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2068 Words
Até Mamon, que era incrivelmente ágil e sobrenaturalmente inteligente, precisou de alguns segundos para assimilar o que estava acontecendo assim que surgiu na praia, no meio de toda a confusão. Ele olhou para os lados rapidamente e aproveitou para avaliar toda a situação enquanto ainda não havia sido notado. Risadas altas e gritos ecoavam pela praia um tanto fria, enquanto um emaranhado de braços e pernas rolavam pela areia fofa. Estavam tentando arrastar Landon para algum lugar. Dois homens seguravam nos seus braços e o puxavam pela areia, enquanto outros dois tentavam imobilizar as suas pernas. Eram oito homens no total, e enquanto alguns tentavam segurar o rapaz no lugar (recebendo chutes e socos em troca), outros observavam a cena com um olhar calculado, enquanto o líder deles, um homem careca, inspecionava o conteúdo de um pequeno saco de linho. — Oito contra um não parece ser justo. — Mamon disse, chamando atenção para si pela primeira vez, fazendo todos pararem o que estavam fazendo e olharem para onde o demônio estava à alguns metros de distância, vestindo roupas douradas e brancas que pareciam ser costuradas com ouro puro. O sorriso do demônio se alargou ainda mais quando ele viu o choque e a confusão nos rostos daqueles homens, apesar de que internamente Mamon estava rangendo os dentes de puro ódio. Conhecia mentes asquerosas como aquelas o suficiente para saber o que planejavam fazer com Landon, e o simples pensamento deixou o demônio incrivelmente enjoado, pretendendo matar um por um de forma lenta de dolorosa. — Quem é você? — questionou o careca que estava com o saco de linho, que só poderia pertencer à Landon. — Vamos fazer assim: Dois contra oito, para as coisas ficarem pelo menos mais justas. — Mamon ignorou totalmente o homem. Seu olhar voraz encontrou diretamente o de Landon, que ainda estava imobilizado na areia. Os olhos azuis Turquesa do garoto, que inicialmente demonstravam puro terror, agora tinham um pouco de alívio presente neles. Ele ainda não confiava no demônio, mas sabia que a ajuda dele seria essencial para sair dali vivo e intacto. Mamon gostava de colocar medo antes de acabar com a vida de alguém. Ele adorava a sensação de ver o medo se alastrando pelos olhos e pelas feições do seu oponente, antes mata-lo bem, mas beeeem devagarinho. Ele sabia que a sua aparência e a olhar de que todos sussurravam quando encaravam os seus olhos já haviam entregado de certa forma a sua natureza, mas os homens à sua frente ainda não estavam morrendo de medo, apesar de engolirem em seco vez ou outra e parecerem incrivelmente receosos, querendo fugir dali. Mamon parecia brilhar contra a pouca luz da praia, como se tanto o seu cabelo branco quanto pele pálida tivessem um brilho sobrenatural por baixo. O demônio olhou para as próprias mãos, sentindo todos os outros seguirem o seu olhar e encararem as suas mãos grandes e imaculadas. O sorriso de Mamon se alargou quando com um simples pensamento, garras negras como breu começaram à crescer dos seus dedos, cada uma delas era incrivelmente longa e afiada. Ele sabia que seus olhos haviam assumido um brilho ainda mais sobrenatural quando ele ergueu o olhar para encarar cada um dos homens, abrindo um sorriso perverso, mostrando dentes longos e afiados. Ele sabiam que todos queriam correr, mas o puro terror que sentiam enquanto o encaravam eram tanto que não conseguiam sequer dar um passo sem fraquejar. O olhar de Mamon encontrou o do homem careca, que sabia que seria o primeiro à morrer. Ele tentou dar um passo para trás, mas antes que sequer pensasse em fazer isso, Mamon surgiu na sua frente com uma velocidade sobrenatural, tão rápido que era como se tivesse se teletransportado até lá. — A-AAH... — O grito engasgado do homem ficou preso na sua garganta assim que uma das mãos repletas de garras de Mamon envolveu seu pescoço e apertou tanto a sua traquéia que o homem ficou arroxeado em questão de segundos, sem que o ar passasse para os seus pulmões. O