão drasticamente, e com um olhar sério, ela se despede: - Adeus, Peter... De repente se ouve um disparo, o resto de vidro que tinha na janela da direita deles estoura, e Peter viu tudo lentamente. Sofia tinha sido baleada no pescoço, a bala entrou por um lado e saiu pelo outro, estourando o vidro do outro lado, à esquerda deles. Ela fica engasgada com o sangue, e cai no chão. Peter Hood fica desesperado. - SOFIA! NÃO! Ele usa toda a sua força e se levanta, indo até Sofia, ele a segura pela cabeça com calma. Ela o olhava com um olhar triste, e com uma lágrima escorrendo pela bochecha direita. Peter encosta a cabeça dela no chão, e se levanta para olhar pela janela, para ver o atirador. Do outro lado da janela, em cima de uma casa, tinha um homem de costas, ele tinha grande porte, usava um colete tático n***o e sua pele era branca, assim como seu cabelo, que era baixo nas laterais, como um corte de soldado, e sua barba cerrada e branca. Seus cabelos eram brancos como a neve, e ele olha para Peter Hood de r**o de olho. Peter Hood gravou bem aquele momento, o momento em que ele viu aquele homem de cabelos brancos e a pupila n***a, cego do outro olho, vazio e sem emoção. Era difícil enxergar com clareza, porque somente a claridade das trovoadas clareavam o local. - QUEM É VOCÊ?! QUEM É VOCÊ AFINAL?! - Peter gritou. Ele até pensa em ir atrás dele, porém o homem some quando mais um clarão de trovoada ilumina o lugar. Então ele se volta para Sofia, e checa o pulso dela. A falta de pulsação deixou claro pra ele, Sofia morreu. Mas ele reparou que na mão esquerda dela tinha alguma coisa, e ele a abriu, e pegou sua bala dourada com seu nome escrito nela. Ele segura a bala com a palma da mão, e fecha a mão e os olhos, com a outra mão sobre o corpo gelado de Sofia, lamentando em silêncio.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD