- Eu não me importo em dividir Você algumas vezes, desde que sempre saiba que você é só meu. - Disse Mamon, no dia seguinte, enquanto ele e Landon estavam nadando em um dos quentes e deliciosos lagos termais. Depois de um banho que durou no máximo dois minutos logo após saírem do escritório completamente pelados com Basilton, Landon e Mamon praticamente caíram naquela cama macia e desmaiaram por mais de quinze horas seguidas, apenas voltando à abrir os olhos e recobrar a consciência quase no meio-dia do dia seguinte.
- A-ah. - Gemeu Landon, corando um pouquinho enquanto encarava o príncipe infernal. Ele ainda não conseguia acreditar que havia feito todas aquelas coisas com Mamon e Basilton (não que ele estivesse arrependido de alguma delas). O seu corpo ainda não estava completamente recuperado, e Landon sentia como se alguém tivesse lhe dado uma surra bem dada, pois cada músculo do seu corpo estava dolorido (ele constatou que de certa forma havia sim levado uma surra, e as pauladas tinham sido tantas que o seu cuzinho latejava, sensível e dolorido).
A água cristalina do lago termal fazia todos os músculos tensos e levemente doloridos de Landon relaxarem devagarinho, fazendo o ruivo soltar um grunhido de satisfação e se deliciar com a sensação. Ele e Mamon estavam sem camisa, apesar de continuarem vestindo a parte de baixo da roupa (Landon decidiu que não queria levar pauladas até estar totalmente recuperado da última f**a, então era mais seguro estarem vestidos, porque apesar de concordar com isso, aquele demônio safado vivia com um sorrisinho malicioso no rosto, como se fosse ataca-lo o tempo todo).
Os dois haviam chamado Basilton, mas o secretário negou gentilmente e disse que talvez outra hora acompanhasse os dois. Ele era alguém que adorava o seu trabalho alí no reino infernal e definitivamente gostava de estar ocupado, como se ficar só de bobeira por aí não fosse incrivelmente delicioso também.
Landon não sabia nadar muito bem, mas como o lago não era tão fundo assim, além de não possuir correnteza ou o vai e vem das ondas, ele estava conseguindo fazer isso sem problema algum, rindo vez ou outra de alguma palhaçada de Mamon e de como o seu cabelo branco e longo ficava quando estavam completamente molhado, perdendo o volume e ficando ainda mais brilhoso. Mamon poderia ficar no sol quanto tempo quisesse, mas a sua pele pálida continuava completamente livre de queimaduras, como se ele fosse imune a elas. Landon também achou engraçado como os cílios longos do príncipe infernal ficavam quando estavam molhados, já que alguns fios se juntavam em um só e emolduravam seus olhos verdes brilhantes de um jeito fofo.
Já Mamon, estava completamente impressionado sobre como aquela pele úmida, dourada e cheia de pontinhos levemente mais escuros pareciam brilhar sobre a luz quente do sol. Os olhos azuis turquesa do meio-fada eram vários tons mais escuros que a água cristalina dos lagos termais, que era absurdamente clara e estava mais para verde do que para azul. O cabelo avermelhado de Landon ficava bem mais escuro por causa da umidade, passando de um laranjado vivo do tom de abóbora para um tom de cobre queimado impressionante. Mamon queria perguntar para o rapaz se ele havia aceitado o seu convite para ser imortal e morar ali com ele para sempre, mas então o príncipe infernal lembrou de havia dito que Landon tinha todo o tempo do mundo para pensar naquilo, apesar de que para um ser milenar como Mamon, onde o tempo passava num piscar de olhos, ele estava incrivelmente ansioso e queria saber logo a resposta.
Enquanto conversavam, Landon inspirou fundo, prendeu a respiração e mergulhou no lago cristalino, sentindo aquela água morna e deliciosa envolver seu corpo por completo. O rapaz abriu os olhos devagar, e após alguns segundos de leve ardor para que eles se acostumassem à água, um mundo completamente novo e lindo se abriu diante dos seus olhos. Landon pensou que por causa da temperatura não haveriam nenhum ser vivo ali, mas pequenas e fofas carpas de todas cores possíveis nadavam de forma tranquila pelo lago, evitando se aproximar de onde eles estavam, claramente receosas, mas já acostumadas com a presença de humanos, bruxos e demônios alí. O chão do lago era revestido por pedrinhas circulares não muito diferentes das suas próprias pedras de invocação que estavam em cima da cabeceira da cama de Mamon, a diferença era que ao invés de quartzo ou obsidiana, aquelas ali eram pedrinhas normais mesmo. Haviam alguns pontinhos brilhantes entre as pedras ovais, e após nadar até o fundo e analisar um deles, Landon percebeu que eram pedras de ouro e diamantes brutos sem lapidação. Aquilo era tão impressionante e lindo que Landon pegou o maior diamante que conseguiu e voltou para a superfície, impulsionando as pernas contra o fundo do lago.