demônio, que era vários centímetros mais alto que qualquer um deles, levantou o homem do chão com tanta facilidade que era como se ele não passasse de uma casca vazia. Mamon se virou para onde os outros sete estavam, querendo ver o terror se alastrando pelos seus rostos enquanto constavam que iam ser os próximos. Eles tentaram correr, se arrastar para longe, mas seus pés foram presos na areia com uma simples faísca do poder de Mamon. Landon já estava livre, mas ainda estava deitado/sentado na areia com a boca sangrando e o cabelo encaracolado absurdamente bagunçado, cheio de areia. Ele também observava a cena com surpresa, atônito por Mamon ter aparecido alí do nada. — O que você quer que eu faça com ele? — Perguntou Mamon, alternando o olhar entre Landon e o ser asqueroso preso na sua mão. Ele apertou a traquéia do homem com ainda mais força, mas também tomando cuidado para não colocar tanta força também e simplesmente fazer a cabeça do homem desgrudar do corpo e sair rolando. Mamon não queria deixar Landon traumatizado, e esperava que o garoto entendesse que ele só estava fazendo aquilo para ajuda-lo e não saísse correndo e gritando com medo depois. — A-acaba com ele. — gemeu Landon, soltando um grunhido de dor e tentando inutilmente se levantar da areia, enquanto limpava o sangue que escorria da sua boca. Mamon percebeu tardiamente que o rapaz estava com o tornozelo torcido, senão quebrado, e que era justamente por isso que não estava conseguindo levantar. — Com prazer, baby. — Respondeu Mamon, sem deixar de provocar o outro. Com um simples movimento, o demônio enfiou uma das garras no pescoço do homem, arranhando a jugular e perfurando a traquéia. Mamon jogou o homem na areia de qualquer jeito na areia à poucos metros, não querendo que Landon visse aquilo. O careca puxou o ar com força para recuperar o fôlego, apenas fazendo o que o sangue invadisse os seus pulmões e ele começasse a se afogar com os próprios fluidos. Demoraria um bom tempo para ele finalmente morresse, e Mamon ficou bastante satisfeito ao constatar isso. Os outros comparsas do homem desataram a gritar e a pedir socorro, mas Mamon os silenciou com um simples feitiço, fazendo com que suas bocas fechassem de forma tão abrupta que ele ouviu dentes se quebrando, enquanto o único som que saiam deles agora eram grunhidos nasais. — O que você quer que eu faça com esses aqui? — Mamon perguntou de casual e tranquila, caminhando em direção aos outros homens presos na areia e observando seus rostos com um sorriso felino. Gotas de sangue pingavam das garras escuras do demônio e caiam no chão, fazendo os homens ficarem com ainda mais medo. Mamon olhou por cima do ombro e viu Landon pensar um pouco no que queria que ele fizesse. Estava na cara que o meio elfo queria se vingar dos homens, mas um pouco de emoção cruzou os seus olhos (comoção? Piedade? Reciosidade?), Algo que Mamon não conseguia indentificar direito, pois achava aquele tipo de emoção humana incrivelmente chata. — Apague eles, mas não os mate.— Respondeu o ruivo por fim, provavelmente achando que caso Mamon os matasse, o peso das mortes recaíram sobre ele também, até porque a ordem teria vindo dele. Mamon definitivamente não queria poupar aqueles homens, mas também não queria desagradar o humano. — Se é o que você quer, baby. — Mamon estalou os dedos e fez os homens atingirem bruscamente o chão com uma força absurda, fazendo ossos estalarem e grunhidos de dor saírem das suas bocas, antes que todos desmaiassem. O demônio sabia que demoraria um ou dois para eles acordassem, e que os ossos fraturados o fariam pensar duas vezes antes de tentar abusar de alguém. Além disso, Mamon gravou mentalmente o rosto asqueroso de cada um na sua mente, pretendendo voltar à terra um bom tempo depois para terminar o serviço. Os seres da terceira dimensão poderiam ser absurdamente pacientes para conseguirem o que queriam, e Mamon ficou satisfeito em saber que poderia dar um fim em todos eles depois, não importava se fosse dali um ano ou dez. — O-obrigado pela