Assim que Martin saiu do corredor, meu coração continuou acelerado.
Droga.
Eu odiava o jeito que ele me olhava.
O jeito que me tocava como se já tivesse direito sobre meu corpo.
Passei a mão nervosa pelo pescoço tentando recuperar o ar.
Bianca.
Quem era Bianca?
Namorada?
Amante?
Alguma mafiosa louca igual ele?
Ótimo.
Perfeito.
Talvez ela levasse aquele psicopata pra longe de mim.
Mas então…
Por que aquilo me irritava?
Balancei a cabeça tentando afastar os pensamentos.
Ridículo.
Eu odiava Martin De Luca.
Precisava odiar.
Saí do quarto silenciosamente apesar da ordem dele.
Que se dane.
Caminhei pelo corredor enorme tentando não chamar atenção até ouvir vozes vindas do salão principal.
Parei perto da escada.
E então eu a vi.
Bianca era linda.
Morena. Alta. Elegante.
O vestido vermelho justo parecia feito para provocar.
Ela estava sentada no sofá bebendo vinho enquanto Martin permanecia em pé perto dela.
Frio como sempre.
Mas ela sorria pra ele de um jeito íntimo demais.
Meu estômago embrulhou.
— Então é verdade… — Bianca murmurou divertida. — Você realmente vai casar.
Martin pegou um cigarro calmamente.
— Não vim discutir isso.
Ela riu baixo.
— Você costumava me ligar depois de matar alguém.
O silêncio ficou pesado.
Meu coração falhou.
Meu Deus.
Que tipo de relação doentia eles tinham?
Bianca levantou devagar e se aproximou dele.
Muito perto.
A mão dela deslizou pela gravata preta de Martin lentamente.
— Senti sua falta, amore.
Meu peito queimou inexplicavelmente.
Raiva.
Só podia ser raiva.
Martin segurou o pulso dela e afastou.
— Não começa.
Bianca sorriu de lado.
— Ela tá aqui?
Os olhos dele escureceram um pouco.
— Bianca.
— Ah, então tá. — ela riu. — A princesinha realmente mexeu com você.
Meu coração disparou.
O quê?
Martin ficou em silêncio.
Bianca percebeu.
Claro que percebeu.
Ela parecia o tipo de mulher que lia pessoas facilmente.
Então ela olhou diretamente para cima.
Pra mim.
Merda.
— Acho que encontramos a noiva.
Martin virou o rosto imediatamente.
Os olhos escuros encontraram os meus na escada.
Frio absoluto.
Ferrou.
— Dulce. — a voz dele saiu baixa. Perigosa. — Desce aqui.
Cruzei os braços tentando parecer corajosa.
— Não sou cachorro.
Bianca soltou uma risada divertida.
— Oh… ela é pior do que eu imaginei.
Desci lentamente a escada mesmo odiando obedecer.
Martin me observava como um predador esperando o momento certo de atacar.
Assim que parei perto deles, Bianca me analisou da cabeça aos pés.
— Então você é a famosa Sereia.
Meu corpo ficou rígido.
Como ela sabia do apelido?
Martin percebeu meu desconforto imediatamente.
— Vai embora, Bianca.
Ela ergueu as sobrancelhas.
— Ciumento agora?
— Vai. Embora.
O tom dele ficou mortal.
Mas Bianca apenas sorriu.
Então se aproximou de mim.
— Escuta um conselho, piccola… — ela murmurou perto do meu ouvido. — Nunca se apaixone por um homem como Martin De Luca.
Arrepiei inteira.
— Porque ele destrói tudo o que ama.
O silêncio caiu pesado.
Martin segurou o braço de Bianca imediatamente.
Forte.
— Já chega.
Ela apenas riu.
Mas antes de sair…
Olhou diretamente pra mim outra vez.
— Boa sorte sobrevivendo a ele.
E foi embora.
O salão ficou silencioso.
Martin continuava segurando o copo de whisky com força demais.
Irritado.
Muito irritado.
Olhei diretamente pra ele.
— Você dormia com ela?
Os olhos dele encontraram os meus lentamente.
E aquele pequeno silêncio…
Foi resposta suficiente.
O silêncio entre nós ficou sufocante.
Martin não respondeu imediatamente.
Apenas tomou um gole lento do whisky enquanto me observava.
Calmo demais.
Aquilo me irritou mais ainda.
— Então dormia. — falei antes que ele respondesse.
Os olhos escuros desceram lentamente pelo meu rosto.
— Tá com ciúmes, Sereia?
Soltei uma risada sem humor.
— De você? Nunca.
Martin se aproximou devagar.
Meu corpo inteiro ficou tenso automaticamente.
Odeio isso.
— Então por que parece irritada?
— Porque você é nojento.
Ele inclinou a cabeça de lado.
— E mesmo assim continua olhando pra minha boca quando eu falo.
Meu coração falhou por um segundo.
Merda.
Desviei o olhar imediatamente.
Martin percebeu.
Claro que percebeu.
O sorriso arrogante apareceu outra vez.
— Interessante.
— Você se acha irresistível, né?
— Eu não acho. Eu sei.
Revirei os olhos tentando ignorar o efeito absurdo da presença dele.
Mas era difícil.
Muito difícil.
Aquela energia perigosa parecia dominar o ambiente inteiro.
Martin colocou o copo na mesa e ficou parado na minha frente.
Perto demais.
— Bianca gosta de provocar.
— Não ligo.
— Mentira.
Cruzei os braços.
— Ela parecia uma cobra.
Ele soltou uma risada baixa.
— Isso foi ciúmes.
— Isso foi observação.
Martin me encarou em silêncio por alguns segundos.
Então segurou meu queixo lentamente.
Meu coração disparou outra vez.
— Você fica bonita irritada.
Afastei a mão dele imediatamente.
— Para de me tocar toda hora!
Os olhos dele escureceram.
— Então para de chamar minha atenção.
Meu estômago virou.
A tensão entre nós parecia pior a cada minuto.
Mais pesada.
Mais quente.
Mais errada.
Tentei me afastar, mas Martin segurou minha cintura antes.
Forte.
Dominante.
— Me solta.
— Não.
A voz dele saiu rouca dessa vez.
Perigosa.
Meu corpo arrepiou inteiro quando ele aproximou o rosto lentamente do meu.
Muito perto.
Conseguia sentir a respiração dele na minha pele.
— Você provoca sem perceber, principessa.
Minha respiração ficou irregular.
— Você é louco…
— E você continua aqui.
Os olhos dele desceram para minha boca outra vez.
Meu coração parecia completamente fora de controle.
Então a mão dele apertou minha cintura com mais força.
— Martin… — minha voz falhou.
Aquilo pareceu enlouquecer ele por um segundo.
Os olhos escuros queimaram.
E então…
Ele me beijou.
Brutal.
Quente.
Dominante.
Meu corpo congelou imediatamente.
Os dedos dele seguraram meu rosto enquanto a outra mão continuava presa na minha cintura.
Era errado.
Muito errado.
Tentei empurrá-lo.
Mas Martin aprofundou o beijo como se estivesse com raiva.
Como se quisesse me consumir inteira.
Meu coração disparou tão forte que chegou a doer.
Quando finalmente consegui afastá-lo, minha respiração estava destruída.
— Seu i****a! — empurrei o peito dele. — Eu odeio você!
Martin respirava pesado.
Os olhos escuros presos na minha boca inchada.
— Não… — a voz rouca saiu baixa. — Você não odeia.