- Nossa! - Exclamou ele, mostrando para Mamon a enorme pedra bruta. No seu mundo apenas aquele diamante seria o suficiente para torna-lo uma pessoa sem qualquer um daqueles fáticos problemas que tinha anteriormente.
- Eles brotam das dunas num passe de mágica aqui. Sou o demônio da riqueza, lembra? - Manon disse, com um pequeno sorriso no rosto e inclinando a cabeça levemente para o lado.
- É a sua magia que faz isso? - Quis saber o humano, completamente curioso sobre isso.
- Não, Baby. A magia das terras do meu domínio que faz isso. - Explicou Mamon, negando levemente com a cabeça. - É como se o chão resolvesse ficar cuspindo pedras preciosas, ferro e carvão sem parar, recursos que faltam para outros domínios infernais, então comercializamos isso, não porque preciso de dinheiro, mas sim porque ter outros reinos dependendo do meu nos faz ser importantes para a geopolítica dessa dimensão. Posso não ser o príncipe infernal de um domínio bastante populoso ou com um grande exército, mas por enquanto estamos saindo em vantagem sobre a maioria dos outros. - Completou Mamon, dando de ombros e ombros e abrindo um pequeno sorriso.
Ainda demoraria um pouco para Landon entender completamente como funcionava toda a estrutura daquele reino, além de que também não havia tanta pressa para isso. O rapaz deixou o diamante bruto escapulir por entre os seus dedos e descer até o fundo do lago, de onde havia sido tirado, então ele começou a fazer várias perguntas aleatórias, enquanto Mamon nadava em círculos ao ser redor de forma tranquila e usava seu poder para fazer pequenas bolhas de água flutuarem pelo ar e tomarem diversas formas (algumas delas bastante obscenas, apenas para deixar o ruivo completamente desconcertado). Mamon respondia cada uma das perguntas com um sorrisinho bobo no rosto, adorando aquele súbito interesse de Landon na sua dimensão.
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Landon e Mamon estavam deitados numa espreguiçadeira absurdamente confortável, ainda sem suas camisas e já completamente secos, quando ouviram uma movimentação vindo das dunas, além da mansão e dos lagos termais. A atenção do ruivo foi diretamente para dois gigantescos lobos (um marrom escuro e outro completamente n***o) que estavam caminhando na direção de onde eles estavam, fazendo o rapaz ficar um pouco apreensivo.
Mamon levantou da espreguiçadeira e puxou gentilmente o ruivo pela mão, fazendo-o levantar e ficar ao seu lado, enquanto os dois esperavam os lobos se aproximarem. O lobo marrom escuro carregava um homem moreno, alto e musculoso que só podia ser outro príncipe infernal, pois seus traços sobrenaturalmente bonitos o entregavam. Apesar de com toda certeza também ter milhares de anos, aquele demônio aparentava ter uns vinte e oito anos, mais ou menos, talvez por causa da barba rala que cobria o seu maxilar, e ao invés de Mamon que sempre tinha um sorrisinho malicioso nos lábios, aquele demônio tinha o rosto cuidadosamente inexpressivo.
O lobo completamente n***o como breu carregava dois outros rapazes, que apesar de serem bastante lindos, tinham uma aparência mais humana. O da frente era com toda certeza o filho de Mamon, com um rosto tão idêntico ao do pai que Landon não conseguiu evitar a surpresa. Tudo nos dois eram exatamente iguais, o cabelo, os traços angulosos, os lábios, os olhos... A grande excessão era que o filho de Mamon parecia ter cerca de vinte anos, além de que suas bochechas coravam com facilidade.
