Família

1161 Words
— Tem certeza, minha filha? E a sua faculdade? Eu sei que é difícil, mas você está indo tão bem... –minha mãe tentava aceitar minha decisão, no começo ela surtou, mas agora que minhas malas estão feitas, tudo parece precipitado demais. Mas não posso voltar atrás. — Mãe, Adam disse que vai pagar meus estudos lá. Eu vou ganhar dinheiro e te ajudar, eu prometo. –eu a abracei pela milésima vez, Adam veio conhecer minha mãe e ela o achou quase um príncipe. — Por favor, me ligue quando estiver lá. –Ela pediu começando a chorar. –vou morrer de saudades, minha filha. Foi uma despedida muito difícil, muito choro, abraços, minha mãe desejando felicidades e ainda inconformada, no começo ela me chamou de louca por decidir isso em cima da hora e com um estranho, mas eu bati o pé e decidi. No fundo algo dizia que eu precisava ir, eu precisava encarar aquilo e viver tudo o que me sucedeu depois. *** A viagem durou muitas horas, o patrão de Adam deveria ser bem rico mesmo, já que ele tinha um avião só para isso, ele me apresentou ao homem e de cara eu o odiei, achei um velho nojento demais. Mas, como eu não podia dizer nada, tive que segurar minhas impressões para mim mesma. Quando chegamos na casa dele, eu fiquei encantada, pra mim parecia uma casa enorme, mas Adam sorriu e disse que era apenas uma casa de classe média, nossa... se aquilo for de classe média, imagino a dos ricos. Tudo correu maravilhosamente bem, eu e Adam aprofundamos nossa relação, ele me pediu em casamento alguns meses depois e fizemos uma cerimônia simples, apenas eu, ele e uns amigos dele. Adam saía muito cedo para trabalhar e as vezes voltava muito tarde, as vezes muito cansado e outras vezes muito agitado, mas ele foi um bom marido na maioria das vezes. — Adam, e a minha faculdade? –perguntei logo depois que nos casamos, dois meses após minha chegada, Adam contratou uma professora de inglês para mim e eu estava conseguindo aprender rápido. — Certo, vou ver os custos hoje e nós faremos o possível para dar certo, venha cá... — Depois que nos casamos, Adam tem um jeito mais bruto, a voz mais grossa, mas ainda assim eu gosto disso. Adam fazia amor comigo quase todos os dias, era inevitável, principalmente nos dias em que ele chega agitado, o que acalma ele é estar dentro do meu corpo, mas eu até gosto, isso também me acalma. O primeiro ano de casamento foi incrível, eu partilhava minhas experiências com minha mãe, ligava para ela todos os dias, Adam conseguiu me matricular no curso, eu precisei validar várias coisas e passar por um processo seletivo, mas consegui. Meu inglês já estava melhor e eu conseguia me comunicar perfeitamente. Ao final do primeiro ano, tudo ia maravilhosamente bem, eu tive uma descoberta incrível e estava apenas esperando Adam chegar para compartilhar com ele. Ele demorou um pouco mais para chegar naquela noite, eu estava bastante ansiosa e quando Adam chegou, eu apenas corri para pular em seus braços. Ele me segurou, mas depois me pôs no chão. Achei estranho mas continuei focada. — baby, tenho uma novidade para você. — Vou tomar banho e você me fala –ele não me olhou nos olhos, franzi a testa e fui caminhando atrás dele. — Você está bem, meu amor? –eu perguntei preocupada. — Sim, apenas sujo... não quero te sujar, Karina. –ele respondeu e entrou no quarto. Adam quase nunca me chama pelo nome, é sempre linda Karina, ou baby... fiquei mais nervosa ainda, mas deitei na cama e esperei que ele tomasse seu banho. Eu estava prestes a roer todas as unhas da mão quando ele saiu. Adam tinha os olhos vermelhos e inicialmente eu jamais imaginei que pudesse ser algo além de cansaço, ou alguma irritação, ele sempre diz que os olhos ficam sensíveis de passar o dia conferindo papéis. — Está mesmo bem? – eu perguntei novamente. -Sim, apenas precisava de um banho e estou com os olhos irritados novamente. Não se preocupe... — ele foi vestir uma roupa e eu fiquei aguardando ele terminar tudo. — Certo, é que você me chamou só de Karina e... – ele veio até mim, já vestido com uma calça moletom e sem blusa. Adam tinha várias tatuagens no peito e no pescoço e eu achava que isso o deixava muito sexy. — Desculpe, linda Karina, é o cansaço. – ele me pôs sentada em sua perna direita e beijou minha bochecha me abraçando. — Vamos lá, qual é a novidade? Voltei a ficar animada e desci da cama, corri até meu armário de roupas e peguei uma pequena caixinha onde tinha o resultado do teste de gravidez. Entreguei a ele e Adam abriu a caixinha e pegou o teste na mão. — O que... – ele sussurrou, levantando o olhar e me encarando. — Vamos ter um bebê... – eu consegui dizer. No fundo eu estava muito preocupada com a reação dele, temos menos de um ano de casados e tudo aconteceu tão rápido, rápido demais para que Adam chegasse a falar comigo sobre filhos. — Um filho... – ele disse. Adam não parecia feliz, mas também não aprecia triste, ele parecia preocupado. — Você não queria? — eu perguntei baixinho, tentando controlar o desespero. — Não é isso, linda Karina... eu só... meu Deus, é um bebê e eu tenho medo de não ser um pai ideal e ensinar as coisas certas ao meu filho... – Adam falou com tanta dor na voz que eu achei que fosse apenas medo por ser pai. Eu nunca conheci a família de Adam até hoje, eu sei que seus pais são vivos, mas nunca fomos na casa deles ou eles vieram na nossa casa. Caminhei até meu marido e o abracei apertado. — Baby, você vai ser um ótimo pai porque você é um ótimo marido. –eu disse a ele, Adam concordou e me beijou, me puxou para cima da cama novamente e me deitou de costas embaixo dele. — Prometo que vou tentar, obrigado pelo presente, linda Karina. Nosso sexo dessa vez foi de comemoração. Adam passou a noite inteira fazendo amor comigo e perguntando se estava tudo bem fazer aquele tanto de sexo estando grávida. Mesmo sendo muito nova, eu amei meu filho no momento em que descobri que seria mãe. Logo depois quando fizemos uma ultrassom alguns meses depois e descobrimos que era um menino, Adam praticamente deu uma festa em casa, me encheu de presentes, agradecia todo dia e anunciava em todo canto que seria pai de um menino. Minha gravidez inteira foi tranquila, Oliver nasceu cedo da manhã e Adam não estava comigo porque já tinha saído para trabalhar, eu não o culpei porque imaginei que ele era muito ocupado e precisávamos do dinheiro. Eu fui muito inocente.
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