ajuda. — Landon agradeceu, soltando outro grunhido de dor e tentando sem sucesso levantar da areia. O olhar do rapaz vagou até o pequeno saquinho que estava quase aos pés de Mamon, que foi até lá e o pegou, com certa curiosidade. Dentro haviam as pedras de invocação daquele círculo que o rapaz pensou servir para prender um demônio dentro dele. Mamon sorriu com a lembrança, antes de se aproximar do garoto ruivo em passos silenciosos e tranquilos. Ele fez com que as garras das suas mãos desaparecem ao ver que a atenção do rapaz estava sobre elas. — Toma. — Mamon entregou o saquinho para Landon, se abaixando ao seu lado para encarar o seu rosto mais de perto. Dessa vez, Landon não tentou se esquivar do demônio, que não sabia se era por ele estar vestindo algo decente dessa vez ou porquê o rapaz estava cansado e com dor. Landon recebeu o saco com as pedras e encarou o rosto pálido de Mamon, percebendo que suas lembranças não faziam jus a beleza sobrenatural do outro. Ao notar que estava encarando demais, o ruivo desviou o olhar e encarou o próprio tornozelo direito, que estava em um ângulo tão estanho que causou uma tontura súbita nele, além de que a dor era absurda. — Vou curar você. — O demônio disse, mas Landon escutou a voz bastante distante, como se Mamon estivesse à vários metros de distância. — N-não vai embora... — Gemeu o rapaz, tentando inutilmente procurar o outro com o olhar, embora sua mente estivesse completamente turva de tontura e dor. — estou aqui ainda, baby. — Respondeu Mamon, ainda abaixado ao lado do outro, que tateava às cegas, como se não estivesse o vendo. O demônio percebeu que as pupilas do ruivo estavam incrivelmente dilatadas, além de que sua pulsação estaba à mil por hora. — V-você é... tão Lindo e... Gostoso. — Landon gaguejou, ainda completamente zonzo, como se estivesse bêbado. Mamon riu baixinho enquanto curava o tornozelo do humano, colocando-o na posição correta para que não curasse da forma errada. — Eu sei que sou, baby. — Respondeu Mamon, tentando distrair o outro enquanto tocava seu tornozelo. Landon trincou os dentes e soltou um grito de dor, fechando os olhos com força e choramingando baixinho. Mamon praguejou quando percebeu que que o rapaz estava perdendo a consciência, apesar do tornozelo já estar praticamente curado e a dor ter diminuído. Ele afastou os cachos ruivos do outro e percebeu que além de estar completamente suado, Landon tinha um corte na cabeça, que Mamon não tinha conseguido ver antes porque o sangue se camuflada na cabeleira avermelhada quase que perfeitamente. O demônio curou apenas o suficiente para estancar o sangramento, porque se tivesse algum problema interno no crânio e Mamon curasse o corte por completo por cima, só iria piorar a situação. Ele praguejou novamente e pegou Landon no colo com cuidado, percebendo que o outro pesava absurdamente pouco. Mamon percebeu que a bolsa de pedras do outro ainda estava no chão, então à jogou para cima com um ágil e rápido movimento de pé, pegando-a com uma das mãos logo em seguida. Ele se preparou para o teletransporte que o levaria para a terceira dimensão novamente, só que dessa vez com mais um presentinho consigo, porque pelo visto, levar humanos para o seu reino infernal estava se tornando um hábito curiosamente frequente. O demônio respirou fundo e se deixou levar por aquela escuridão que envolvia o seu corpo e o levava de volta para casa, através do mesmo véu fino que havia ultrapassado para chegar até alí inicialmente. Um sentimento um tanto diferente martelou no seu coração, fazendo o demônio ficar bastante surpreso, encarando o rosto sujo se sangue e terra do rapaz ruivo nos seus braços. O demônio da riqueza já havia vivido por milênios, tido inúmeros filhos, fodido milhares de vezes, matado uma pessoa para cada célula do seu corpo e feito todas as coisas (boas ou ruins) que alguém poderia imaginar. Mas o curioso era que Mamon não se lembrava de ter sentido aquele calor estranhamente gostoso no seu peito antes.
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