O segundo rapaz estava montado logo atrás da versão mais jovem de Mamon (o nome dele era Amon, lembrou-se o ruivo) e estava com as mãos na cintura delicada do mais pálido. Esse rapaz aparentava ser alguns anos mais velho que Amon e até que o próprio Landon. Ele era alto, tinha ombros largos e uma pele morena de um tom bem escuro e bonito. Benjamin era definitivamente parecido com o príncipe infernal montado no outro lobo, embora os dois não fosse tão idênticos quanto Amon e Mamon eram.
- Aqui estão eles. - Disse o demônio moreno de forma calma, inclinando a cabeça para o lado e indicando para os dois rapazes. Mamon assentiu levemente com a cabeça, e apesar de estar tentando manter a expressão neutra, ele estava claramente radiante com a chegada do filho.
- Pai!! - Amon pulou do lobo e correu até Mamon, se jogando nos seus braços e abraçando o demônio com força, que retribuiu o abraço na mesma intensidade. Landon deu um passo para trás meio sem jeito e sentiu que estava atrapalhando o reencontro entre pai e filho, além de estar sentindo o olhar do demônio moreno sobre ele.
- Temos muito o que conversar, meu filho. E tem alguém que quero te apresentar. - Disse Mamon, agarrando a mão de Landon e o puxando para a frente novamente. O ruivo soltou um gritinho quando quase tropeçou, dando um pequeno beliscão na mão de Mamon em troca. - Esse aqui é o Landon. Ele é meu... Amante, namorado... Do que você quiser chamar. - Completou o demônio.
O olhar de Amon recaiu sobre o ruivo, que quase gemeu de alívio ao ver que só havia curiosidade e simpatia presente ali, e não arrogância e possessividade em relação ao seu pai. O olhar curioso de Amon foi até às orelhas pontudas da Landon, antes de voltar para os seus olhos claros. Os dois eram praticamente da mesma altura e estatura, apesar do ruivo ser um pouco mais baixo e com os ombros mais estreitos.
- É um prazer conhecer você, Landon. Já estava quase obrigando esse velho safado e rabugento à encontrar alguém, ou então eu iria fazer isso por ele. - Brincou Amon, apertando levemente a mão cheia de sardas do meio-fada, que estava tão surpreso que não conseguiu gaguejar nada mais que um agradecimento, sentindo Mamon passar o braço pela sua cintura e puxa-lo um pouquinho para mais perto.
Os três assistiram enquanto Benjamin também descia do lobo e ia até o seu pai, dando-lhe um abraço desajeitado logo em seguida e se despedindo dele baixinho. Mamon achou a cena um pouquinho curiosa, pois da última vez que os tinha visto, eram completamente desconhecidos um para o outro. Leviatã deu batidinhas na bochecha do filho, ajeitando carinhosamente a fina coroa de ouro que estava um pouco torta entre as mechas escuras do seu cabelo.
Demônios eram seres incrivelmente paternais e amorosos com seus filhos, e Mamon precisou admitir que apesar de desgostar de Leviatã e acha-lo insuportavelmente chato, apreciou o carinho que ele estava tendo com Benjamin, o amante do seu filho.
- Cuide bem do meu garoto, Mamon. Irei voltar no próximo período lunar para levá-los de novo para o meu domínio. - Murmurou o príncipe infernal moreno, voltando a subir no seu lobo.
- Vamos dividir a guarda deles agora é? - Manon riu, jogando o braço que não estava ao redor da cintura de Landon por cima dos ombros do filho.
- Que seja. - Leviatã não riu, mas havia uma expressão divertida no seu rosto enquanto ele revirava os olhos e já começava à seguir em direção às dunas.
- Não quer parar pra comer alguma coisa?! - Gritou Amon, mas o príncipe infernal murmurou um "não, obrigado" e continuou seguindo viagem. O lobo n***o de benjamin curiosamente ficou sentado sobre as patas traseiras encarando os três rapazes e o demônio na sua frente.
- Ele foi um presente de Leviatã, Mamon. Prometo que não vai causar problemas. - Benjamin explicou com um pequeno sorriso de lado, enquanto enfiava as mãos nos bolsos da sua calça preta.
- Espero que não. - Mamon respondeu, rindo baixinho. O príncipe infernal já não se lembrava de qual era a última vez que tinha se sentido tão feliz como na última semana, e não conseguiu esconder o sorriso de satisfação ao encarar o rosto do seu humano, do filho, o de Benjamin e até daquele bendito lobo, lembrando-se daquele velho ditado. Quanto mais melhor, não é?