Oliver acabou de completar três anos de idade e eu tive uma visita inesperada, os pais de Oliver vieram até aqui e eu descobri que Adam é filho de um juiz. Eu não gostei de nenhum dos dois, nem do pai e nem da mãe, mas mantive o respeito, coisa que os dois não tentaram fazer comigo.
Percebi os olhares atravessados e desaprovadores diretamente em mim, Oliver ainda é uma criança e não entende nada disso. Pareceu amar os avós que trouxeram milhares de brinquedos para meu filho.
Adam ficou o tempo inteiro nervoso, praticamente expulsando os dois. Quando eles finalmente foram embora, eu fiquei olhando para meu marido, mas não dissemos nada um para o outro.
— Catelo – Oliver brincava de construir um castelo lego no chão, não se dando conta e nem entendendo que o clima ficou gelado de repente.
— Adam... –ele apenas balançou a cabeça negando e subiu a escada.
Ultimamente ele tem ficado um pouco impaciente, mesmo com as perguntas de Oliver eu sinto que ele se esforça para ter paciência e não deixar transparecer seu cansaço. Bom, pelo menos eu achei que era cansaço até aquele dia.
Eu brinquei com Oliver na sala até meu filho se cansar e ir dormir. Adam não estava no nosso quarto e eu imaginei que ele estivesse no escritório que ele tinha em casa, no andar debaixo atrás da escada.
Eu desci novamente e fiquei na porta ouvindo alguns barulhos estranho, como se Adam estivesse gripado e respirando com dificuldade. Eu toquei na maçaneta e estava aberta, Adam nunca deixa a porta aberta, acho que ele ficou tão nervoso que esqueceu de trancar.
NADA. Nada nesse mundo me preparou para o que eu vi assim que abri a porta, apenas o suficiente para enxergar o meu marido com a cabeça baixa sob a mesa, inalando um pó branco, mesmo eu sendo jovem demais, eu não era i****a e soube exatamente o que era aquilo.
Alguma coisa me disse que não era a primeira vez, três anos de Adam chegando em casa com “irritação” nos olhos, agitado. Eu fui tão boba de não ter percebido antes o que significava aquilo.
Acho que fiquei completamente congelada no lugar, olhando aquela cena. Adam levantou a cabeça e fez contato visual comigo. Levantou tão rápido da cadeira e limpou a mesa que seu braço ficou todo sujo do pó. Eu não sabia o que dizer, saí correndo dali e subi para o quarto correndo.
Me tranquei no banheiro do nosso quarto e desabei a chorar. Meu Deus, Adam usa drogas a sabe-se lá quanto tempo e agora eu me sinto tão vulnerável, me sinto completamente exposta a coisas ruins e tem Oliver... meu filho não pode crescer nesse ambiente.
A porta do banheiro foi forçada a abrir, eu sabia que era ele...
-Karina, abre a porta e vamos conversar. –Ele pediu com a voz baixa.
Eu não queria abrir, mas precisava muito conversar com ele, questionar o porquê dele estar fazendo aquilo consigo mesmo e com a nossa família.
Eu abri a porta do banheiro e vi Adam andando de um lado a outro do quarto, eu saí e fui para o lado oposto de onde ele estava.
— Adam, por que? –comecei a chorar, ele tentou chegar perto e eu não deixei... –há quando tempo isso acontece? Fale a verdade.
Adam limpou o nariz e sentou na cama de cabeça baixa.
— Desde antes de conhecer você... –ele respondeu.
Adam usa drogas desde antes de nos conhecermos, então eu realmente fui a maior maluca do mundo em casar com uma pessoa que m*l conhecia.
— Você enganou-me esse tempo todo, mentiu para mim, nós temos um filho, Adam... meu Deus. –eu voltei a chorar desesperada, colocando as duas mãos na cabeça, sentindo tanta dor e náusea que quase vomitei ali.
— Não, baby... eu não consegui contar, fiquei com medo de você me achar um...
— Um viciado que cheira pó com o filho de três anos de casa com a p***a da porta aberta? –eu falei dura.
Adam abaixou a cabeça e veio em minha direção devagar.
— Linda Karina, eu não consigo... é quem eu sou, desde que comecei a trabalhar na Outfit eu faço coisas demais e precisava de um escape, posso parar, eu prometo que vou tentar, por você e pelo Oliver. –Ele prometeu me abraçando.
Eu não tinha palavras para descrever o que eu estava sentindo naquele momento, tristeza, raiva, medo, mas principalmente decepção.
-O que é Outfit? – eu o questionei.
Senti que Adam ficou duro, completamente tenso.
— Adam, se ainda quiser ser o meu marido, me diga a verdade ou eu vou embora e vou levar meu filho comigo.
Adam deu um passo atrás e respirou fundo.
— Baby, não me odeie... a Outfit é uma organização que comanda a cidade, meu chefe é um capo, ele lideram uma certa região, eu faço o que tem que fazer pra ele, as vezes cobrar dívidas, as vezes é algo fácil, mas as vezes o serviço exige outro tipo de solução e eu tenho que fazer. –Ele comentou desesperado para vir até mim mas eu não deixava.
Não sei como consegui ouvir aquilo porque eu chorava alto e soluçava muito. Acreditei que meu casamento estava acabado ali, não posso expor meu filho aquilo.
-Você... cobra? Isso significa que se alguém não paga, você vai lá e...
— Sim. –ele respondeu apenas isso.
Abracei meu próprio corpo com medo, eu senti tanto frio naquele momento, nada do que Adam me dissesse no momento iria mudar aquele sentimento.
— baby, por favor, eu vou mudar, eu prometo. Eu posso parar de usar, vou ser um marido e pai melhor para vocês dois. — Ele disse, deu um passo atrás e chegou a porta. – Eu prometo.
Adam saiu do quarto e me deixou ali, chorando desesperadamente, tentando segurar meu mundo que de repente pareceu cair em cima da minha vida, eu estava cursando medicina ainda e não queria desistir, mas não queria que Adam continuasse com aquilo.
Eu não sabia nem se eu e Adam íamos continuar casados porque eu ainda não sei como iria aceitar a situação, Adam não é um marido r**m e ele é um pai ótimo para Oliver, mas isso... isso é demais para qualquer pessoa aceitar.